27 de março de 2026

​Braskem (BRKM5): ações desabam 9% após 4T frustrante com prejuízo de mais de R$ 10 bi 

Contexto de ambiente global segue muito desafiador para petroquímicos, com spreads internacionais mais baixos e fraqueza sazonal
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As ações da Braskem (BRKM5) registram uma sessão de forte queda na sessão desta sexta-feira (27) após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25). Às 11h12 (horário de Brasília), os papéis caíam 9,06%, a R$ 9,23.

A Braskem registrou um prejuízo de R$ 10,28 bilhões no 4º trimestre de 2025, em comparação com prejuízo de R$ 5,65 bilhões no mesmo período de 2024. A maior petroquímica da América Latina apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente de R$ 589 milhões, expansão de 6% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Já a receita líquida do grupo caiu 16%, alcançando R$16,10 bilhões. Por distribuição demográfica, 60% da receita foi proveniente do Brasil, seguida por 22% nos Estados Unidos.

O desempenho, contudo, veio abaixo das expectativas do mercado. Analistas esperavam um Ebitda recorrente de R$ 665 milhões e receita de R$ 16,9 bilhões, de acordo com dados da LSEG. Segundo o grupo, o Ebitda recorrente foi afetado pela continuidade do ciclo de baixa prolongado da indústria global.

O Bradesco BBI ressaltou que os resultados da Braskem no 4T25 continuaram fracos e ficaram abaixo das expectativas de mercado, em um contexto de ambiente global muito desafiador para petroquímicos, com spreads internacionais mais baixos, fraqueza sazonal e condições operacionais mais suaves nas várias regiões.

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No Brasil, os resultados foram pressionados por menor taxa de utilização decorrente de parada de manutenção programada na Bahia, ajustes de produção à demanda sazonal e menor oferta de matéria-prima em São Paulo. Nos EUA e Europa, o Ebitda permaneceu negativo, em US$ 32 milhões, refletindo menores volumes, paradas programadas na Europa e, principalmente, um spread muito mais fraco de PP (polipropileno) na região. Já no México houve melhora, com melhores taxas de operação e maior oferta de etano importado, embora a região ainda enfrente pressão de spreads mais baixos.

O prejuízo líquido reportado, de US$ 1,888 bilhão, foi muito pior que o resultado próximo de zero do 3T25 e se explica principalmente por um baixa (write-off) líquida de US$ 1,4 bilhão em ativos fiscais diferidos, sem impacto de caixa, além de um impairment (baixa contábil) de US$ 272 milhões na Braskem Idesa, no México, também reconhecido em custo dos produtos vendidos e igualmente sem afetar o EBITDA recorrente do México.

Pelo lado positivo, o comunicado destaca a aprovação do PRESIQ como um importante avanço estrutural para a indústria química brasileira, com a empresa tratando o programa como essencial para a sustentabilidade de longo prazo do setor – ainda que seus benefícios devam se tornar mais relevantes apenas a partir de 2027, e não representem um suporte significativo para os números do 4T25.

O FCFE (Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) da Braskem permaneceu negativo em US$ 161 milhões no 4T25, melhorando em relação aos -US$ 424 milhões do 3T25, mas ainda pior que os -US$ 37 milhões do 4T24. A melhora foi puxada principalmente por menor saída de caixa com capex, que recuou para -US$ 97 milhões (de -US$ 235 milhões no 3T25), e por uma despesa de juros bem mais leve, que caiu para -US$ 121 milhões (de -US$ 273 milhões no 3T25).

Esses efeitos foram parcialmente compensados por um fluxo de caixa operacional mais fraco, que caiu para US$ 114 milhões (de US$ 127 milhões no 3T25 e US$ 190 milhões no 4T24). O capital de giro também foi um fator negativo, com consumo de -US$ 58 milhões, embora tenha melhorado frente aos -US$ 43 milhões no 3T25 e abaixo da contribuição positiva de US$ 64 milhões vista no 4T24.

A companhia encerrou o trimestre ainda em posição de alavancagem bastante elevada, com dívida líquida ajustada/Ebitda recorrente em 14,74x (vez), praticamente estável ante 14,76x no 3T25, refletindo que, apesar da redução sequencial do consumo de caixa, o balanço segue fortemente pressionado pela baixa geração de Ebitda em um ciclo deprimido que se prolonga.

“Os resultados da Braskem continuam fortemente pressionados pelo ciclo de baixa prolongado na indústria petroquímica, que já dura bastante tempo e ainda mostra sinais limitados de melhora. Embora o PRESIQ e fatores como a guerra no Oriente Médio possam trazer algum alívio, ainda é incerto se esses elementos, isoladamente, serão suficientes para solucionar os problemas da companhia, o que provavelmente colocará os novos controladores em uma posição em que poderão ter de tomar decisões difíceis em relação à estrutura de capital”, aponta o BBI.

O JPMorgan ressaltou que a Braskem apresentou um trimestre muito fraco, em meio a excesso de oferta na indústria e fatores sazonais que pesaram bastante sobre volumes e rentabilidade. O Ebitda consolidado ainda ficou 8,2% abaixo das suas estimativas.

Tanto JPMorgan quanto BBI possuem recomendação neutra para os ativos da Braskem, enquanto o BBI tem preço-alvo de US$ 3 para os ADRs (recibo de ações negociado nos EUA) BAK da companhia.

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