12 de abril de 2026

​Coleção de relógios antigos vai a leilão e pode arrecadar mais de R$ 75 milhões 

Com mais de 300 peças raras reunidas por um único colecionador — incluindo um raro Cartier Crash de 1987 — leilões em Hong Kong, Genebra e Nova York destacam o boom global pelo vintage da maison francesa
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(Bloomberg) — Uma coleção recorde de relógios vintage da Cartier, abrangendo quase um século dos designs mais cobiçados da maison, será leiloada na Sotheby’s, com vendas começando em Hong Kong ainda neste mês.

Intitulada “The Shapes of Cartier: The Finest Vintage Grouping Ever Assembled” (“As Formas da Cartier: O Melhor Conjunto Vintage Já Reunido”), a seleção deve arrecadar mais de US$ 15 milhões ao longo dos leilões da casa em Hong Kong, Genebra e Nova York até dezembro. Ela reúne mais de 300 relógios e representa um quarto de século de colecionismo de um único conhecedor, que buscou os melhores exemplares de cada um dos ateliês históricos da Cartier em Paris, Londres e Nova York.

A joia da coroa do lote em Hong Kong é um raro Cartier London Crash em ouro amarelo de 1987, que se acredita ser um de apenas três produzidos naquele ano, estimado entre US$ 400.000 e US$ 800.000. O Crash, com sua caixa deliberadamente distorcida, é um dos designs mais infames da relojoaria, concebido originalmente em 1967 nos ateliês da Cartier na Bond Street. Sua silhueta derretida e assimétrica não foi acidente, sendo fruto da mente de Jean-Jacques Cartier e de seu designer-chefe Rupert Emmerson. Acredita-se que menos de uma dúzia de exemplares originais tenha sido produzida entre 1967 e 1970.

Um raro e icônico relógio feito em 1987 – um de apenas 3 exemplares produzidos naquele ano (Foto: Sothebys)

Além do Crash, a coleção abrange todos os designs da Cartier que definiram épocas — do Santos, o primeiro relógio de pulso da marca, ao Tank, Baignoire, Cintrée e Octagonal.

“Essa coleção é notável não apenas por sua amplitude, mas por sua profundidade — especialmente em sua montagem sem precedentes de peças Cartier London, muitas das quais estão entre os exemplares mais importantes que já apareceram no mercado”, disse Sam Hines, chairman global da divisão de relógios da Sotheby’s, em comunicado.

A Cartier, joia da coroa da Cie Financière Richemont SA de Johann Rupert, vive um renascimento cultural. Em seu último ano fiscal, a Richemont registrou receita recorde, superando 20 bilhões de francos suíços (US$ 25 bilhões), com a divisão Jewellery Maisons — liderada pela Cartier — como principal motor de crescimento. Analista do Vontobel, Jean-Philippe Bertschy estima que só a Cartier responda por 53% das vendas totais da Richemont.

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Esse poder financeiro está sendo turbinado por uma mudança geracional de desejo. Antes domínio de colecionadores estabelecidos, a Cartier se tornou o grande símbolo do luxo para Millennials e a Geração Z. Seus relógios aparecem nos pulsos de Lana Del Rey e Dua Lipa, enquanto Timothée Chalamet e Dwyane Wade consolidaram suas credenciais de cool também entre o público masculino.

O vintage da Cartier, em particular, virou a obsessão máxima dos colecionadores. Diferentemente do mercado de relógios esportivos, fortemente especulado, as peças históricas da Cartier recompensam o conhecimento aprofundado — de referências obscuras, contrastes, punções e da procedência dos ateliês.

A produção da Cartier London, realizada durante a fase mais experimental da maison entre 1967 e 1974 sob o comando de Jean-Jacques Cartier, é considerada um dos trabalhos mais ousados criativamente na relojoaria do século XX: peças como a Decagonal, a Octagonal e a Asymétrique foram produzidas em tiragens minúsculas e raramente apareceram em leilões.

Após o primeiro lote em Hong Kong em 24 de abril, os leilões Important Watches da Sotheby’s seguirão em Genebra em 10 de maio e em Nova York em 15 de junho.

© 2026 Bloomberg L.P.

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