4 de março de 2026

​Abastecer o carro pesou menos no orçamento das famílias em 2025 

Monitor de Preço de Combustível mostra que o comprometimento da renda com  combustível caiu de 6%, registrados no final de 2024, para 5,7% no final do ano passado
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Encher o tanque do carro pesou menos no orçamento das famílias no fim de 2025. Isso é o que mostra o Monitor de Preço de Combustível, elaborado pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O estudo indicou que abastecer um tanque padrão de 55 litros com gasolina comum passou a comprometer 5,7% da renda domiciliar média nacional no quarto trimestre, abaixo dos 6,0% registrados no mesmo período de 2024.

Nas capitais, o movimento foi semelhante, com o comprometimento recuando de 4,0% para 3,8% da renda média. Os dados da pesquisa mostram que o ambiente de renda mais elevada e maior estabilidade de preços ao longo do ano melhorou o acesso ao combustível.

Ainda que oscilações internacionais do petróleo e decisões de política de preços possam alterar o quadro ao longo de 2026, o dado do quarto trimestre de 2025 levantado pela pesquisa aponta para um ganho estrutural quando comparado ao ano anterior, especialmente porque está associado à evolução da renda, e não apenas à queda pontual de preços.

O indicador cruza dados de renda domiciliar apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) com o custo médio do abastecimento. A metodologia considera um tanque de 55 litros, próximo à capacidade média dos veículos de passeio no país, permitindo comparar quanto da renda é efetivamente destinada ao consumo de gasolina.

Para o CEO da Veloe, André Turquetto, o recuo tem efeito direto sobre o consumo agregado. “Quando a família compromete menos do orçamento com combustível, há mais espaço para outras despesas e para recomposição de poupança. Ainda que os preços oscilem no curto prazo, o indicador mostra um ganho estrutural de poder de compra na comparação anual”, afirma.

Cenário macroeconômico

A melhora no indicador ocorre em um contexto de recuperação gradual da renda real das famílias ao longo de 2025, com mercado de trabalho mais resiliente e inflação mais controlada em comparação aos picos observados em anos anteriores. A desaceleração dos reajustes nos combustíveis e a menor volatilidade internacional do petróleo em 2025 também contribuíram para aliviar a pressão no orçamento.

Diferenças regionais

Mesmo assim, a fotografia nacional esconde desigualdades regionais relevantes. No Nordeste, por exemplo, abastecer consome 8,9% da renda domiciliar média, enquanto no Norte o percentual chega a 7,6%. Já nas regiões Sudeste (4,7%), Centro-Oeste (4,8%) e Sul (5,0%), o peso é significativamente menor.

A diferença é explicada sobretudo pela renda média regional. Ainda que os preços dos combustíveis variem entre estados, é a capacidade de geração de renda que determina o impacto efetivo sobre o orçamento.

Entre as unidades da federação, Acre, Maranhão, Alagoas, Ceará, Bahia e Pernambuco figuram entre os estados com menor poder de compra relativo, isto é, onde maior parcela da renda é destinada ao abastecimento, conforme o levantamento.

No extremo oposto, Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná apresentam maior acesso ao combustível, reflexo de renda média mais elevada nessas regiões e, em alguns casos, maior concorrência e logística mais eficiente.

Preços em 2026

Os dados mais recentes do informe de fevereiro de 2026 ajudam a entender essa dinâmica. No mês, os preços médios nacionais por litro ficaram em:

Gasolina comum: R$ 6,385Gasolina aditivada: R$ 6,533Etanol hidratado: R$ 4,702GNV: R$ 4,475Diesel comum: R$ 6,134Diesel S-10: R$ 6,201

Na comparação com janeiro, houve leve recuo de 0,2% tanto na gasolina comum como na aditivada e no diesel, enquanto o etanol avançou 1,5% no mês.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o etanol lidera as altas com avanço de 5,1%, seguido pela gasolina comum, com 1,7%. Já no recorte de 12 meses, apenas o etanol apresenta elevação de 5,9%, enquanto gasolina comum e diesel S-10 acumulam queda de 0,8% e 5,1% respectivamente.

Esse comportamento ajuda a explicar por que o peso do abastecimento diminuiu: além da recuperação gradual da renda real ao longo de 2025, os preços da gasolina ficaram relativamente estáveis na comparação anual.

Vantagem da gasolina sobre etanol

O informe também atualiza o Indicador de Custo-Benefício Flex, que relaciona os preços do etanol e da gasolina para veículos flex. Em fevereiro, o preço do etanol correspondeu a 76% do valor da gasolina na média das unidades federativas e a 76,7% nas capitais, um patamar acima da referência técnica de 70%, que tradicionalmente marca o ponto de vantagem econômica do etanol, conforme a Veloe.

Com esse distanciamento, a gasolina se consolida como opção mais vantajosa em grande parte do país, especialmente em estados do Nordeste e do Norte, onde a relação supera 80%.

Leia Mais: Diesel e gasolina caem em fevereiro, mas preços seguem elevados, diz Ticket Log

Efeito multiplicador

Do ponto de vista macroeconômico, a redução do peso do combustível no orçamento tem efeito multiplicador. Isso porque o gasto é classificado como despesa essencial e relativamente inelástica, ou seja, a família dificilmente deixa de abastecer. Quando essa despesa ocupa fatia menor da renda, abre-se espaço para consumo discricionário, como serviços, lazer e bens duráveis.

Em um país com forte dependência do transporte rodoviário e alta utilização de veículos particulares nas grandes cidades, o custo do combustível funciona quase como um “termômetro informal” do poder de compra, conforme o estudo. A melhora no indicador, portanto, sugere ambiente mais favorável ao planejamento financeiro das famílias.

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