Desempenho recorde da operação principal compensa prejuízo na unidade Alea e leva ROE a 35%; Itaú BBA e BofA destacam forte geração de caixa e desalavancagem
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A Tenda (TEND3) divulgou os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) depois do fechamento do mercado de quinta-feira (5), com lucro líquido consolidado de R$ 104,6 milhões, que foi multiplicado por cinco vezes e veio acima da expectativa de analistas do mercado financeiro. As ações da Tenda fecharam em forte alta de 9,95%, a R$ 30,06.
Relatórios destacam que a força da operação principal (on-site) foi capaz de absorver os desafios severos enfrentados pela unidade Alea (casas pré-fabricadas). O lucro líquido ajustado teve um salto em comparação aos R$ 21 milhões registrados no mesmo período do ano anterior, o que reflete uma estratégia bem-sucedida de recomposição de margens.
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“A Tenda reportou um resultado no 4T25 10% acima das estimativas da expectativa, impulsionado por despesas menores”, afirma o Bank of America (BofA), que mantém a construtora como sua principal escolha no setor.
Para o banco, a melhora no fluxo de caixa e o processo de desalavancagem são os pilares que sustentam a recomendação de compra, especialmente com a ação negociando a múltiplos atrativos de 4 vezes a relação Preço sobre Lucro (P/L) estimada para 2027.
Os analistas do Itaú BBA também se juntaram ao otimismo do BofA, observando que o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) anualizado atingiu 35%. “O segmento Tenda registrou lucro líquido 7% acima do esperado, elevando o ROE para 53%”, diz o relatório do banco.
Essa performance no negócio principal indica que a companhia está operando em níveis de rentabilidade históricos, o que, na visão do Bradesco BBI, coloca o papel como o próximo candidato para uma reprecificação no mercado, reduzindo o desconto em relação aos seus principais pares.
Detalhamento do lucro
Apesar do lucro líquido consolidado ajustado ter alcançado cerca de R$ 105 milhões no trimestre, o detalhamento por unidade de negócio mostra um contraste operacional. Enquanto o segmento Tenda (on-site) entregou um lucro de R$ 155 milhões, a unidade Alea registrou um prejuízo líquido de R$ 50 milhões.
O Itaú BBA explica que esse resultado negativo na divisão de casas pré-fabricadas ocorreu “em função da antecipação de custos extraordinários”, o que acabou pesando no consolidado.
Apesar do prejuízo na Alea, a geração de caixa foi um ponto de surpresa positiva para os analistas. O Itaú BBA ressaltou a “sólida geração de caixa de R$ 47 milhões no trimestre”, valor que ficou acima das projeções iniciais de R$ 40 milhões.
Segundo os especialistas, esse fôlego financeiro permitiu que a companhia encerrasse o período com uma dívida líquida de R$ 266 milhões, mantendo a relação Dívida Líquida sobre Patrimônio Líquido (DL/PL) em patamares de 22%.
Do lado dos riscos, o Bradesco BBI mantém uma visão neutra sobre o impacto imediato desses resultados na tese de investimento, alertando que as revisões orçamentárias na Alea vieram maiores que o esperado. “Olhando para 2026, a administração espera que a Alea foque em estabilização e redução do consumo de caixa (cash burn)”, observa o banco.
Já o BofA acredita que, mesmo que a Alea continue sendo um peso no curto prazo, há uma oportunidade de que se torne uma alavanca de crescimento no médio a longo prazo. Os analistas também acreditam que o primeiro semestre de 2026 continue mais desafiador para a Alea, conforme o processo de verticalização continue a pressionar margens e eficiência operacional.
Expansão e margens
A receita líquida consolidada atingiu o recorde de R$ 1,18 bilhão, um crescimento de 38,9% na comparação ano sobre ano. O desempenho foi sustentado por um volume de vendas líquidas de R$ 1,225 bilhão no trimestre. “O segmento Tenda (on-site) entregou R$ 1,10 bilhão em receita líquida, enquanto a Alea registrou R$ 81,5 milhões”, detalha o Bradesco BBI.
Os principais indicadores operacionais mostram:
Lançamentos: somaram R$ 1,775 bilhão no trimestre, com destaque para o projeto Casapatio Canoas (RS).Velocidade de Vendas (SoS): registrou 23,6%, refletindo a manutenção da demanda no segmento popular.Banco de Terrenos (Landbank): cresceu para R$ 28,6 bilhões, garantindo fôlego para lançamentos futuros.
Porém, o nível de cancelamentos na unidade Alea permanece como um ponto de atenção, atingindo 28,9% das vendas brutas da unidade, contra uma média consolidada de 12,7%.
Por fim, a margem bruta consolidada ficou em 30%, mas os analistas pontuam que os componentes internos divergem drasticamente. A operação principal da Tenda viu sua margem bruta subir para 34,6% (uma alta de 6,2 pontos percentuais ano sobre ano), “enquanto as revisões orçamentárias da Alea vieram maiores que o esperado”, pontua o Bradesco BBI.
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