Migração partidária de favorito do petista para concorrer ao governo deve ser formalizada ainda nesta quarta
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Próximo do fim da janela partidária e do término do prazo de desincompatibilização, a esquerda e a direita atuam para organizar o tabuleiro de candidaturas estaduais em Minas Gerais, até então indefinido. De um lado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD), preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao governo, está prestes a anunciar a sua migração do PSD para o PSB. Do outro, o PL atua para testar a viabilidade de uma candidatura própria encabeçada pelo empresário Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do estado (Fiemg), que se filiou na terça-feira ao partido.
No campo próximo a Lula, a filiação de Pacheco ao PSB está prevista para ser formalizada entre esta quarta e quinta-feira, a depender da disponibilidade nas agendas do senador e de integrantes da cúpula da sigla. A decisão do parlamentar pelo partido foi precedida pela filiação de uma série de seus aliados à legenda nas últimas semanas. Antes disso, Pacheco chegou a receber convites para outras duas legendas, mas, de acordo com interlocutores, concluiu que o PSB foi o único a oferecer “a casa arrumada” para recebê-lo, sem acumular divergências internas.
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Entre as siglas que chegaram a ser consideradas, o União Brasil, por articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), trocou o comando do diretório estadual e colocou no cargo um dos aliados de Pacheco, o deputado federal Rodrigo de Castro (União-MG). Parte dos integrantes da federação entre o partido e o PP, no entanto, tem defendido que o grupo fique ao lado do atual governador, Mateus Simões (PSD), escolhido como sucessor de Romeu Zema (Novo). Pré-candidato ao governo, Simões terá em sua chapa o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) como candidato ao Senado.
Outro partido que chegou a ser considerado foi o MDB, que posteriormente foi deixado de lado por Pacheco por já ter o ex-presidente da Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) como pré-candidato.
A ida para o PSB foi comunicada a Lula, que também anunciou na terça-feira que manterá Geraldo Alckmin (PSB) na vaga para a vice-presidência. Na nova sigla, aliados argumentam que Pacheco terá tempo para decidir se disputará o governo, com um anúncio de uma eventual candidatura previsto para um período próximo das convenções partidárias, a partir de julho.
Pelas redes sociais, o senador sinalizou na terça-feira — pela primeira vez publicamente — que pode aceitar a “convocação” para se lançar candidato ao compartilhar um vídeo publicado pela pré-candidata ao Senado Marília Campos (PT). Ex-prefeita de Contagem, Marília divulgou imagens de um ato na cidade mineira em que o público dizia “Rodrigo Pacheco, vem”. A replicação do post foi minimizada por interlocutores do parlamentar, que afirmaram que a atitude foi apenas um gesto à Marília.
Direita dividida
Já o PL filiou na terça-feira o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, cotado para uma possível candidatura ao governo mineiro e citado nas anotações vazadas do senador Flávio Bolsonaro (PL). O empresário foi recebido em um evento na sede do partido em Brasília, na presença do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) não compareceu por motivo de saúde na família.
Junto da filiação, Roscoe anunciou que deixará o comando da entidade. Ainda não foi decidido se o empresário irá concorrer ao governo de Minas ou se será indicado a vice em outra chapa. A sigla discute se lança candidatura própria, se apoia Simões ou se fecha aliança com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
— Se o PL entender por bem que devo participar dessa ou daquela missão, estarei disponível — afirmou na terça-feira o empresário.
Roscoe é visto como uma alternativa para manter o partido no controle do palanque no estado, seja como candidato ao governo ou como nome para compor uma chapa — especialmente na hipótese de acordo com Cleitinho.
O empresário ganhou força por ser tratado como um outsider. A leitura é que o perfil pode ajudar a ampliar o alcance da direita para além do núcleo político tradicional, dialogando com o setor produtivo e com eleitores menos vinculados a partidos. Além disso, dirigentes avaliam que ele reduz desgastes entre as diferentes alas do PL em Minas, que hoje estão divididas sobre o melhor caminho eleitoral — uma aliança com Cleitinho, por exemplo, divide o partido.
A definição sobre o papel de Roscoe deve ficar para as próximas semanas. Procurado pelo GLOBO, Cleitinho se disse aberto à possibilidade de tê-lo como vice, mas negou articulações.
— Ainda não me procuraram, mas vamos conversar — afirmou.
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