7 de fevereiro de 2026

​Bradesco tem bom 4T, mas projeção conservadora levanta questão e ações caem 2,5% 

Analistas veem projeções conservadoras, que podem levar a um maior pessimismo do mercado, ainda que acreditem que possam ser batidas
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O Bradesco (BBDC4) foi o terceiro “bancão” a divulgar seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) nesta semana, com números em linha com a expectativa dos analistas de mercado e considerados sólidos, mas com projeções para 2026 consideradas conservadoras. Com isso, o BBDC4 fechou em queda de 2,55%, a R$ 20,61.

O banco teve lucro líquido recorrente de R$6,5 bilhões no quarto trimestre do ano passado, aumento de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024, dentro do esperado por analistas, mostraram dados divulgados pelo banco nesta quinta-feira.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 15,2% nos últimos três meses de 2025, aumento de 2,5 pontos percentuais ano a ano. Apesar do resultado, o número permanece distante dos 24,4% divulgados pelo Itaú Unibanco (ITUB4) e abaixo dos 17,6% apresentados pelo Santander Brasil (SANB11) para o período.

Na visão da XP Investimentos, o Bradesco entregou um sólido 4T25, amplamente em linha com as expectativas do mercado e com as suas estimativas. Uma leve alteração no lucro líquido de 2% e um ROAE em torno de 15% confirmam a recuperação gradual da rentabilidade, sem grandes surpresas, aponta.

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Enquanto isso, a margem de juros líquida (NII, na sigla em inglês)  permaneceu como o principal suporte, impulsionado por margens resilientes com clientes, crescimento da carteira e uma melhora na dinâmica de funding, enquanto o NII de Mercado seguiu modesto. No quarto trimestre, a margem financeira total cresceu 13,2% ano a ano, para R$19,2 bilhões, com expansão de 18,4% na margem com clientes, para R$19,1 bilhões, mas queda de 85% na margem com mercado, para R$126 milhões. A margem líquida fechou o trimestre com alta de 9,3% ano a ano.

As receitas com prestações de serviços subiram 8%, para R$11 bilhões, enquanto as despesas operacionais totalizaram quase R$17 bilhões, alta de 3,3%. Em todo o exercício de 2025, tiveram expansão de 8,9% e 8,5%, respectivamente, ante 2024. Para 2026, o banco prevê alta de 3% a 5% e de 6% a 8% para essas linhas. As receitas de serviços ficaram amplamente em linha com as projeções da XP, enquanto o segmento de seguros mostrou uma desaceleração relevante no trimestre, ainda assim mantendo índices de ROE sólidos.

“A qualidade dos ativos permaneceu sob controle, favorecendo uma leve melhora no custo do crédito. Do lado das despesas, o banco continua apresentando progresso gradual em eficiência, embora os investimentos em transformação ainda devam pesar no curto prazo”, apontam os analistas da XP.

A despesa com provisão para devedores duvidosos (PDD) expandida somou R$8,8 bilhões no quarto trimestre do ano passado, de R$ 8,56 bilhões nos três meses anteriores.

A inadimplência acima de 90 dias total ficou em 4,1%, estável na base trimestral, com a carteira de pessoas físicas também inalterada nessa comparação, em 5,4%. O segmento de micro, pequenas e médias empresas mostrou alta de 3,7% para 3,8% e o de grandes companhias registrou queda de 0,4% para 0,3%.

Na visão do Itaú BBA, o lucro foi um pouco acima das suas projeções e o negócio bancário continua avançando com uma carteira de empréstimos robusta (5% em relação ao trimestre anterior e 11% em relação ao ano anterior) e receita líquida de juros (3% em relação ao trimestre anterior e 13% em relação ao ano anterior), com custo de crédito estável. As tarifas foram fortes e os adiantamentos em seguros foram impulsionados pelos resultados operacionais.

