11 de fevereiro de 2026

​Ambev: analistas veem pouco espaço para surpresas positivas no balanço no 4º tri 

Bancos seguem cauteloso em relação aos lucros neste ano
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Os dados mais recentes do setor de bebidas no Brasil corroboram a expectativa de continuidade da queda de volumes no portfólio de cervejas da Ambev (ABEV3) no Brasil no quarto trimestre.

O índice de produção industrial (PIM) do IBGE recuou 5% na comparação anual em dezembro; a concorrente focada em valor Grupo Petrópolis praticamente dobrou os preços na base mensal, o que resultou em uma forte queda de 22% nos volumes em dezembro frente a um ano antes; e a engarrafadora da Coca-Cola Andina reportou demanda de refrigerantes em dois dígitos em dezembro, apoiada por melhores condições climáticas.

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No geral, o Goldman Sachs acredita que as expectativas do mercado para uma retração de 3% a 4% ano a ano nos volumes de cerveja da Ambev no Brasil já estão bem precificadas. Com risco limitado para as projeções de volume e potencial surpresa positiva vinda de preços e/ou de eventuais comentários prospectivos sobre o custo de caixa dos produtos vendidos (cash COGS) em 2026, o banco vê pouca assimetria antes da divulgação dos resultados da companhia.

“No médio prazo, seguimos enxergando um descompasso entre valuation e crescimento, o que sustenta nossa recomendação de venda para as ações da Ambev”, comenta Goldman Sachs. A cervejaria divulgará seus resultados antes da abertura do mercado em 12 de fevereiro.

O Goldman Sachs manteve recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 11,30.

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Já o Itaú BBA espera resultados fracos da Ambev no 4T25, com uma dinâmica de volumes melhor do que o temido em Cerveja Brasil. O banco prevê um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado de R$ 8,4 bilhões, o que, em sua visão, está relativamente alinhado com a percepção atual do lado comprador.

Embora a projeção de queda de 3% ano a ano nos volumes do segmento Cerveja Brasil pareça estar no topo do consenso (que varia de -3% a -5%), o BBA enxerga poucos fatores que possam alterar de forma relevante a percepção do mercado sobre a companhia. A combinação de tendências macroeconômicas desfavoráveis e condições climáticas que afetaram as unidades no Brasil já era esperada para o trimestre e deve melhorar em 2026 (especialmente no 2T26 e 3T26), enquanto as operações internacionais devem apresentar um 4T25 sem grandes eventos.

Diante disso, o BBA vê investidores locais abordando com cautela o múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) de cerca de 15 vezes para 2026 da Ambev, com as principais incertezas vindo dos fluxos de capital estrangeiro na Bolsa brasileira e de eventuais efeitos de transbordamento para nomes líquidos como a própria Ambev.

O banco manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 14.

O Bradesco BBI também segue cauteloso em relação aos lucros de 2026. A casa afirma que ainda não está convencida de que o poder de precificação tenha sido totalmente restabelecido em Cerveja Brasil, o que pode manter as margens sob pressão, já que espera um aumento de 5,7% ano a ano no custo caixa dos produtos vendidos por hectolitro (cash COGS/hl) e retomada do crescimento das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A). As demais divisões devem ajudar a compensar esse efeito no consolidado, mas, na visão do banco, com potencial de alta limitado.

O Bradesco BBI projeta crescimento de volumes consolidados de 2,5% em 2026 (Cerveja Brasil +2,6%), EBITDA de R$ 30,1 bilhões (+4% na comparação anual) e lucro líquido ajustado de R$ 14,8 bilhões (+6%). As estimativas de EBITDA e lucro líquido da casa estão, respectivamente, 1% e 7% abaixo do consenso.

Com o crescimento deixando de ser claramente o principal vetor, a avaliação relativa passa a ter maior peso para a ação, e o banco não vê isso como um gatilho positivo. Segundo estimativas, a Ambev negocia a 14,8 vezes lucro projetado para 2026, com um desconto mais estreito de 7% em relação à AB InBev (ABI), ante uma média de cerca de 20% nos últimos três anos, e um prêmio de 16% frente às cervejarias globais.

Dessa forma, o Bradesco BBI acredita que valuation e momento dos resultados podem se tornar ventos contrários para o desempenho das ações da Ambev à frente e manteve sua recomendação neutra.

Para a XP Investimentos, os resultados da Ambev devem seguir impactados pelo menor volume de vendas, pressão de custos e clima mais frio ao longo do trimestre

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