28 de fevereiro de 2026

​Cantareira ganha fôlego com as chuvas, mas continua em estado de alerta em SP 

Após cinco meses em nível crítico, sistema chega a 35,24% e muda de faixa de operação, porém redução de pressão noturna e risco na estiagem são mantidos
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Depois de cinco meses em nível crítico, o Sistema Cantareira passa a ser usado com mais folga para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo a partir deste sábado, 28 de fevereiro. As chuvas de fevereiro foram acima da média e ajudaram a recompor o manancial. Em 31 de janeiro, o nível estava em 22,66%. Nesta sexta-feira, 27, o sistema atingiu 35,24% do volume útil.

Mesmo assim, a situação ainda é de alerta. O Cantareira depende de mais chuvas em março para enfrentar o período mais seco do ano.

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Nesta sexta-feira, a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) autorizaram a operação do sistema na Faixa 3 – Alerta. Desde 1.º de outubro de 2025, o Cantareira operava na Faixa 4 – Restrição, que é mais severa.

Com a mudança, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está autorizada a retirar do Cantareira até 27 metros cúbicos por segundo previstos na resolução conjunta em vez dos até 23 m³/s que vinham sendo autorizados até fevereiro.

A maior captação, por ora, não altera a redução na pressão noturna que reduz a oferta de água por 10 horas durante a noite, já que isso não depende só do nível do Cantareira. A Sabesp informou que eventual mudança depende das agências reguladoras.

Há quase um ano vem chovendo menos que a média histórica na região do sistema, que é composto por um conjunto de represas interligadas – Jaguari/Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Paiva Castro e Águas Claras -, e ainda recebe água da bacia do Rio Paraíba do Sul por meio da Represa do Jaguari. O Cantareira abastece 9 milhões de pessoas na região metropolitana.

No dia 16 de janeiro, o volume útil chegou a 19,4%, o mais baixo em dez anos. Na ocasião, a Sabesp atribuiu a queda no nível às chuvas abaixo da média. Porém, depois de um mês de janeiro com chuvas escassas, em fevereiro o sistema acumulou 244,7 milímetros de chuvas, acima da média histórica de 200,8 mm.

Conforme as agências, a Sabesp poderá utilizar em março, além dos 27 m³/s autorizados do Sistema Cantareira, a vazão transposta no reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, respeitando o limite outorgado.

Em nota, a ANA e a SP Águas reforçaram a importância da adoção de medidas operacionais de gestão da demanda pela Sabesp tanto para redução do consumo de água e de perdas quanto para o estímulo ao uso racional do recurso pela população. As agências recomendam, ainda, a adoção de medidas de uso racional de água pelos demais usuários para preservar o volume de água armazenado nos reservatórios do Sistema.

Redução na pressão continua

A melhora no nível do Cantareira, por si só, não implica em mudança na quantidade de horas em que a pressão da água que abastece a região metropolitana é reduzida. Atualmente, a Sabesp adota a redução da pressão à noite – dez horas entre 19h e 5h -, de forma a reduzir o consumo. A estratégia tem causado reclamações de falta de água. Porém, a Sabesp aponta uma economia de mais de 80 bilhões de litros devido à redução na pressão.

De acordo com a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), essa mudança depende do volume útil de todo o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), formado pelo Cantareira e outros seis mananciais.

A operação do SIM prevê faixas de 1 a 7, sendo a sétima a de maior gravidade, com volume de água abaixo de 12,57%. Para a mudança de faixa, é preciso que o nível permaneça dentro da nova faixa durante 7 dias. Nesta sexta-feira, o SIM está com volume de 47,1%, mas ainda opera na faixa 3, que prevê 10 horas de redução noturna diária. Como a faixa 2 foi atingida há cinco dias, faltam dois dias para que seja feito o ajuste operacional, baixando a redução para 8 horas.

Previsão do Cemaden

Em janeiro deste ano, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) previu que o Cantareira vai terminar o verão, no final deste mês, ainda em estado de alerta.

No cenário de chuvas na média, o volume útil estimado nos reservatórios para o fim de março seria de 39%. O mês de fevereiro, porém, teve chuvas acima da média. A faixa de alerta para o sistema fica entre 30% e 40% da capacidade do sistema. Depois de março, começa o período de estiagem, que normalmente vai até setembro.

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