Variação mensal do CPI foi a maior desde 2022 e índice anualizado de 3,3% foi o mais alto desde abril de 2024, mas preços de serviços apontam desaceleração; economistas veem Fed ainda cauteloso em abril e junho
The post Choque do petróleo bate forte na inflação dos EUA, mas sem contaminar núcleos appeared first on InfoMoney.
Como esperado, o forte choque do petróleo causado pela conflito no Oriente Médio afetou a inflação dos Estados Unidos em março, com o índice cheio do CPI atingindo 0,9% na comparação mensal e 3,3% em 12 meses. Uma variação mês a mês desse nível não era vista desde 2022 e a inflação anualizada é a maior desde abril de 2024.
Mas os economistas advertem que a escalada pode ser praticamente toda atribuída aos preços de energia, enquanto houve surpresas positivas nos núcleos, especialmente de serviços. Isso reforça a tendência de um Federal Reserve ainda cauteloso em suas reuniões de política monetária no final de abril e em junho, mas não afasta totalmente a possibilidade de uma retomada de cortes de juros no 2º semestre, caso as tensões militares e geopolíticas diminuam e o choque de preços se mostre transitório.
Andressa Durão, economista do ASA, destaca em sua análise que o CPI de março ficou em linha com o consenso de mercado, refletindo os efeitos da guerra do Irã nos preços de energia. Mas ela cita que núcleo da inflação, que exclui as variações e energia e alimentos, veio abaixo do esperado (0,2%) e desacelerou na margem.
“O dado de março mostra o forte impacto da guerra na inflação cheia, mas por enquanto não aponta contaminação nos núcleos, que mostraram arrefecimento, compensando em parte os riscos. Houve nova surpresa baixista na inflação de bens, que permanece rodando baixa, e desta vez a surpresa também foi acompanhada pelos serviços”, comenta.
Leia também: Federal Reserve mantém juros e projeta apenas um corte no ano
A economista diz que a surpresa baixista da inflação subjacente foi disseminada, mas que houve importante desaceleração da inflação de health care [cuidados de saúde] na margem, tanto em bens quanto em serviços.
Segundo Andressa, a visão do ASA para a política monetária do Fed permanece sendo de taxa de juros parada ao longo do ano, diante de um cenário em que os riscos inflacionários aumentaram. Mas ela pondera que há expectativas de um fim iminente do conflito ou, pelo menos, de algum acordo que permita a liberação do fluxo de petróleo em breve.
André Valério, economista sênior do Inter, também dá destaque aos custos de energia no mês, que avançaram 10,9% ante fevereiro, sendo que a gasolina acelerou 21,2%. Mas pondera que o núcleo do CPI veio ligeiramente abaixo do esperado, registrando alta de 0,2%, indicando que o principal fator para a alta no mês foi mesmo o choque de petróleo. “O mesmo se vê nos custos de serviços excluindo os serviços de energia, que também acelerou apenas 0,2%, e no super núcleo.”
Para Valério, o resultado de março, sozinho, não altera a perspectiva para a política monetária americana. “á havia pouco espaço para novos cortes mesmo antes do início do conflito. A aceleração da inflação, juntamente com um payroll melhor que o esperado, colocam o Fed em modo ainda mais cauteloso”, estima.
Entretanto, o economista do Inter diz que, com o cessar-fogo, a chance de um impacto inflacionário sustentado diminui, o que permite uma normalização da inflação mais rápido, mas condicionado ao desempenho do mercado de trabalho e ao preço do barril de petróleo não ficar acima dos US$100.
“Mesmo com o fim do conflito, a normalização na oferta do petróleo demandará um tempo maior, mantendo o preço do petróleo pressionado. Portanto, não vemos o Fed alterando a taxa de juros antes da reunião de junho, mas há espaço para retomada do ciclo de cortes a partir do 2º semestre, com a inflação subjacente americana indicando bom comportamento, mesmo com o choque do petróleo.”
Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, de maneira geral, os números do CPI de março indicam que, apesar do choque externo nas commodities, a inflação permanece relativamente controlada e com sinais de deflação em setores como cuidados médicos e veículos usados.
“Embora o índice cheio tenha trazido um crescimento significativo, o valor associado ao núcleo pode levar o Fed a dar menos relevância ao pico causado pela variação de preços energia, mantendo o foco na trajetória de longo prazo, dependendo da continuidade ou não do conflito e da normalização da oferta de petróleo. O mercado interpretou positivamente o resultado, com os índices futuros das bolsas americanas operando em leve alta”, comenta.
Lobo acrescenta que a leitura sugere que a inflação núcleo está desacelerando, o que corrobora a sinalização de integrantes do Fed sobre uma possível redução de 0,25 ponto percentual nos juros, embora o timing exato continue incerto e o mercado ainda precifique poucas chances de cortes agressivos ao longo de 2026. “Este cenário afasta temores de uma espiral inflacionária descontrolada, uma vez que o choque foi concentrado no setor de energia, responsável por quase três quartos da alta mensal, diz.
The post Choque do petróleo bate forte na inflação dos EUA, mas sem contaminar núcleos appeared first on InfoMoney.
InfoMoney