5 de março de 2026

​Apesar da guerra, juros futuros caem no Brasil após forte alta na véspera 

DIs registram alívio com recuo do dólar e rumores de negociações secretas entre Washington e Teerã, enquanto mercado financeiro calibra apostas para próximo corte da Selic
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SÃO PAULO, 4 Mar (Reuters) – Após a forte ⁠pressão de alta da véspera, as taxas dos DIs fecharam a ⁠quarta-feira em baixa no Brasil, em um dia de relativo alívio nos mercados globais, ainda ‌que a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã siga em curso.

Com o dólar em queda firme ante o real, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,78% no ‌fim da tarde, em baixa 9 pontos-base ante o ajuste de 12,871% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,445%, com recuo de 10 pontos-base ante 13,549%.

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Na terça-feira, na esteira da busca global por ativos mais seguros, as taxas futuras dispararam no Brasil, com investidores elevando as apostas de que o Banco Central cortará a taxa básica Selic — hoje em ⁠15% — ‌em 25 pontos-base este mês, e não em 50 pontos-base.

O conflito no Oriente Médio, iniciado no sábado, ⁠continuou nesta quarta-feira. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o país está vencendo a guerra e que pode lutar pelo tempo que for necessário.

Do lado iraniano, reportagem da Reuters informou que a Guarda Revolucionária reforçou seu controle sobre as decisões no cenário de guerra, impulsionando a estratégia linha-dura que está por trás da campanha de drones e mísseis de ​Teerã em toda a região.

Apesar de as operações militares de EUA e Israel contra o Irã seguirem em curso, os investidores também se apegaram a notícia de que agentes iranianos entraram ​em contato secretamente com os norte-americanos para buscar negociações para encerrar o conflito — mas as autoridades norte-americanas seguiram céticas quanto à possibilidade de o governo Trump ou o Irã estarem preparados para uma redução do conflito no curto prazo.

“Os mercados estão tão sensibilizados que qualquer notícia positiva pode trazer uma pressão compradora (de ativos de maior risco), porque houve uma pressão vendedora muito forte”, comentou durante a tarde ‌o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research. “Mas do ponto de vista ​prático, nada mudou (em relação à guerra).”

No Brasil, isso se traduziu na alta da bolsa, na queda do dólar ante o real e na baixa firme das taxas dos DIs. Na mínima do dia, às 13h03, a taxa do DI para janeiro ⁠de 2028 marcou 12,760%, em queda de ​11 pontos-base ante o ​ajuste anterior.

No mercado, os agentes também seguiram divididos sobre qual será o tamanho do corte da taxa básica Selic, hoje em 15%, ⁠na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) ​do Banco Central: 25 ou 50 pontos-base.

“Ficou ‘caro’ para o BC começar o ciclo de baixas com um corte de 50”, opinou Spiess, citando os últimos dados de inflação, acima do esperado, e os efeitos da guerra no Oriente ​Médio. “O BC pode de fato cortar 50 pontos-base, mas se foi tão cauteloso até agora, ele vai mudar?”

No exterior, os rendimentos dos Treasuries sustentaram altas ao longo de todo ​o dia, em meio à ⁠menor demanda por proteção nos títulos norte-americanos e às preocupações com os efeitos inflacionários da guerra. Às 16h31, o rendimento do Treasury de ⁠dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 2 pontos-base, a 4,077%.

No noticiário brasileiro, sem efeitos sobre a curva, o destaque foi a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e também teve como alvos o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana. Souza foi afastado do BC e precisará usar tornozeleira ​eletrônica.

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