No geral, o ano termina com uma sólida execução, com lucros cerca de 10% acima das previsões iniciais.

No trimestre em si, o JPMorgan considera positiva a estabilidade da qualidade dos ativos, o forte crescimento do crédito para PMEs (pequenas e médias empresas), similar ao do Itaú (+8% em relação ao trimestre anterior), e o aumento de 11% em relação ao trimestre anterior no resultado final de seguros e previdência (impulsionado pela redução de impostos).

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“Diversos indicadores foram positivos, mas o resultado final ficou 5% abaixo do esperado, o que parece ser consequência de um provisionamento mais conservador”, aponta o banco.

Números sólidos, mas e 2026?

Junto com os resultados, o Bradesco divulgou suas projeções para 2026 que, na visão dos analistas de mercado, são bastante importantes para analisar o setor.

As projeções incluem estimativa de crescimento de 8,5% a 10,5% na carteira de crédito expandida, enquanto vê a margem financeira líquida de R$42 bilhões a R$48 bilhões. Em 2025, a carteira de crédito subiu 11%, ante guidance de expansão de 4% a 8%, e a margem financeira somou R$40 bilhões, ante projeção de R$37 bilhões a R$41 bilhões.

O Itaú BBA ressalta que as projeções apontam para uma expansão contínua da carteira de empréstimos (8,5% a 10,5%) com resultados saudáveis ​​ajustados ao risco (5% a 20% em relação ao ano anterior). Os investimentos continuarão a impactar as despesas gerais e administrativas (por um bom motivo), amortecendo parte dos ganhos de receita, juntamente com projeções mais conservadoras para o setor de seguros.

Com uma estimativa de lucro líquido entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões (ROE de 14% a 17%), o ponto médio de R$ 27 bilhões fica 4% abaixo das expectativas do mercado.

O JPMorgan ressalta que a avaliação sobre os números do Bradesco é mista visto que a projeção para 2026 indica um lucro líquido de R$ 27,5 bilhões no ponto médio, ou cerca de 2,4% abaixo da sua estimativa de R$ 28,2 bilhões. Isso pressupõe uma alíquota de imposto menor ano a ano, em torno de 18%-19%, contra aproximadamente 20% em 2025, já que acredita que a empresa poderá se beneficiar da entrada em operação (ou seja, maior base de patrimônio líquido e maior TJLP médio). Ainda assim, a projeção implica em uma queda de 6% no lucro antes dos impostos em relação às estimativas, devido a uma queda de 2% na receita líquida de juros ajustada ao risco e um aumento de 2% nas despesas operacionais.

“É importante ressaltar que o Bradesco também adotou uma postura conservadora em 2025, com projeções anteriores indicando um valor de aproximadamente R$ 22,5 bilhões, mas apresentando um resultado de cerca de R$ 24,7 bilhões”, avalia.

O Morgan Stanley também avalia ser possível que o Bradesco esteja subestimando as expectativas do mercado com suas projeções — como aparentemente ocorreu em 2025. “De fato, no ano passado, o Bradesco apresentou resultados 26% acima do ponto médio da faixa de projeção. O valor médio era de R$ 22,2 bilhões, mas eles entregaram R$ 24,6 bilhões”, aponta.

JPMorgan e Goldman Sachs possuem recomendação neutra, enquanto o Itaú BBA segue com recomendação de compra ou equivalente para os ativos do Bradesco. O BBA ressalta que, com o guidance conservador e após a valorização deste ano pode haver alguma realização de lucros, e compraria em momentos de queda.

“Manteremos confortavelmente nossa projeção no limite superior, com R$ 29,2 bilhões para o lucro do ano fiscal de 2026, expressando otimismo em relação aos fatores macroeconômicos e à execução, e realizaremos lucros ao longo do ano. A tese operacional de melhorias sustentadas na rentabilidade por meio de fatores micro e macroeconômicos permanece bastante sólida”, avalia.

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