A decisão é da primeira instância e o governo poderá recorrer
The post Caso Master: Justiça impede DF de usar imóvel de R$ 2,3 bi em aporte no BRB appeared first on InfoMoney.
A Justiça do Distrito Federal impediu o governo Ibaneis Rocha (MDB) de usar um imóvel estimado em R$ 2,3 bilhões no plano de capitalização do Banco de Brasília (BRB) desenhado para cobrir o rombo do Banco Master.
O imóvel embargado é a “Gleba A”, uma área de 716 hectares de propriedade Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília). É uma área situada em uma região de proteção ambiental situada um território conhecido como Serrinha do Paranoá.
A decisão é da primeira instância e o governo poderá recorrer.
O governo apresentou nove imóveis para serem vendidos, transferidos ao BRB, estruturados em um fundo imobiliário ou oferecidos como garantia em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para socorrer o BRB.
Na lista, a Gleba A é o terreno mais caro, estimado em R$ 2,3 bilhões – ainda não há, no entanto, um laudo atualizado.
Vorcaro pesquisou juiz do caso Master um dia antes de prisão em 2025, diz jornal
Registros reforçam suspeita de que ex-banqueiro monitorava apuração sigilosa
De Lulinha a Master, CPI entra na reta final sob atritos
Prazo final da comissão, estipulado para 28 de março, se aproxima sem sinal de permissão para extensão por parte de Alcolumbre ou do STF
A decisão foi dada pelo juiz Carlos Frederido Maroja de Medeiros com base em um ação apresentada pela senadora Leila Barros (PDT-DF), pelo presidente do Partido Verde e ex-secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal, Eduardo Brandão, pelo deputado federal Reginaldo Veras (PV-DF) e pela dirigente nacional do PV, Rayssa Tomaz.
Na semana passada, outra decisão judicial chegou a barrar o uso de todos os imóveis no aporte, mas foi revertida após recurso do governo.
O BRB cancelou uma assembleia de acionistas que discutiria o plano de capitalização. O banco tem até o dia 31 de março para apresentar o balanço de 2025 e propor uma solução para cobrir os prejuízos deixados pelo Master. Como o Estadão mostrou, a instituição quer adiar o prazo.
Juiz impõe multa de R$ 500 milhões caso governo do DF descumpra decisão
O magistrado impôs uma multa de R$ 500 milhões caso o governo viole a determinação. Além disso, alertou para a possibilidade de responsabilização pessoal por “improbidade administrativa e crime de desobediência à autoridade recalcitrante”, que pode atingir diretamente o governador Ibaneis Rocha e outras autoridades do DF.
“A região da Serrinha está sendo anunciada à venda para salvar o BRB de uma iminente falência, provocada por desastrosas negociatas com um banco que há muito despontava como algo no mínimo suspeito em meio ao sistema financeiro”, diz o magistrado na decisão. “Para salvar o banco oficial do debacle provocado pela mais pura má gestão, torra-se às pressas o patrimônio imobiliário do povo, com pouca ou nenhuma atenção para aspectos que não representem dinheiro no mínimo tempo possível”, afirma o juiz.
O juiz destacou os aspectos ambientais do terreno para impedir seu uso no projeto do BRB. “Um uso compatível com a sensibilidade ambiental de uma área que é no mínimo próxima a nascentes e comporta um dos cada vez mais raros espaços remanescentes de Cerrado em Brasília certamente – ou idealmente – não deveria ser o de simplesmente entrega-la à especulação imobiliária. Parques, por exemplo, também são equipamentos urbanos de elevada importância, e seria algo bem mais coerente com a vocação do local.”
Conforme o Estadão mostrou, Ibaneis ignorou dois pareceres jurídicos da Procuradoria Geral do Distrito Federal ao propor o uso de imóveis na capitalização do BRB. Uma resolução de 2023 da Terracap, proprietária do terreno, proíbe expressamente a concessão de empréstimos e garantias de qualquer espécie a acionistas, controladores e administradores. O Distrito Federal é dono de 51% da Terracap e a União é dona de 49%.
Além disso, a lei que criou a Terracap (de 1972) não permite o uso de imóveis do patrimônio imobiliário para objetivos que não sejam a atividade fim da empresa, ou seja, a regularização fundiária e o desenvolvimento da capital.
Terreno virou alvo de ‘disputa de pareceres’
A “Gleba A” virou alvo de uma “disputa de pareceres” após a inclusão do imóvel para salvar o BRB. A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) indicou em estudo a existência de áreas de preservação permanente (APP) e nascentes no imóvel. O órgão afirmou que o uso exige licenças ambientais e urbanísticas, com manutenção de no mínimo 50% da área total como permeável e verde.
Um parecer técnico elaborado pelo governo do Distrito Federal contestou as conclusões, afirmando que não existe uma indicação geográfica do que seria a “Serrinha do Paranoá” e que não existem ocupações nem áreas de preservação permanente no imóvel inserido no projeto. A conclusão também contradiz as análises da consultoria da Câmara Legislativa do DF, que apontaram interesse ambiental na área.
The post Caso Master: Justiça impede DF de usar imóvel de R$ 2,3 bi em aporte no BRB appeared first on InfoMoney.
InfoMoney