Desempenho refletiu principalmente uma provisão de Imposto de Renda diferido de R$ 1,45 bilhão
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SÃO PAULO, 11 Mar (Reuters) – A Casas Bahia (BHIA3) teve prejuízo líquido de R$1,529 bilhão no quarto trimestre, refletindo principalmente uma provisão de Imposto de Renda diferido de R$1,45 bilhão, em período também marcado por forte queda no endividamento e expansão de receitas e margens.
O diretor financeiro da varejista, Elcio Ito, afirmou que a provisão ocorreu após a companhia realizar testes de estresse, dado o contexto geopolítico e os potenciais riscos para a inflação e as taxas de juros, entre outras variáveis macroeconômicas.
Após os testes, ‘por prudência e conservadorismo’, a empresa decidiu fazer a provisão, afirmou à Reuters, ressaltando que a provisão não tem efeito caixa e econômico, e que se trata de uma ação mirando um cenário de estresse, de quadro macroeconômico mais adverso.
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Excluindo essa provisão, a Casas Bahia teve prejuízo de R$79 milhões, após uma perda de R$452 milhões um ano antes, com o balanço ainda mostrando despesas com vendas, gerais e administrativas da ordem de R$1,9 bilhão (+0,4%) e um resultado financeiro negativo de R$557 milhões no período.
A despesa financeira, porém, caiu ante os mesmos meses de 2024 (-R$921 milhões), em trimestre marcado pela finalização da reestruturação no perfil de endividamento da companhia no final de 2025, que fez a dívida líquida ajustada cair a R$1,13 bilhão, de R$4,48 bilhões no trimestre anterior.
A alavancagem medida pela dívida líquida em relação ao Ebitda ajustado passou para 0,4 vez, de 1,9 vez no terceiro trimestre.
‘Tivemos uma redução de 75% da dívida líquida entre o terceiro e o quarto trimestres…foi um passo absolutamente fundamental e decisivo para colocar a companhia em um novo balanço daqui para frente’, afirmou Ito, ressaltando também ‘consistência de entrega de resultados operacionais’.
No quarto trimestre, a receita líquida cresceu 6,1%, para R$8,471 bilhões. A métrica de vendas GMV consolidado apurou crescimento de 8,7%, para R$13,1 bilhões. O GMV de lojas físicas ficou estável e as vendas mesmas lojas cresceram 2,6%. O GMV de e-commerce apurou expansão de 21,7%.
O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado somou R$826 milhões, alta de 29,1% ano a ano, com a margem nessa métrica ficando em 9,8%, de 8% um ano antes. A margem bruta da companhia avançou 0,7 ponto percentual, para 31,5%.
2026
Ito preferiu não detalhar o comportamento das vendas neste começo de ano, apenas afirmando que a companhia continua crescendo, ganhando market share, mas destacou que 2026 tem eventos potencialmente positivos, embora o ambiente macroeconômico siga desafiador, com taxas de juros ainda altas.
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O executivo destacou que a isenção do IR para rendimentos até R$5.000 é uma renda adicional para o mercado, enquanto a Copa do Mundo também deve ter um impacto, principalmente no segundo trimestre. E apontou ainda as eleições, citando que normalmente há consumo maior e uma economia um pouco mais dinâmica.
‘Eu acho que tem vários temas, ventos potenciais favoráveis para a companhia ao longo do ano’, acrescentou.
O diretor financeiro também afirmou que a Casas Bahia tem um ‘projeto grande’ de aumentar o crediário dentro das vendas da companhia. No quarto trimestre, a carteira do crediário atingiu R$6,6 bilhões, alta de 7% ano a ano, com a inadimplência acima de 90 dias em 8,6% e uma perda líquida de 4,6%.
‘Nós queremos crescer o crédito, porque aumenta as vendas, mas crescer de uma forma sustentável. Hoje, temos tem muita demanda de crédito, mas, dado o cenário macroeconômico e a inadimplência, também temos a cautela necessária, porque senão vamos ter um problema de inadimplência’, afirmou.
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