26 de março de 2026

​Câncer: como a IA pode deixar os tratamentos mais precisos e personalizados 

Congresso Internacional Oncologia D’Or, abordará tecnologia e inovação em diagnóstico e tratamento do câncer, em sua décima primeira edição
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A inteligência artificial (IA) já está no nosso dia a dia, mas, na saúde, seu uso pode fazer uma enorme diferença. De acordo com o oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or, no combate ao câncer, esse tipo de tecnologia pode fazer diferença em diversas frentes.

— A inteligência artificial é algo que a gente vem falando há um certo tempo, mas nossa impressão é que haverá uma aceleração da sua incorporação, em vários aspectos — diz Hoff.

Na documentação, por exemplo, a IA pode facilitar o trabalho do médico, do enfermeiro, do nutricionista e outros profissionais de saúde ao transcrever uma consulta com o paciente. Também deverá ser um auxiliar potente no diagnóstico, ao ajudar nas hipóteses diagnósticas, em especial na radiologia e patologia; e no desenvolvimento de novos tratamentos.

Avanços em “machine learning” e “deep learning” permitem que um volume crescente de dados possa ser analisado, possibilitando melhorias em várias áreas do tratamento oncológico, estabelecendo estratégias e possibilitando o desenvolvimento de novas terapias de maneira muito mais rápida do que era possível até muito recentemente. O resultado final será mais agilidade, precisão e uma personalização crescente do cuidado oncológico.

— O processo de descoberta de um produto até ele chegar para o tratamento do paciente podia levar 15, 20 anos. A expectativa é que com o uso da inteligência artificial consigamos reduzir esse tempo entre o início do desenvolvimento e a disponibilidade para uns 5 anos — pontua o oncologista.

Ainda em relação à IA, a expectativa é que, nos próximos anos, essa tecnologia também possa ajudar a identificar padrões que indiquem pessoas de risco para ter câncer e a identificar vetores e alvos mais eficientes na terapia celular, contribuindo para o avanço da medicina personalizada.

Combinada com testes de sequenciamento do DNA e de genes associados à formação dos tumores, a IA tem sido utilizada para a análise e correlação de informações genéticas e moleculares com bancos de dados sobre diferentes tratamentos, atualizados praticamente em tempo real, algo que seria um trabalho enorme se fosse feito manualmente. Isso permite a individualização dos tratamentos, aumentando assim as chances de sucesso.

O avanço da IA na oncologia é um dos grandes temas que serão abordados na 11ª edição do Congresso Internacional Oncologia D’Or, que começa nesta sexta-feira (27). O evento vai debater as últimas novidades e os temas mais atuais na oncologia, com a participação de palestrantes nacionais e internacionais e mais de 13 mil inscritos.

Além da inteligência artificial, radioterapia avanços no tratamento com terapias como imunoterapia e anticorpos quimioterapia conjugados (ADCs) e aprofundamento da personalização da medicina serão destaques na programação. A multidisciplinaridade também é uma das grandes novidades desta edição.

— Estamos falando de câncer, mas não é só de oncologia. Temos terapia intensiva, emergência, pronto-socorro, cirurgia, enfermagem, nutrição, ou seja, todo o espectro que trata o câncer está representado — diz Hoff.

Outra área que está avançando bastante e será abordada são os tratamentos minimamente invasivos.

— Ele estará presente com radioterapia intervencionista. Então, NanoKnife, que é o uso da eletricidade para destruir tumores, é um conceito relativamente novo que permite que você faça um tratamento local em áreas que antes não podiam ser operadas ou tratadas com terapias locais mais destrutivas. A eletricidade permite você fazer isso — explica o médico.

Ainda dentro desse conceito, a eletroporação — uso da eletricidade para destruir tumores — tem sido particularmente útil no tratamento de doenças localmente avançadas, que antes não eram candidatos à cirurgia, como o câncer de pâncreas. Cirurgia robótica e radiocirurgia também serão temas abordados.

— Tem crescido o interesse da população pela cirurgia robótica porque a cirurgia minimamente invasiva diminui o tempo de estadia do paciente no hospital. Depois do procedimento, o paciente vai para casa mais rápido e tem algumas vantagens em termos de conforto para o paciente, e para o cirurgião, então é um tema que está crescendo e que terá uma área dedicada. E dentro do mesmo conceito de terapia minimamente invasiva, os equipamentos de radiocirurgia (apesar do nome, não se trata de uma cirurgia com corte, mas de uma radioterapia rápida) — diz Hoff.

Já existem protocolos de radiocirurgia para câncer de pulmão e de fígado, por exemplo.

— Isso permite que em certas situações que antes ficávamos reticentes de fazer um tratamento local, porque era uma cirurgia grande, etc., agora nos sentimos mais à vontade, porque o paciente tem muito menos dano colateral com esses tratamentos do que teria em uma cirurgia aberta — pontua o oncologista. — Então, acho que são vários eixos que vamos discutir, mas no final o que queremos trazer de novo é o que está saindo agora, os novos tratamentos, o que funciona e o que pode melhorar o resultado do tratamento do paciente, mas minimizar os efeitos colaterais e fazer com que ele tenha uma qualidade de vida melhor durante o tratamento também.

Outro destaque será o painel de pesquisa clínica. No ano passado, a Oncologia D’Or fechou parceria com a Next Oncology, uma das maiores empresas de desenvolvimento de novos fármacos do mundo, para promover inovações no tratamento do câncer, com a realização de testes clínicos de fase 1 de potenciais agentes anticancerígenos.

— O Brasil participava de fase 3, às vezes de fase 2 de estudos clínicos, mas não de fase 1, que são aquelas drogas realmente muito inovadoras. Fechamos uma parceria e criamos uma nova empresa no Brasil que vai fazer só desenvolvimento de novas drogas para tratamento de câncer. Isso traz a possibilidade de trazermos mais estudos inovadores com drogas realmente novas para os nossos pacientes — diz Hoff.

O aumento dos casos de câncer em geral e a mudança no perfil dos pacientes, com mais pessoas jovens sendo acometidas pela doença também será abordada. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 780 mil novos casos de câncer esse ano.

— Esse é um número expressivo. Se olharmos 20 anos atrás, eram 400 mil, então é quase o dobro. Só que a população brasileira não dobrou em 20 anos. Então, houve um aumento importante no número de casos de câncer e o mundo inteiro está preocupado com o câncer no jovem. Continua sendo uma tendência que está muito clara, que nos preocupa, e será alvo de discussão também — diz o médico.

 

 

 

 

 

 

 

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