O índice IDA DI, principal termômetro do setor, já acumula abertura próxima de 50 pontos-base no acumulado do ciclo
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O mercado brasileiro de crédito privado atravessa mais um período de turbulência. Desde agosto de 2025, uma sequência quase mensal de eventos negativos — envolvendo emissores de peso — vem pressionando os spreads e provocando resgates em fundos da classe.
O índice IDA DI, principal termômetro do setor, já acumula abertura próxima de 50 pontos-base no acumulado do ciclo, pouco menos da metade do que foi registrado no período do episódio das Americanas (AMER3), em 2023.
O cenário impõe comparações inevitáveis com aquele momento. Mas há diferenças estruturais que, segundo especialistas do setor, tornam o atual ciclo menos ameaçador do que parece à primeira vista.
A principal delas: 70% da abertura do IDA DI está concentrada em apenas cinco emissores, num universo de 200. Em 2023, o choque foi difuso e generalizado.
Isso tudo é o que avalia Ivan Fernandes, sócio e gestor de crédito privado da Kinea Investimentos, em entrevista à Semana da Renda Fixa da XP, programa comandado por Maria Luisa Paolantoni, analista de renda fixa do Research da XP.
“O mercado não está em pânico. Os gestores estão vendendo os papéis que, de fato, tiveram um problema de crédito”, afirmou Fernandes.
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“Isso, por outro lado, significa que não houve um ajuste generalizado no mercado — e, portanto, pode ser que a gente ainda precise abrir um pouco mais de spread.”
— Ivan Fernandes, sócio e gestor de crédito privado da Kinea Investimentos.
Em março, aproximadamente 96% dos fundos de crédito privado entregaram rentabilidade abaixo do CDI — não necessariamente negativa, mas aquém do referencial.
O movimento gerou uma onda de resgates que começou a se acelerar em fevereiro e se aprofundou ao longo do mês seguinte, mantendo-se em patamares elevados em abril.
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A anatomia do ciclo atual
A sequência de eventos que desencadeou a abertura tem início identificável: agosto de 2025, com o caso Ambipar (AMBP3). A empresa entrou com pedido de recuperação judicial logo em seguida.
“Sempre que você pega um papel que vai de qualquer coisa para zero, ele machuca bastante a indústria”, observou Fernandes.
Na sequência, vieram Braskem (BRKM5), Cosan, Raízen — que chegou a estabilizar brevemente antes de pedir recuperação extrajudicial em fevereiro de 2026 —, Símpar (JSLG3) e CSN.
A expectativa de haircut [nome usado no mercado financeiro para representar a diminuição do valor de alguma dívida] para os credores da Raízen gira entre 35% e 40%, segundo a avaliação da Kinea.
“É uma perda bastante importante de um emissor relevante no mercado de crédito internacional”, disse o gestor.
O caso da Aegea adicionou mais uma camada de incerteza. A maior empresa de saneamento do Brasil atrasou a publicação de suas demonstrações financeiras de 2025 e, semanas antes, surpreendeu o mercado com um comunicado sobre um acordo de leniência firmado em 2018 — que estava sob sigilo de justiça.
O papel chegou a ceder 10 pontos-base na véspera do prazo final para entrega dos balanços. As demonstrações foram publicadas às 23h59 do último dia. No dia seguinte, os papéis subiram 10 pontos em uma única sessão.
Para Fernandes, trata-se de um caso que, apesar dos sustos, apresenta fundamentos sólidos. A empresa tem concessões com prazo médio restante de 30 anos, geração de caixa consistente e acionistas com capacidade financeira robusta — entre eles o Itaúsa ITSA4), a Equipav (ente controlador da Aegea) e o GIC, fundo soberano de Singapura.
“São acionistas com bolsos muito profundos, com incentivo grande para sustentar o período de ramp-up dos ativos”, afirmou.
Conteúdo XP
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