24 de março de 2026

​Após leilão histórico de energia, como ficam Eneva e Copel? Bancos revisam projeções 

BBI vê mais alta para ações da Eneva, enquanto Goldman elevou preço-alvo para CPLE3 e ENEV3
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Na última semana, o Brasil negociou 19 gigawatts (GW) em novos contratos para usinas termelétricas e hidrelétricas com o leilão de reserva de capacidade (LRCAP), sendo a maior contratação já realizada pelo setor elétrico do país e tendo Eneva (ENEV3) e Copel (CPLE3) como as maiores beneficiárias.

A Eneva incluiu dois clusters greenfield de termelétricas a gás, infraestrutura associada, ativos existentes e um plano de investimentos estimado em R$ 18,2 bilhões.

Na avaliação do BBI, o ponto mais relevante é a possibilidade de isenção tributária sobre a receita fixa dos projetos, decorrente da transição para o novo CBS/IBS a partir de 2027, substituindo o PIS/Cofins para ativos que já são isentos.

A eventual confirmação desse entendimento geraria um impacto positivo de R$ 3,7 bilhões em NPV (R$ 2,10/ação, aproximadamente 8% do valor de mercado). Por outro lado, a entrada prevista de parceiros minoritários — até 30% no hub do Ceará e até 49% nos ativos do Sudeste — reduz parte desse ganho, em aproximadamente R$ 3,3 bilhões.

O BBI também ajustou o capex (investimentos) projetado para R$ 16,8 bilhões, excluindo R$ 1,4 bilhão já desembolsado. As margens esperadas variam entre 65% e 85%, em linha com estimativas anteriores. Adicionalmente, o banco identifica potenciais motivos para valorização não precificados: capacidade excedente em um dos novos terminais de GNL, que pode gerar receitas de venda de gás a terceiros, e despacho incremental de usinas como Parna I e III, que possuem CVU elevado (R$ 800/MWh), ampliando a margem frente ao menor custo de gás próprio.

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Com base nos ajustes de modelagem e nas hipóteses mais atualizadas, estima um valor justo de R$ 32,00/ação para o fim de 2026 ante valor prévio de R$ 26, implicando upside (potencial de valorização) de 26% e uma taxa interna de retorno real (TIR) de 11,8% — cerca de 3,4 pp (pontos percentuais) acima da NTN B longa. Mesmo em um cenário mais conservador, assumindo pagamento de tributos sobre vendas, o valor justo permaneceria atrativo, em R$ 30,00/ação, com potencial de valorização próximo de 20%.

“Ressaltamos que nossa avaliação não incorpora o potencial adicional de receita proveniente da comercialização de gás nem do provável despacho incremental das usinas Parna I e III, que podem adicionar valor, mas não alteram substancialmente a ordem de grandeza do upside”, apontam os analistas.

O BBI entende que o mercado ainda não reflete plenamente os efeitos combinados do desenho regulatório, da eficiência operacional e da capacidade competitiva da Eneva nos projetos contratados no LRCAP. “Assim, mantemos uma visão positiva, sustentada pelo perfil de retorno robusto, pela disciplina de execução e pelo conjunto de catalisadores potenciais ainda não precificados”, aponta.

O Goldman Sachs, por sua vez, elevou o preço-alvo para Eneva, passando de R$ 25 para R$ 30, com recomendação de compra.

O banco incorporou os polos Ceará/Sudeste em seus modelos, assumindo uma margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) fixa de 80%/70%, em linha com o ponto médio da projeção fornecida, incentivos fiscais da Sudene para o projeto Ceará e um capex total greenfield (incluindo Celse 2) de R$ 18,2 bilhões, dos quais R$ 1,4 bilhão já foram investidos.

“Mantemos nossa recomendação de compra para a Eneva, pois consideramos a empresa uma alocadora de capital de primeira linha, com um portfólio de geração de energia flexível e bem posicionado, em um contexto de crescente demanda por capacidade térmica do sistema”, apontou.

Já a Copel teve o preço-alvo de R$ 14 para R$ 17 pelo Goldman, com a recomendação de compra sendo mantida.

A  Copel contratou 1,86 GW em projetos hidrelétricos greenfield —expansões de FDA e Segredo —com geração potencial de valor estimada em R$ 5,7 bilhões.

“Mantemos nossa recomendação de compra para as ações da Copel, pois acreditamos que a empresa está preparada para oferecer uma combinação positiva de aumento da remuneração dos acionistas com oportunidades de crescimento seletivo com valor presente líquido positivo”, avalia o Goldman.

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