Hims & Hers encerra venda de versão alternativa do Wegovy após pressão da FDA e ameaças judiciais da farmacêutica dinamarquesa por imitação de medicamento
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Nesta segunda-feira (9), os papéis da Novo Nordisk se valorizavam 8% em decorrência do anúncio da Hims & Hers de suspensão das vendas de seu comprimido para perda de peso similar ao Wegovy.
A decisão da companhia de telemedicina ocorreu após pressões jurídicas da fabricante dinamarquesa e da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.
Durante o último fim de semana, a Hims & Hers comunicou o fim da comercialização da alternativa genérica, que custava US$ 49, que é um valor aproximadamente US$ 100 inferior ao praticado pela Novo Nordisk em seu canal oficial de vendas, o NovoCare.
“Desde que lançamos a pílula de semaglutida manipulada em nossa plataforma, tivemos conversas construtivas com diferentes agentes da indústria”, disse a Hims & Hers, em suas redes sociais no sábado. “Como resultado, decidimos encerrar a oferta desse tratamento. Seguimos comprometidos com os milhões de americanos que dependem de nós para ter acesso a cuidados seguros, acessíveis e personalizados”.
Quando a notícia que haveria uma versão genérica do Wegovy foi divulgada, o mercado repercutiu, o que provocou uma queda nos ativos da Novo Nordisk e de sua maior concorrente, a Eli Lilly. Paralelamente, os títulos da Hims & Hers chegaram a subir de forma expressiva, mas perderam força assim que a fabricante dinamarquesa sinalizou que levaria o caso à justiça.
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Já no início desta manhã, as ações da Novo Nordisk subiam 8,2%, apesar de ainda terem sofrido uma desvalorização de 50% em 12 meses. Hims & Hers operava na outra ponta, com uma queda de 13,6% antes da abertura oficial do mercado, enquanto a Eli Lilly registrava um recuo de 2,4%.
O desempenho negativo acumulado pela Novo é reflexo, entre outros fatores, do acirramento da disputa comercial com rivais do porte da Eli Lilly e do avanço de plataformas de saúde digital como a Hims & Hers.
Brecha na legislação
A Hims & Hers alcançou ganhos expressivos ao comercializar as variantes manipuladas e injetáveis da semaglutida. A empresa aproveitou uma lacuna na legislação dos EUA que autoriza a venda de versões similares por terceiros sempre que os remédios de referência apresentam desabastecimento no mercado.
O princípio ativo das canetas emagrecedoras, a semaglutida, passou por períodos de falta de estoque tanto em solo americano quanto no continente europeu, fenômeno causado pela explosão na procura por terapias da classe GLP-1.
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Para contornar o problema, a Novo Nordisk investiu pesado na expansão de suas fábricas, chegando a desembolsar US$ 16,5 bilhões na aquisição da Catalent, especialista em envase. Atualmente, a farmacêutica garante que não há mais dificuldades de entrega.
Vale destacar que a apresentação do medicamento em formato de pílula, que chegou ao mercado em janeiro deste ano, não apresentou qualquer registro de escassez até o momento.
A FDA comunicou na sexta-feira (6) que planeja implementar “medidas decisivas” para limitar a atuação de farmácias de manipulação, o que atinge diretamente a Hims & Hers.
“Essas ações buscam proteger os consumidores de medicamentos cuja qualidade, segurança ou eficácia a FDA não consegue verificar”, disse a agência, em nota.
É importante ressaltar que a semaglutida oferecida pela Hims não possui o selo de aprovação da FDA. Além das restrições de venda, o órgão regulador informou que vai endurecer o monitoramento sobre campanhas publicitárias que possam induzir o público ao erro.
“Nos materiais promocionais, as empresas não podem afirmar que produtos manipulados e não aprovados pela FDA são versões genéricas ou equivalentes a medicamentos autorizados pela agência”, afirmou a reguladora.
A Novo Nordisk divulgou, na última quinta, que pretende tomar medidas legais contra a Hims.
“A conduta da Hims & Hers configura manipulação em escala industrial e representa um risco significativo à segurança dos pacientes”, disse a companhia, em nota. “Este é mais um exemplo do histórico da Hims & Hers de enganar o público americano com produtos GLP-1 imitadores, algo sobre o qual a FDA já havia alertado anteriormente em razão de publicidade enganosa”.
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