11 de abril de 2026

​Como avanço de carros elétricos chineses acende alerta para locadoras no Brasil 

O alerta ganhou força após dados divulgados pelo Autodata mostrarem que o BYD Dolphin Mini ficou entre os dez veículos mais vendidos do Brasil em março
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A rápida expansão das montadoras chinesas no mercado brasileiro de veículos começa a gerar novas preocupações para o setor de locação, especialmente no que diz respeito à formação de preços e à depreciação das frotas.

Para Goldman Sachs e Bradesco BBI, o crescimento da presença desses modelos — sobretudo os de entrada — pode pressionar o mercado de carros novos e, por consequência, impactar empresas como Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3).

O alerta ganhou força após dados divulgados pelo Autodata mostrarem que o BYD Dolphin Mini ficou entre os dez veículos mais vendidos do Brasil em março, com cerca de 7 mil unidades emplacadas, ocupando a nona posição no ranking mensal. O desempenho chama atenção não apenas pelo volume, mas pela velocidade de penetração do modelo no mercado.

Na avaliação do Goldman Sachs, considerando a sazonalidade típica de março — em torno de 10% acima do mês anterior — a participação de mercado do Dolphin Mini pode ter alcançado aproximadamente 5%, frente a cerca de 3% em fevereiro. O banco observa que esse avanço ocorreu em meio a uma promoção pontual da montadora chinesa, com melhores condições comerciais por 48 horas, o que pode ter inflado temporariamente os números.

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Ainda assim, o Goldman ressalta que o dado reforça a incerteza já discutida em relatórios recentes sobre a entrada e o ganho de popularidade de veículos chineses de entrada no Brasil. “Esse movimento pode levar a pressões sobre preços, em dinâmica semelhante à observada no mercado de SUVs em 2023”, aponta o banco.

O Goldman destaca que a intensificação da concorrência no mercado de veículos novos levanta preocupações relevantes. A leitura é que preços mais baixos no mercado primário podem se traduzir, ao longo do tempo, em maior depreciação das frotas ou em redução dos preços de venda para locadoras, afetando a rentabilidade futura do setor.

Assim, no fim da última semana, o banco americano rebaixou a recomendação para os ativos RENT3 da Localiza, com preço-alvo de R$ 50.

De acordo com o banco, para cada 1% de variação nos preços dos carros novos no Brasil, estima-se um impacto de R$ 570 milhões no valor contábil da frota. Considerando um ciclo de vida dos veículos de 18 meses, isso implicaria um impacto negativo no lucro líquido anual de cerca de R$ 300 milhões, o equivalente a 6% do lucro esperado para 2027. Em 2024, a empresa já havia registrado um ajuste (impairment) de R$ 1,4 bilhão, cerca de 2,5% do valor da frota.

Participação chinesa pode chegar a 35% até 2035

O Bradesco BBI reforça essa leitura ao chamar atenção para o avanço estrutural das montadoras chinesas no Brasil. Segundo estimativas do ex-presidente da Anfavea, Rogélio Golfarb, essas marcas podem responder por cerca de 35% do mercado brasileiro de veículos até 2035, ante aproximadamente 10% em 2024 e uma projeção de 20% para 2030.

De acordo com Golfarb, mesmo com a migração gradual para a produção local, as montadoras chinesas devem manter elevada competitividade, sustentada não apenas por subsídios, mas por ganhos de escala, integração produtiva e acesso a componentes importados de baixo custo — especialmente em tecnologias mais avançadas, como veículos elétricos e híbridos.

Na visão do Bradesco BBI, essa expansão tende a ter impacto relevante sobre o setor de locação, com potencial pressão adicional sobre as despesas de depreciação tanto da Localiza (RENT3) quanto da Movida (MOVI3). Ainda assim, o banco avalia que os efeitos podem ser administráveis, considerando alguns fatores mitigadores já mapeados em análises anteriores.

Entre eles estão os preços médios mais elevados dos veículos, maior foco das locadoras em SUVs, segmento historicamente mais resiliente, elevação das tarifas de importação, que limita políticas de desconto muito agressivas, e Condições comerciais mais favoráveis para empresas de locação, que preservam parte do poder de barganha do setor.

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