Por anos, a empresa só licenciou projetos de chips para outras companhias; agora, planeja vender seus próprios processadores para data centers de inteligência artificial
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SAN FRANCISCO — A Arm Holdings licencia tecnologia para projetistas de semicondutores que alimenta praticamente todos os celulares do mundo e muitos outros produtos. Agora, a empresa tem um chip próprio para vender.
A companhia, que é uma unidade britânica do grupo japonês SoftBank, anunciou nesta terça-feira os planos para o primeiro produto de silício que a Arm vai projetar e comercializar desde sua fundação, em 1990. Trata-se de um microprocessador voltado a data centers que rodam tarefas de inteligência artificial.
A Meta, dona do Facebook, ajudou a desenvolver o chip e se tornou sua primeira usuária. Outros clientes iniciais incluem a OpenAI, pioneira em IA, disse a Arm.
A nova oferta marca uma mudança drástica em seu modelo de negócios. A empresa foi uma das pioneiras no conceito de vender propriedade intelectual, e não produtos físicos, cobrando taxas e royalties por chip de centenas de companhias que licenciam a arquitetura de microprocessadores da Arm — o equivalente a “plantas” para projetar chips.
Pierre Ferragu, analista da New Street Research, classificou a guinada da Arm para a venda de chips como “a mudança estratégica mais significativa da história da empresa”.
A Nvidia, que se tornou a companhia de capital aberto mais valiosa do mundo graças aos seus chips de IA, concentrou as atenções nos processadores que vende para executar tarefas especializadas de alto desempenho numérico, essenciais ao desenvolvimento de sistemas de IA.
Mas microprocessadores que cuidam de outras funções estão ganhando importância à medida que empresas de tecnologia passam a oferecer os chamados agentes de IA — tecnologias capazes de automatizar uma ampla gama de tarefas. Jensen Huang, CEO da Nvidia, previu recentemente que esse tipo de chip pode virar um negócio de vários bilhões de dólares para a empresa.
A mudança da Arm envolve o risco de irritar alguns de seus maiores licenciados, que podem se tornar ao mesmo tempo rivais e clientes. Além da Nvidia, a base de clientes da Arm inclui a Qualcomm e grandes players de IA como Amazon, Microsoft e Ampere, cujos chips são usados pela Oracle. Todas essas empresas vêm desenvolvendo chips baseados na tecnologia Arm.
Mohamed Awad, vice-presidente executivo de nuvem e IA da Arm, minimizou a ideia de que a empresa passará a competir diretamente com seus clientes. Segundo ele, o novo produto é voltado a tarefas de computação em IA que apenas alguns poucos gigantes de nuvem têm recursos para projetar por conta própria.
“Você não consegue simplesmente comprar hoje no mercado um produto como este”, disse Awad. “Meta e outros nos pediram para ir lá e construir isso.”
Mas Jim McGregor, analista da Tirias Research, afirmou que algum nível de tensão com os clientes é inevitável, à medida que a Arm sofre pressão para aumentar sua receita para além do que o negócio de licenciamento consegue sustentar.
“A Arm tem uma estratégia agressiva para elevar sua receita”, disse McGregor. “Isso não necessariamente deixa todo mundo feliz.”
O plano da Arm de vender chips próprios foi revelado pelo Financial Times em fevereiro de 2025. Mas a empresa já vinha considerando esse passo há anos, segundo depoimento de Rene Haas, CEO da Arm, em dezembro de 2024, em um julgamento na Justiça federal dos EUA decorrente de um processo movido pela Arm contra a Qualcomm sobre termos de licenciamento ligados a uma startup comprada pela empresa de San Diego. Em setembro, um juiz federal em Delaware decidiu a favor da Qualcomm.
O novo produto anunciado nesta terça-feira, o Arm AGI CPU, tem até 136 elementos de computação, conhecidos como núcleos (“cores”), oferecendo o que a empresa descreve como um aumento extremo na quantidade de cálculos por watt de energia consumida. Awad estimou que a adoção da tecnologia poderia gerar uma economia de US$ 10 bilhões na construção de um dos mais recentes megacentros de dados de IA, que podem custar até US$ 50 bilhões.
Ele afirmou que potenciais clientes já receberam amostras do chip e devem começar a usá-lo em tarefas de computação até o fim do ano.
c.2026 The New York Times Company
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