10 de abril de 2026

​Com Líbano em chamas e Ormuz fechado, EUA e Irã chegam às negociações no Paquistão 

Delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, e Trump disse estar “muito otimista”; Irã não confirmou oficialmente sua equipe
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Os Estados Unidos e o Irã se sentam à mesa neste sábado (11) em Islamabade para as primeiras negociações presenciais desde o início da guerra, num encontro que começa sob pressão crescente: o cessar-fogo de duas semanas anunciado na terça-feira (7) já mostra rachaduras, o Estreito de Ormuz segue efetivamente fechado e os ataques de Israel no Líbano continuaram nesta sexta-feira (10), com o Hezbollah respondendo com foguetes ao norte de Israel.

A delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. O Irã não confirmou oficialmente sua equipe, mas veículos locais indicam que o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, estará à frente das negociações. O Paquistão, mediador do cessar-fogo, receberá as duas delegações em Islamabade.

Trump disse à NBC estar “muito otimista” em relação a um acordo de paz, afirmando que líderes iranianos têm demonstrado abertura para negociações em conversas privadas. Os EUA chegam ao encontro com uma proposta própria de 15 pontos. O Irã apresentou um plano de dez pontos que inclui condições já rejeitadas por Washington no passado, entre elas a continuidade do enriquecimento de urânio, a retirada de tropas americanas da região, o levantamento de todas as sanções e o pagamento de indenizações pelos danos de guerra.

O principal obstáculo antes mesmo do início das conversas segue sendo o Líbano. Na manhã desta sexta, o Hezbollah atacou soldados israelenses em Wata Al-Khiam com uma salva de foguetes e disparou contra a cidade israelense de Kiryat Shmona, declarando agir “em resposta às violações do cessar-fogo pelo regime israelense”. Na quinta-feira, o grupo havia disparado cerca de 30 foguetes contra o norte de Israel. Israel seguiu com operações terrestres no sul do Líbano ao longo da noite.

Os ataques de quarta-feira deixaram mais de 300 mortos e 1.150 feridos no Líbano, segundo autoridades de saúde do país, no dia mais letal desde o início do conflito. Israel destruiu a última ponte sobre o rio Litani, isolando o sul do país, e um porta-voz militar israelense declarou que a área ao sul do rio está “desconectada do Líbano”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou que Israel iniciará negociações diretas com o governo libanês sobre o desarmamento do Hezbollah, a pedido de Trump, mas deixou claro que os ataques continuarão durante as conversas. O Líbano respondeu que não haverá negociações “sob fogo”.

A Casa Branca e Netanyahu sustentam que o Líbano não integra o acordo de cessar-fogo. O Irã, o Paquistão e o Hezbollah defendem o contrário. O vice-presidente Vance disse que houve um “mal-entendido legítimo” sobre o escopo da trégua.

O quadro energético agrava o clima. O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado para o tráfego comercial, com poucas embarcações tendo completado a travessia desde o anúncio da trégua. O CEO da empresa de petróleo estatal de Abu Dhabi afirmou que o estreito “não está aberto” e que a passagem está sujeita a “condições e pressão política” por parte do Irã. A Arábia Saudita confirmou ataques ao seu oleoduto leste-oeste, com perda de cerca de 700 mil barris por dia, sua principal rota alternativa ao estreito bloqueado. Trump alertou o Irã contra a cobrança de pedágios na passagem e pediu medidas concretas urgentes à OTAN para ajudar a garantir a segurança do estreito.

Um assessor sênior do líder supremo iraniano, Kamal Kharazi, morreu nesta quinta-feira dos ferimentos sofridos em um ataque americano-israelense que também matou sua esposa. Em entrevista à CNN em março, Kharazi havia dito não ver espaço para diplomacia e previsto que a guerra só terminaria pela pressão econômica que causaria.

(com BBC, The Guardian e Reuters)

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