Panorama gaúcho é similar ao do Paraná, onde o também pessedista Ratinho Junior desistiu de disputar o Planalto pela sigla para focar na corrida local.
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Correndo por fora na disputa dentro do PSD pela candidatura do partido ao Planalto, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também enfrenta um cenário adverso para fazer o seu sucessor no estado.
O nome definido foi o do atual vice, Gabriel de Souza (MDB), que possui a forte concorrência do deputado federal bolsonarista Luciano Zucco (PL) e, à esquerda, dos ex-deputados estaduais Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT) — todos aparecem com vantagem sobre Souza nas pesquisas de intenção de voto.
Enquanto tenta viabilizar o aliado, Leite reuniu-se nesta quarta-feira com Gilberto Kassab, presidente do PSD, e ouviu que tanto ele quanto o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tido como favorito, seguem cotados para enfrentar Lula (PT) em outubro.
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Caso supere Caiado nas prévias informais, Leite precisaria deixar o Executivo gaúcho até o prazo máximo de desincompatibilização, estipulado para 4 de abril. A definição faria com que o vice assumisse o governo a seis meses do pleito, o que lhe permitiria ampliar a capilaridade no estado e buscar consolidar costuras de olho em uma candidatura mais forte à reeleição.
Ao chegar ontem a São Paulo para o encontro com Kassab, no entanto, Leite sinalizou que só renunciará se for para concorrer à Presidência, o que impacta nas estratégias de Gabriel de Souza:
— Se eu vou deixar o meu mandato é para algo maior, que é concorrer a presidente da República em um contexto que o Brasil precisa de uma alternativa. Se não houver essa possibilidade, permaneço no cargo até o final.
O panorama gaúcho é similar ao do Paraná, onde o também pessedista Ratinho Junior desistiu de disputar o Planalto pela sigla para focar na corrida local. Com a gestão bem avaliada, mas sem bater o martelo sobre o escolhido para sucedê-lo, o governador paranaense optou por terminar o mandato com o intuito de frear o avanço da pré-candidatura do ex-juiz e senador Sergio Moro, que se filiou ao PL para ser o palanque no estado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua campanha à Presidência da República.
No Rio Grande do Sul, Flávio estará ao lado de Zucco, que busca formar uma chapa ampla da direita no estado. Além dos partidos Novo e Podemos, o deputado recebeu o apoio formal do Republicanos no início deste mês e, nas últimas semanas, também conseguiu atrair para sua composição o PP. O partido abriu mão de uma candidatura própria com a previsão de que indicará um vice para a chapa, cotada para ser a deputada estadual Silvana Covatti.
— Mais do que uma aliança, formamos uma união em torno de um projeto de coragem e atitude para retomar o protagonismo que o Rio Grande vem perdendo a cada ano — disse Zucco, na última segunda-feira, após se reunir pela primeira vez com os presidentes dos diretórios locais das siglas aliadas.
Sem vitória antecipada
Entre os governadores presidenciáveis do PSD, Leite foi o único que precisou levar sua reeleição ao segundo turno. Enquanto Ratinho venceu com 69,6% dos votos e Caiado obteve 51,8%, Leite chegou a perder o primeiro turno para Onyx Lorenzoni, também do PL, que marcou 37,5% contra 26,8% do rival.
No segundo turno, contudo, Leite conquistou a vitória com 57,1%. Três anos depois, pesquisa Genial/Quaest de meados de 2025 mostrou que 54% dos eleitores gaúchos acreditavam que o governador não “merecia” eleger seu sucessor. Outro levantamento, de agosto, reforçou o quadro adverso: com apenas 5% das intenções de voto para governador, Gabriel de Souza apareceu atrás de Zucco (20%) e Brizola (21%), e empatado no limite da margem de erro com Pretto (11%).
Com dois nomes competitivos, a esquerda registra uma disputa pelo endosso de Lula, como pleiteiam tanto Brizola quanto Pretto. No mês passado, como mostrou o colunista do GLOBO Bernardo Mello Franco, a pré-candidata pelo PDT se reuniu com o presidente no Planalto, ao lado do comandante nacional da sigla, Carlos Lupi, para pedir apoio e oferecer a vice para petistas.
Como apontou reportagem do GLOBO, Leite chegou a indicar a aliados que poderia disputar uma vaga ao Senado. A corrida para o Congresso Nacional, contudo, também se mostra apertada, com duas chapas já bem definidas entre bolsonaristas e nomes da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que polarizam as pesquisas de intenção de voto. Enquanto a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (Psol) e o deputado Paulo Pimenta (PT) devem sair ao Senado no lado governista, e os deputados federais Marcel Van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL) caminharão com Zucco.
‘Saio muito animado’
Caso Eduardo Leite de fato permaneça no governo até dezembro, Gabriel de Souza poderá ter na chapa o ex-governador Germano Rigotto (MDB), seu correligionário, que já se dispôs a concorrer ao Senado. No entanto, apesar de sua relevância no estado, Rigotto está sem mandato desde 2007, o que pode ser mais um entrave às pretensões do grupo político de Leite.
O encontro desta quarta-feira entre Kassab e Leite ocorreu um dia após o presidente do PSD reunir-se com Ronaldo Caiado. A cúpula pessedista afunilou sua escolha entre os dois mandatários estaduais e busca um consenso para evitar desgastes internos. Ao detalhar o processo de escolha, Kassab elogiou o capital político dos dois governadores que restaram na mesa e informou que a definição sairá até a próxima terça-feira.
— Eu não diria que o PSD é a terceira via. O Brasil precisa de uma alternativa. Não é possível que a gente tenha só duas candidaturas que já tiveram essa oportunidade e que não deram para o Brasil as respostas que o país precisava. Mais uma vez o governador Eduardo Leite deixou clara a sua disposição de colocar o seu nome para ser examinado pelo partido. Isso é muito positivo. É um partido que tem dois quadros com essa dimensão e aprovação em seus estados — declarou Kassab.
O mandatário gaúcho, por sua vez, buscou afastar a narrativa de que estaria escanteado na disputa com Caiado:
— Quero deixar claro que saio muito animado da conversa com o presidente Kassab, no sentido de que está reafirmada não só a disposição como a determinação do PSD de ter candidatura. Um partido que, ao longo desses 15 anos, teve a habilidade de reunir lideranças políticas diversas, boas cabeças que querem pensar o país. (Colaborou Filipe Vidon)
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