20 de fevereiro de 2026

​Caso Master: autoridades buscam recuperar até US$ 10 bi de Vorcaro na Flórida 

Liquidante do Banco Master aciona Justiça dos EUA para rastrear bens; processo em Miami envolve galerias de arte e imóveis de luxo
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Autoridades brasileiras estão buscando obras de arte, imóveis de alto padrão e outros ativos na Flórida ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master, que faliu, numa tentativa de recuperar recursos após o que pode ser a maior fraude bancária da história do país.

O liquidante do Banco Master, atuando em nome do Banco Central, protocolou em 29 de janeiro um pedido na Corte Federal de Falências de Miami para intimar 22 entidades. Entre elas estão corretores imobiliários, um banco na região de Orlando, galerias de arte de destaque como Gagosian e Pace, além das casas de leilão Sotheby’s e Christie’s.

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As autoridades buscam informações sobre ativos ligados a Vorcaro, seus sócios e algumas empresas relacionadas ao Banco Master. Isso inclui uma mansão de 24 mil pés quadrados, cerca de 2.200 metros quadrados, a oeste de Orlando, comprada pelo pai de Vorcaro por US$ 32 milhões, valor recorde.

Um juiz federal aprovou o pedido de falência nos Estados Unidos em meados de dezembro, enquanto o processo de liquidação seguia na Justiça brasileira. Advogados de Vorcaro nos EUA, controlador e ex-presidente-executivo do Banco Master, apresentaram em 9 de fevereiro uma objeção às intimações, argumentando que o liquidante não teria direito de buscar seus ativos pessoais, já que é o banco, e não ele, quem responde perante credores e depositantes. O juiz realizará uma audiência em 4 de março.

A disputa judicial em Miami oferece um retrato do estilo de vida luxuoso de Vorcaro. As intimações indicam que ele foi cliente de diversas galerias de elite, como Gagosian e Pace, que representam artistas como Jeff Koons, Pablo Picasso, Andy Warhol, Mark Rothko e David Hockney. Embora registros imobiliários não indiquem que Vorcaro tenha imóveis em seu próprio nome em Miami, o site The Real Deal informou que ele adquiriu casas à beira-mar por meio de uma LLC.

A Gagosian Gallery e a Sotheby’s não responderam a pedidos de comentário. A Christie’s e a Pace Gallery declinaram comentar. Advogados do liquidante do Banco Master nos EUA também não comentaram.

Vorcaro negou irregularidades e afirmou que está cooperando com a polícia. Ele não quis comentar para esta reportagem.

A disputa na Justiça de falências também pode lançar luz sobre as ambições internacionais do financista, que incluíam um plano de expandir seus negócios para os Estados Unidos.

Em poucos anos, Vorcaro transformou o Banco Master de uma pequena instituição em um dos 20 maiores bancos do Brasil em ativos, atraindo investidores de varejo com taxas acima das praticadas no mercado para depósitos com garantia. Ele também alcançou a elite financeira e política do país, cultivando relações próximas com empresários, ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e pessoas próximas ao presidente da República.

A ascensão do banco foi interrompida em meados de novembro, quando a Polícia Federal prendeu Vorcaro e quatro associados sob suspeita de que o Banco Master estaria envolvido em uma fraude bilionária. Horas depois, o Banco Central iniciou a liquidação da instituição, e autoridades afirmam que o impacto sobre o sistema de garantia de depósitos pode chegar a US$ 10 bilhões.

Vorcaro era conhecido por sua preferência por ternos italianos sob medida, imóveis de luxo e festas extravagantes. Quando a polícia foi prendê-lo em São Paulo, apreendeu obras de arte, relógios e joias avaliados em milhões de dólares, além de um jato estimado em US$ 38 milhões.

Os liquidantes do banco também planejam investigar empresas criadas por executivos de confiança de Vorcaro em Miami para oferecer serviços que vão de gestão de recursos a crédito consignado, segundo pessoas familiarizadas com o caso que pediram anonimato por tratarem de processos confidenciais.

Embora as fontes não tenham citado alvos específicos, a empresa mais relevante criada por executivos do Banco Master parece ser a Salarly, especializada em crédito consignado de curto prazo e com sede em um escritório no distrito financeiro de Brickell, segundo documentos societários analisados pela Bloomberg. A companhia tem licença para operar na Flórida, no Texas, no Missouri e em Utah.

As origens da Salarly remontam à CredCesta, operação brasileira de crédito consignado anteriormente controlada pelo Banco Master. Executivos do banco tiveram papel central na criação da CredCesta USA em Miami em 2023, antes da mudança de marca no fim de 2024.

Não há informações públicas sobre o volume de empréstimos concedidos pela Salarly ou o tamanho de suas operações. Documentos apresentados a reguladores da Flórida 18 meses antes de as acusações de fraude se tornarem públicas descrevem planos de investir US$ 20 milhões ao longo de cinco anos para contratar equipe de vendas, lobistas e cobrir despesas de marketing. O financiamento inicial viria de aportes de capital do Banco Master no Brasil, segundo os documentos.

A Salarly informou a reguladores da Flórida que não era controlada pelo Banco Master, embora o banco detivesse uma nota conversível em sua controladora. A empresa não forneceu mais detalhes.

O diretor de compliance da Salarly não quis comentar.

©️2026 Bloomberg L.P.

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