23 de março de 2026

​Ações da Oncoclínicas saltam 30% após Fleury aderir a acordo estratégico com Porto 

Papéis da Oncoclínicas lideram altas no setor de saúde com alívio financeiro via NewCo; ativos de Fleury e Porto Seguro também operam em terreno positivo nesta segunda-feira
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O Grupo Fleury (FLRY3) anunciou nesta segunda-feira (23) sua adesão ao termo de compromisso originalmente firmado entre a Porto Seguro (PSSA3) e a Oncoclínicas (ONCO3). Em resposta, as ações de todas as companhias sobem, especialmente os papéis da Oncoclínicas, com +30,77%, a R$ 2,04, às 12h30 (horário de Brasília)

A estrutura propõe a criação de uma nova empresa, chamada de NewCo, que pretende absorver as clínicas de oncologia da Oncoclínicas, além de uma parcela de suas dívidas limitada a R$ 2,5 bilhões. 

O Fleury e a Porto investirão conjuntamente R$ 500 milhões via uma holding que controla essa nova operação. Além disso, podem ser emitidos até R$ 2,5 bilhões em debêntures conversíveis em ações.

Harold Takahashi, sócio da Fortezza Partners, afirmou que a entrada do Fleury resolve a principal dúvida do mercado sobre como a Porto Seguro operaria um negócio de R$ 1 bilhão sem histórico prévio no setor. Segundo o especialista, a transação representa um “golaço” estratégico ao unir o aporte de capital e o direcionamento de clientes da Porto à expertise operacional e gestão do Fleury. “Finalmente o deal passa a fazer mais sentido do lado da Porto”, disse Takahashi.

Para o mercado, o movimento reforça a estratégia do Fleury de avançar em segmentos de maior complexidade, mas traz incertezas sobre a estrutura final de capital. “Vemos a transação como estrategicamente consistente com o avanço contínuo da companhia em oncologia”, afirmou o relatório do JPMorgan.

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Já o Bradesco BBI classificou o anúncio como positivo para a Oncoclínicas, pois “fortalece a reputação médica da empresa e o conhecimento de negócio para gerir a empresa”, disse o banco. O negócio ainda depende de uma due diligence de 30 dias e aprovações regulatórias.

Sinergias

A expertise do Fleury em serviços ambulatoriais é o pilar central da nova estrutura. “O Fleury entrando como executor e assumindo a prestação de serviço encaixa muito bem”, explicou Takahashi. Segundo o especialista, o Fleury traz o conhecimento de atendimento e relacionamento médico, enquanto a Porto, como fonte pagadora, consegue direcionar o uso da rede com eficiência.

Para o Fleury, o aporte representa cerca de 6% do seu valor de mercado ou 20% da sua posição de caixa. Em relatório, os analistas do Itaú BBA pontuaram que a transação parece consistente com a ambição da empresa de expandir para áreas de crescimento mais rápido, mas ressaltou que “a potencial migração das clínicas para a NewCo poderia exigir novos acordos de credenciamento com operadoras de saúde”, disse o documento.

Do lado da Porto Seguro, a entrada do Fleury como parceiro operacional foi vista como um redutor de riscos. Segundo o JPMorgan, a inclusão do Fleury, “reduz o risco de execução e a intensidade de capital” para a Porto, tornando o aporte de cerca de R$ 500 milhões, sendo aproximadamente 20% do caixa do Fleury, segundo os analistas. O objetivo da seguradora é garantir a estabilidade do ecossistema de saúde e fomentar a concorrência em um setor cada vez mais consolidado.

Alívio para Oncoclínicas

Para a Oncoclínicas, o foco é a sobrevivência financeira através da segregação de ativos. A transferência de 87% da sua dívida líquida para a NewCo alivia a pressão de liquidez, mas deixa dúvidas sobre o valor residual da empresa mãe. 

“A transação permanece primariamente uma reestruturação baseada em balanço patrimonial, com o valor do equity altamente sensível ao perímetro final de passivos”, ressaltam os analistas do JPMorgan.

Um ponto determinante para o fechamento do negócio será a postura dos detentores da dívida atual. “Os credores da Oncoclínicas precisam aprovar essa transação, caso contrário, o deal não vai para frente”, alertou Takahashi. 

O Itaú BBA também demonstrou cautela sobre os números finais, observando que “ainda não sabemos quanto do EBITDA será transferido para a NewCo”, o que dificulta a projeção do lucro por ação (EPS) futuro das companhias envolvidas.

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