Estratégia vem sendo adotada por integrantes do governo, petistas e demais aliados para blindar presidente
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Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciaram uma estratégia para conter os danos do desgaste gerado pelo filho Fabio Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a respeito das suspeitas de envolvimento com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O lobista é um dos principais investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias.
A linha política adotada com aval do governo é comparar a conduta de Lula ao ter o primogênito investigado, ao do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi alvo da apuração das rachadinhas. A diretriz vem sendo adotada por integrantes do governo, petistas e demais aliados.
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Um dos vídeos, feito pelo Prerrogativas, grupo de juristas próximos a Lula, abre com o questionamento: “Sabe qual a diferença entre o líder de um país e o líder de uma quadrilha?” A gravação de um minuto e meio mescla recortes de cenas de Lula e Bolsonaro tratando de investigações da Polícia Federal dos seus respectivos filhos:
— Ninguém ficará livre, se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado — diz Lula em um trecho — Olhei no olho do meu filho e falei: só você sabe a verdade, se você tiver alguma coisa, vá pagar o preço de ter alguma coisa, se você não tiver, se defenda. Porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade — afirma o presidente em outro recorte.
Já o trecho sobre Bolsonaro lembra da reunião ministerial de abril de 2020 em que o ex-presidente afirmou que não ia “esperar foder” toda sua família para trocar a chefia de cargos estratégicos da Polícia Federal. O vídeo integrou o inquérito que investigou suposta interferência de Bolsonaro na PF.
— Não vou esperar foder minha família toda de sacanagens ou amigos meus, porque não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha. Vai trocar. Se não puder trocar, troca o chefe dele, se não puder trocar o chefe, troca o ministro.
O avanço das investigações tem preocupado o Palácio do Planalto, que calcula eventuais danos eleitorais à imagem de Lula. A apuração de suspeitas de ligações do Lulinha com personagens das fraudes no INSS é a principal aposta da oposição para desgastar o presidente.
Documentos em análise pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS mostram que Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos em uma conta. Nos registros, constam três transferências feitas por Lula, somando R$ 721,3 mil. A defesa do filho do presidente nega qualquer irregularidade.
Para enfrentar a artilharia bolsonarista, aliados de Lula têm usado discurso de “transparência total” quanto às contas de Lulinha e comparado com as mudanças feitas por Bolsonaro na PF: com a troca de diretores e o constrangimento ao então ministro da Justiça Sérgio Moro.
Integrante do grupo de defesa de Fábio Luís, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que o filho do presidente ofereceu mostrar suas contas antes mesmo do pedido de quebra de sigilo do INSS e aponta que sua movimentação financeira não tem qualquer relação com a fraude no instituto.
— Se Lulinha foi um problema, ele deixou de ser e passou a ser um ativo. Vamos explicar absolutamente tudo, inclusive por orientação do presidente Lula, que confia no seu filho e na inocência dele. Vamos dirimir qualquer dúvida. Lula só quer que o filho se explique — afirma Marco Aurélio de Carvalho.
O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, vocalizou em público a estratégia na última quinta-feira durante evento em Teresina (PI):
—Sabe qual a diferença do Lula para o antecessor que hoje está preso na Papuda? Quando o filho do Lula foi citado em uma investigação, o presidente chegou e disse: “investiga”. Quando o filho do Bolsonaro, que agora é candidato a presidente, quando estava sendo investigado com associação com a milícia e rachadinha, disse que ia trocar o diretor da PF e se preciso até o ministro (da Justiça).
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