10 de abril de 2026

​BBA vê cenários opostos para celulose curta e longa e tem visão positiva para Suzano 

Melhores condições de oferta e demanda de um lado e pressões com a China de outro
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A divergência entre os cenários da celulose de fibra longa branqueada (BSKP) e da celulose de fibra curta branqueada tomou o protagonismo no setor de papel e celulose. Por um lado, as restrições de oferta e melhor demanda têm mantido a fibra curta em um momento positivo. Do outro, as pressões vindas da China enfraquecem a fibra longa.

De acordo com a Suzano (SUZB3), a principal diferença entre os tipos de fibra estão nas origens e em seus usos. Enquanto a celulose de fibra longa é originada de árvores como o pinus, as de fibra curta são extraídas, principalmente, do eucalipto. As de fibra longa são mais resistentes, mas têm um custo de produção mais alto. Já a celulose de fibra curta têm mais eficiência em termos de crescimento e custo de produção.

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Conforme o Itaú BBA, o momento é claramente divergente entre os produtos e as movimentações na Ásia justificam os dois movimentos, positivo e negativo. Além disso, o setor também pode encarar alguns efeitos indiretos do Oriente Médio. Inicialmente, de acordo com os analistas, esse impacto seria positivo. A médio e longo prazo, a expectativa é de efeitos menos construtivos.

Fibra curta sustentada pela demanda

De acordo com os analistas, a celulose de fibra curta tem sido impulsionada por questões de oferta. A situação florestal na Indonésia e as paradas operacionais têm provocado um aumento nos custos de madeira na China e retirando a oferta de celulose no curto prazo.

Conforme a Suzano, a situação na Indonésia resultou em uma perda de cerca de 150 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026 (1T26), podendo chegar a aproximadamente 600 mil toneladas em 2026 caso novas disrupções ocorram. Por causa disso, a empresa já afirmou que não prevê entrada de novos projetos de celulose para papel neste ano.

O início do projeto OKI acabou adiado de abril de 2026 para o quarto trimestre deste ano ou o primeiro de 2027, mantendo a oferta limitada no curto prazo.

Pelo lado da demanda, a companhia afirmou que produção de papel na China foi um importante vento favorável no 1T26. De acordo com a administração, o cenário ajudou a absorver o mercado mais apertado de BHKP e sustentar tentativas de aumento de preços. Segundo a Suzano, janeiro e março registraram números fortes, enquanto fevereiro teve um desempenho mais fraco devido ao Ano Novo Chinês.

Fibra longa sofre com estoques

Enquanto a fibra curta aproveita as condições da Ásia, a fibra longa sofre com estoques elevados com o aumento da produção chinesa e substituição F2F. Conforme a própria Suzano, entre 60% e 80% dos estoques porto chineses são de celulose de fibra longa. Ao mesmo tempo, a China tem aumentado sua produção local, a custos inferiores à fibra curta.

Do lado da demanda, a BSKP tem sofrido pressão pela substituição F2F. Essa troca, de acordo com os analistas, implica em perda de participação para a produção local e perda de participação pela própria substituição.

A Suzano ainda indicou que parte do sistema canadense de fibra longa está operando com margens negativas, enquanto as margens da BSKP permanecem fracas há um período prolongado. Segundo os economistas, a empresa sugeriu possíveis paralisações de capacidade.

Apesar do desempenho negativo recente das ações — com queda relevante frente ao Ibovespa em doze meses — o Itaú BBA mantém visão construtiva para a Suzano. O banco rtem recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para as ações SUZB3, com preço-alvo de R$ 70, sustentado sobretudo pela maior exposição da companhia à celulose de fibra curta, que hoje apresenta fundamentos mais sólidos no cenário global

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