9 de fevereiro de 2026

​Contravenção e máfia dos cigarros: os crimes que o bicheiro Adilsinho é acusado 

Contra ele há quatro mandados de prisão preventiva em aberto por homicídio e um por organização criminosa
The post Contravenção e máfia dos cigarros: os crimes que o bicheiro Adilsinho é acusado appeared first on InfoMoney.  

Alvo de uma operação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), nesta quinta-feira, por ser apontado como mandante do assassinato de Fabrício Alves Martins de Oliveira que, segundo as investigações, atuava na venda de cigarros ilegais, o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho coleciona uma lista de crimes pelos quais é investigado no Rio e também em outros estados. Contra ele, que é considerado foragido pelas autoridades de segurança fluminenses, há cinco mandados de prisão preventiva em aberto — quatro por homicídio e um por organização criminosa.

Os mandados de prisão por homicídio referem-se, além da execução de Oliveira, às mortes de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri; de seu segurança, Alex Sandro José da Silva, o Sandrinho; e de Fábio de Alamar Leite. Todos os crimes ocorreram em 2022.

Marquinhos Catiri: para a DHC, a morte dele teve como motivação uma territorial, envolvendo pontos do jogo do bicho e máquinas de caça-níqueis. A vítima era braço direito do bicheiro Bernardo Bello, ex-marido de Tamara Garcia, filha do contraventor Waldemir Paes Garcia, o Maninho. Catiri foi assassinado numa academia de musculação que teria sido montada para seu uso exclusivo, na comunidade do Guarda, em Del Castilho, na Zona Norte do Rio. Ele era suspeito de comandar uma milícia. Alex Sandro José da Silva; o Sandrinho, foi executado no mesmo local.

Leia também

Edinho Silva diz que Haddad será candidato “ao que ele quiser” em eleições

Ministro da Fazenda já afirmou o desinteresse em disputar eleições, mas é pressionado por membros do partido a disputar cargo em São Paulo

Lula: É a primeira vez que trabalhadores estão recebendo seu contracheque sem IR

A fala do presidente foi durante uma reunião para anunciar novidades do acordo judicial para a regularização fundiária da Gleba da Quinta do Lebrão, em Teresópolis (RJ)

Fabrício Alves Martins de Oliveira: a morte dele, para os investigadores, está relacionada à máfia do cigarro. Oliveira estava num posto de gasolina na Estrada do Mendanha, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, quando, segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), atiradores chegaram “de modo coordenado, em atividade típica de grupo de extermínio”. Ele foi atingido por 14 tiros de fuzil e de pistola Os três suspeitos de atirar contra Fabrício são: o policial militar Daniel Figueiredo Maia, José Ricardo Gomes Simões e Alex de Oliveira Matos, o Faraó. Eles também foram alvos da operação desta quinta-feira. Maia e Simões estão presos. Faraó é considerado foragido.

Fábio Alamar Leite: ele saía do enterro de Oliveira — de quem havia sido sócio numa empresa de caminhões de transporte de gelo —, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio, quando foi baleado. Os assassinatos foram num intervalo de dois dias.

 Expansão territorial

Em fevereiro de 2021, o goiano Bruno Vinícius Nazon Moraes Borges, dono de uma bet que tentava se estabelecer no Maranhão, foi executado a tiros no litoral de São Luís. O inquérito apontou que os autores do crime eram dois homens da escolta pessoal de Adilsinho, que viajaram mais de três mil quilômetros, de avião e de carro, para assassinar Borges.

Agentes da Polícia Federal também identificaram ramificações da operação da quadrilha de Adilsinho em Minas Gerais, para onde os cigarros falsificados eram enviados para venda, e no Espírito Santo, onde a organização criminosa mantinha uma fábrica clandestina.

Festa no Copacabana Palace

Além da ligação com a contravenção e com a máfia do cigarro, Adilsonho entrou para a história do icônico Copacabana Palace. Em maio de 2021, em plena pandemia de Covid-19, ele atraiu os holofotes ao fazer uma festa black-tie no lendário hotel. O contraventor recebeu 500 parentes, amigos e artistas para comemorar seu aniversário. Na época, os convites enviados foram em formato de vídeo com a trilha sonora da trilogia “O Poderoso Chefão”, que narra a saga dos mafiosos da família Corleone.

Banca ‘Paratodos’

Adilsinho nasceu em maio de 1970 em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, numa família de bicheiros que agia naquela região. O pai era sócio da banca “Paratodos” e logo enriqueceu com a jogatina. Todos se mudaram para o Leblon, bairro abastado na Zona Sul da capital, onde o contraventor passou a infância e a juventude. E ainda novo começou a se envolver nos negócios ilegais que viria a herdar.

Foi na contravenção — baseada no monopólio e na corrupção policial — que Adilsinho buscou inspiração para começar a construir seu império, que conta com pelos menos 34 PMs em sua escolta. A Polícia Federal aponta que, a partir de 2018, ele passou a reinvestir o dinheiro do jogo ilegal na produção e comercialização de cigarros clandestinos, vendidos abaixo do preço mínimo fixado por decreto.

The post Contravenção e máfia dos cigarros: os crimes que o bicheiro Adilsinho é acusado appeared first on InfoMoney.

 InfoMoney