Pré-candidato à Presidência afirma em feira tradicional do setor que PT, seu principal adversário na pré-campanha, ‘persegue’ o agronegócio e ‘odeia’ a propriedade privada
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) fez acenos diretos ao agronegócio em discurso como pré-candidato à Presidência durante uma tradicional feira do setor no Centro-Oeste. Na ExpoGrande, em Campo Grande (MS), nesta quinta-feira, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se disse favorável ao marco temporal para as demarcações de terras indígenas e defendeu que as comunidades tradicionais tenham autonomia para criar gado e explorar minérios em seus territórios.
Logo no início do discurso, Flávio disse se comprometer com as pautas do agro levadas a ele por representantes do estado e do setor. O marco temporal, por exemplo, estabelece que povos indígenas têm direito apenas às terras que já ocupavam ou já disputavam em 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição.
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— Essa insegurança jurídica vai acabar. Vai acabar na esfera constitucional, na esfera legal. Depois de 93 para cá, o correto seria: demarcou, tá demarcado, e não demarcou, acabou. Então o Congresso Nacional tem um papel importante de restabelecer a ordem constitucional no nosso país — disse.
O pré-candidato afirmou, ainda, que uma eventual gestão sua vai “respeitar os indígenas” e dar autonomia a eles para que decidam “o que é melhor fazer nas suas terras”.
— Se é plantar, se é botar gado, se é explorar minérios, se é implementar algum empreendimento de turismo, os indígenas têm que falar o que é melhor, têm que decidir o que é melhor para eles. Vão ganhar royalties, dinheiro disso. Vão prosperar, vão evoluir com isso, como alguns povos indígenas já estão fazendo. Não pode ser mais a caneta de um juiz que vai decidir qual é esse futuro — defendeu.
Críticos da medida, incluindo ambientalistas, temem que tais atividades possam levar poluição, desmatamento às terras indígenas e afetem o modo de vida tradicional.
No discurso na ExpoGrande, Flávio aproveitou para atacar o PT e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — seu principal adversário na pré-campanha ao Planalto — como supostos inimigos do agro.
— Esse governo não sabe a diferença de capacete para pinico. Só pensa em atrapalhar, em perseguir o agro. Qual é a raiva que eles têm do agro? Eu acho que eu sei qual é, Tereza — questionou Flávio, com menção à senadora Tereza Cristina, uma das principais cotadas para ser vice da chapa do PL à Presidência, embora diga que nunca recebeu convite formal. — É porque eles odeiam propriedade privada, porque eles querem explorar movimentos sociais, porque eles ficam com um percentual grande do que essas pessoas produzem.
Flávio acrescentou ter recebido uma pauta com 59 itens de interesse do agro e afirmou que quer “ouvir mais” demandas do setor, para que este possa produzir cada vez com “mais eficiência, com cada vez menos custo e mais segurança”.
— Então certamente o min a minha referência vai ser sempre o presidente Jair Bolsonaro junto com a melhor ministra da agricultura que esse país já teve, minha amiga Tereza Cristina. Essa gigante que eu chamo de vozinha porque ela de fato parece fisicamente com a minha vozinha. É bem mais nova que a minha vozinha Aparecida. Mostrei a sua foto para ela, Tereza. Ela: “Nossa, parece mesmo até no tamanho e gigante também no coração como você” — reiterou ele à possível vice.
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