Partido caminha para ter nove candidatos nos estados e abre mais espaço a alianças
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Sob pressão pelo desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto, o PT caminha para ter seu menor número de candidatos a governador e vai abrir espaço nos palanques na tentativa de ampliar a adesão à campanha à reeleição. O partido trabalha, até o momento, com nove nomes próprios nos estados.
As articulações do período de pré-campanha vão ganhar novo fôlego a partir desta semana, com o fim da janela partidária, na sexta-feira, e o encerramento do prazo de desincompatibilização para quem deseja disputar o pleito em outubro. Dez governadores renunciaram aos mandatos na tentativa de concorrer a outros cargos.
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A legenda decidiu abrir mão da cabeça de chapa em favor de aliados de centro e centro-esquerda, especialmente em áreas onde o bolsonarismo é mais forte, caso do Sul do país. Reservadamente, dirigentes petistas afirmam que o cálculo é “perder por menos” na comparação com 2022 no Rio Grande do Sul, Paraná e em Santa Catarina, sob pena de risco para o novo mandato.
Dentro da mesma estratégia, o Senado se tornou prioritário diante da possibilidade de crescimento da oposição a partir da próxima Legislatura. No Rio Grande do Sul, a legenda deve rifar Edegar Pretto (PT), que já estava em pré-campanha, em nome do apoio a Juliana Brizola (PDT), enquanto o deputado federal e ex-ministro Paulo Pimenta (PT) concorrerá ao Senado.
Em Santa Catarina, o empresário Gelson Merisio migrou para o PSB em uma aliança que também incluirá o PDT. Para o Senado, a aposta no estado será Décio Lima, presidente do Sebrae, para reconquistar uma vaga que a legenda já teve, entre 2002 a 2010, com Ideli Salvatti. Já no Paraná, o PT vai apoiar a candidatura do deputado estadual Requião Filho (PDT) ao governo, com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tentando voltar à Casa chefiada por Davi Alcolumbre (União-AP).
— O centro da estratégia não é eleger governador, é reeleger Lula. Não estamos nos iludindo achando que vamos fazer 50% ou 60% para Lula em Santa Catarina, mas podemos ampliar de 30% (votação de 2022), para 35%. Se chegarmos a uma média de 40% de votação no Sul, contribuímos muito para a reeleição e será uma grande vitória política — afirma o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC).
O PT também não terá candidato em colégios com número expressivo de eleitores, como Rio de Janeiro, onde apoiará Eduardo Paes (PSD), e Minas Gerais, palco da tentativa de Lula de convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSB) a buscar o governo. Em Pernambuco, Lula estará com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e no Pará, com a vice-governadora Hana Ghassan (MDB). No Amazonas, a aposta é no senador Omar Aziz (PSD). A aliança com a sigla de Gilberto Kassab deve se repetir também no Mato Grosso, com a médica Natasha Slhessarenko, e em Sergipe, na tentativa de reeleição do governador Fábio Mitidieri.
— O fato de lançarmos menos candidatos a governadores mostra que estamos conseguindo ampliar alianças. O objetivo é derrubar a candidatura (à Presidência) da extrema-direita — afirma o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), em referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Depois de três anos de relação turbulenta com o Congresso, o PT tem como principais linhas fortalecer a legenda na Câmara, onde mira ampliar a bancada federal em 20 deputados, e evitar que a renovação de cadeiras do Senado vire uma avalanche bolsonarista. A diretriz também será seguida na distribuição de recursos para o fundo eleitoral.
Reflexos na bancada
Petistas críticos à linha de ação da cúpula do partido afirmam que a falta de candidatos a governador pode enfraquecer a formação da bancada federal. Também pontuam que a estratégia fragiliza a presença do PT nos estados, dificultando o surgimento de lideranças regionais. Por outro lado, defensores do ponto de vista da presidência do PT argumentam que Lula é o principal puxador de votos para a Câmara.
Dentro desse critério, a legenda priorizará a reeleição nos locais que já governa: Piauí, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, onde também há obstáculos. A situação mais confortável, de acordo com dirigentes, é a do governador do Piauí, Rafael Fonteles. Na Bahia e no Ceará, Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas, respectivamente, enfrentam desgastes e seu antecessores — Rui Costa e Camilo Santana — foram escalados por Lula a reforçarem as campanhas para não haver risco de a legenda perder o comando dos dois estados mais populosos do Nordeste.
O cenário mais delicado ocorre no Rio Grande do Norte, onde Fátima Bezerra, que enfrenta alta desaprovação, abdicou de disputar o Senado após romper com o vice, Walter Alves (MDB), que desistiu de assumir o governo em caso de renúncia da governadora. O PT escalou o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, para disputar o governo do Estado.
Além dos estados que já comanda, o PT deve centrar esforços em São Paulo. O maior colégio eleitoral do país terá o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como nome para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ainda que considere a vitória improvável, a legenda quer ao menos repetir a votação de Lula e Haddad em 2022 — o resultado há quatro anos foi considerado decisivo para a conquista do Palácio do Planalto.
Negociações em aberto
Há ainda cenários de candidatura própria em aberto: Goiás, onde há também a chance de apoio ao ex-governador Marconi Perillo (PSDB); Maranhão, com a possibilidade de apoio ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), ou de lançamento do vice-governador Felipe Camarão (PT); e Roraima, onde a professora Antônia Pedrosa (PT) foi lançada pré-candidata, mas há chance de composição com o vice-governador Edilson Damião (União Brasil).
— É possível, desde que defenda a reeleição e tenhamos um palanque para Lula — afirma o presidente do PT em Roraima, Benedito Paulo.
Em 2002, ano em que Lula foi eleito para o Planalto pela primeira vez, a legenda chegou a ter 24 postulantes a Executivos estaduais. O número oscilou ao longo das disputas, sempre influenciado pela estratégia traçada para a corrida presidencial, que guia a linha política adotada pelo PT. Em 2022, foram 13 nomes petistas. A sigla apresentou seu menor número de candidatos em 2010, com dez. Na ocasião, embalado pela popularidade em alta de Lula, o PT montou uma aliança de dez partidos em torno da candidatura de Dilma Rousseff.
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