10 de fevereiro de 2026

​Após alta de “gigantes”, rotação para small caps está mais perto de acontecer na B3 

Analistas veem desempenho mais democrático entre as ações brasileiras
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O ano de 2026 começou com o Brasil no centro do mapa dos investidores globais. Em relatório a clientes, o Santander destaca que ações, câmbio e fluxos de capital pintam um quadro “claramente construtivo” para os ativos locais, em um movimento que combina juros ainda elevados, perspectiva de cortes à frente e forte apetite estrangeiro por risco.

O Ibovespa encostou em máximas históricas na virada de janeiro e, para o banco, o Brasil se consolidou como uma das histórias de bolsa mais atraentes dentro do universo de mercados emergentes.

Mais do que o nível do índice, o que chama a atenção é a amplitude do rali. Segundo o Santander, 82% das ações da B3 já operam acima da média móvel de 200 dias, sinal de que a alta está mais “democrática” e deixou de se concentrar em poucos nomes grandes. Small caps e mid caps começaram a ganhar tração, em linha com um movimento global em que empresas menores passaram a superar as grandes desde o início do ano.

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Mesmo assim, o banco lembra que esse universo ainda carrega atraso relevante no acumulado de vários anos e segue bem abaixo dos picos de ciclos anteriores. Historicamente, esse tipo de papel tende a ficar para trás em fases iniciais de rali, dominadas por fluxo passivo e compras em grandes índices, e só passa a liderar quando a alocação ativa aumenta e o ciclo doméstico melhora.

Dólar em queda, estrangeiro em peso

O câmbio é hoje uma das expressões mais visíveis dessa mudança de humor. O dólar caiu para perto de R$ 5,25, no menor nível desde meados de 2025, acumulando valorização de cerca de 4% para o real só em janeiro. Juros reais elevados, preços de commodities ainda firmes e maior previsibilidade de política econômica mantêm o Brasil no radar dos grandes fundos globais.

Os números de fluxo mostram isso: R$ 26,3 bilhões de capital estrangeiro entraram na Bolsa brasileira em janeiro, mais do que todo o volume de 2025. Esse ímpeto foi suficiente para compensar as saídas dos investidores locais e se tornou o principal motor dos preços.

Por enquanto, porém, o estrangeiro segue concentrado em blue chips e nomes pesados de índice, o que explica a liderança das grandes empresas. O Santander ressalta que, em ciclos anteriores, quando os fluxos atingiram essa magnitude e o ciclo de juros virou, houve rotação para empresas menores, mais ligadas à economia doméstica e mais sensíveis à queda de juros e à melhora das expectativas de crescimento.

Na avaliação do banco, o mercado brasileiro pode estar justamente nesse ponto de transição: saindo de uma primeira fase, puxada por câmbio, valuation e fluxo passivo, para uma segunda etapa em que fundamentos, seletividade e ciclicidade doméstica ganham peso maior.

Rali forte, mas espaço para realização de curto prazo

O relatório ressalta que o momentum da bolsa segue positivo e a melhora da amplitude – com mais ações participando da alta – é um sinal saudável. Ao mesmo tempo, o ritmo acelerado do rali em janeiro aumenta a probabilidade de uma correção ou consolidação de curto prazo, vista como “normal e até construtiva” depois de um começo de ano tão forte.

Na visão do Santander, os riscos mais relevantes não estão em uma realização técnica, mas em eventuais choques na narrativa macro:

uma nova rodada de pressão inflacionária,desaceleração brusca do crescimento global,ou uma mudança abrupta nas expectativas sobre a política monetária dos EUA.

O banco também aponta que o segmento de commodities começa a ficar “congestionado”, com posição comprada elevada, o que tornaria qualquer correção um teste importante para o humor dos investidores.

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