24 de março de 2026

​Casas Bahia detalha novo plano estratégico no Investor Day; entenda reação do mercado 

Plano estratégico foca em categorias essenciais e otimização da estrutura de capital, mas analistas ainda não estão totalmente confiantes
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O Grupo Casas Bahia (BHIA3) realizou seu Investor Day na segunda-feira (23), onde foi detalhada a nova fase estratégica da empresa. A companhia passa de um plano de estabilização para uma agenda de crescimento rentável. Nesta terça-feira (24), as ações do Grupo Casas Bahia subiam 1,39%, a R$ 2,91, às 11h20 (horário de Brasília); na véspera, os papéis subiram 3,99%.

Após concluir a reestruturação de capital que reduziu a alavancagem para 0,4 vezes a  Dívida Líquida/EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), a companhia foca em três pilares: especialização no núcleo de bens duráveis, aceleração do marketplace e expansão de serviços financeiros.

Segundo os analistas do mercado financeiro, alguns dos principais pontos ressaltados no Investor Day, já dentro do plano de aceleração, foram os seguintes:

Foco no core business: a empresa consolidou sua saída de categorias não essenciais, que caíram de 14% para 4% do GMV (Volume Bruto de Mercadorias). Agora, 96% das receitas vêm de eletrônicos, tecnologia e móveis;Otimização do Balanço: a gestão afirmou que houve economia de R$ 2,8 bilhões em despesas financeiras nos próximos cinco anos, fruto da redução do custo de dívida e da conversão de debêntures em capital próprio;Soluções de Crédito: a carteira de crédito própria cresceu para R$ 6,6 bilhões, com a meta de lançar o crédito consignado privado até abril de 2026, visando um mercado de R$ 120 bilhões.Expansão Seletiva: embora o foco seja o crescimento de SSS (Vendas nas Mesmas Lojas), a empresa já mapeou 52 cidades prioritárias para futuras aberturas sob o modelo de “loja vencedora”.

A perspectiva do mercado foi de confiança renovada, com o pior momento da crise financeira já para trás. “A empresa passou do modo de sobrevivência para uma tendência de recuperação, com progresso operacional e financeiro tangível”, diz o relatório do BTG Pactual. 

Além disso, os analistas afirmam que a gestão de passivos também foi um ponto central, “reforçando que a recuperação do balanço patrimonial não é um evento isolado, mas um pilar estratégico contínuo”, afirmou o BTG Pactual. 

Por outro lado, mesmo com um certo nível de otimismo com a execução, o cenário de juros altos mantêm os analistas em espera. “Embora reconheçamos as inúmeras iniciativas implementadas pela companhia, mantemos nossa visão neutra até que os resultados se tornem mais tangíveis e o caminho para a lucratividade se mostre sustentável através das alavancas de alavancagem operacional e expansão de serviços”, pontuou a XP. 

Já o relatório do Goldman Sachs segue mais cauteloso, mantendo recomendação de venda com preço-alvo de R$ 3,20, ao observar que “as estimativas de lucro líquido subiram à medida que incorporamos despesas financeiras menores, mas a recuperação de margem e a desalavancagem precoce ainda dependem de um crescimento de vendas acima do esperado no varejo físico”.

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Parcerias e alavancagem

Além do Investor Day, o Grupo Casas Bahia também formalizou na segunda uma nova parceria com a Amazon Brasil, focada em expandir digitalmente seu sortimento na plataforma da empresa. 

O grupo explicou, em nota, que o movimento tem objetivo de acelerar o alcance omnichannel (integração de canais físicos e digitais) ao utilizar um novo fluxo de vendas para suas categorias principais. 

“A entrada na Amazon é mais um passo na construção do maior player 1P omnicanal do Brasil”, afirmou Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia. A nota também ressalta que a companhia mantém o controle de preços e sortimento enquanto utiliza sua logística como diferencial competitivo. Posteriormente, a integração logística vai permitir que os produtos da Bahia recebam o selo Prime, garantindo fretes rápidos e gratuitos para membros do programa.

A XP avaliou que essa estratégia deve sustentar o crescimento online de Casas Bahia, o que significa um desafio adicional para a concorrência. O Goldman Sachs detalhou que o e-commerce agora possui margem de contribuição positiva, permitindo crescer com rentabilidade. Segundo o banco, a parceria com a Amazon igualmente conseguirá ir além do arranjo existente com o Mercado Livre, permitindo que a Casas Bahia preste serviços logísticos para a gigante americana.

Crédito e serviços financeiros

Entrando nos destaques do Investor Day, os analistas acreditam que a monetização da base de clientes através do crediário próprio, o CDC (Crédito Direto ao Consumidor), é vista como a maior oportunidade de lucro no curto prazo. 

Segundo o grupo, a carteira de crédito atingiu R$ 6,6 bilhões, e os planos são de lançar crédito consignado privado até abril de 2026. “Aumentar a penetração do seu carnê próprio continua sendo uma prioridade estratégica para melhorar a rentabilidade”, afirma o relatório do Goldman Sachs, notando que a inadimplência caiu graças ao uso de modelos de IA (Inteligência Artificial).

O BTG Pactual reforçou que o crédito é um diferencial essencial onde as famílias possuem liquidez restrita. De acordo com o banco, “o lançamento do FIDC de crediário melhora ainda mais a eficiência de financiamento e escalabilidade”. 

Já analistas da XP complementam que o custo de captação caiu de 150% para 125% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), embora o benefício nos resultados venha de forma gradual, dado o prazo médio das operações de 14 meses.

Eficiência de capital

A estratégia de “voltar às origens” foi consolidada, segundo os bancos. Dados da companhia mostram que as categorias não essenciais caíram de 14% para apenas 4% do GMV. 

A Casas Bahia agora foca 96% de sua energia em eletrônicos, tecnologia e móveis. No varejo físico, a ordem é disciplina. “A prioridade de curto prazo continua sendo o crescimento de SSS em vez de uma expansão agressiva”, afirmou o Goldman Sachs.

O BTG Pactual concluiu que a empresa entrou em sua “terceira fase” de aceleração, mas o Goldman Sachs alertou para os riscos persistentes. “Nossas estimativas de lucro líquido subiram +9% em média, à medida que incorporamos despesas financeiras menores”, diz o relatório, reforçando, entretanto, que taxas de juros ainda altas e a competição intensa continuam sendo os principais entraves para uma valorização mais agressiva do papel no momento.

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