21 de fevereiro de 2026

​Crise em Cuba coloca em risco a existência de mais de 9 mil pequenos negócios 

Estudo aponta que 96,4% das PMEs cubanas são dependentes de combustível para sobreviver e devem sofrer um impacto entre o severo e o catastrófico por conta de bloqueio
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A crise energética enfrentada por Cuba, agravada com o bloqueio de envios de combustível para a ilha caribenha praticado pelos Estados Unidos, está levando milhares de pequenas e microempresas do país a terem sua existência ameaçada. Um estudo da consultoria Auge e publicado neste mês aponta que 96,4% das PMEs cubanas são totalmente dependentes de combustível para sobreviver e devem sofrer um impacto entre o severo e o catastrófico caso a crise se estenda demais.

A pesquisa da consultoria listou 9,2 mil micro, pequenas e médias empresas privadas que estão encarando um cotidiano de apagões que duram até 20 horas e uma escassez de combustível que gera preços no mercado paralelo de até US$ 6 por litro.

Os impactos são variados. As 7.491 (81,1% do total) empresas de setores em que o combustível é parte do processo produtivo e estão classificadas como críticas, não conseguem realizar atividades como ligar maquinário, cozinhar, refrigerar insumos ou produtos, transporte e irrigação. O estudo cita como exemplos concretos oficinas têxteis paradas e restaurantes que perdem todo seu estoque por falta de refrigeração.

Outras 1.413 (15,3%) enfrentam um impacto alto, que pode levá-las ao fechamento se a crise se prolongar. Nesses casos, as dificuldades são as comuns de quem precisa de eletricidade para iluminação, especialmente no comércio e escritórios. Esses locais ainda conseguem operar com a luz do dia, mas só conseguem vender produtos não perecíveis.

Os 332 pequenos negócios com risco moderado (3,6% do total) podem resistir sem ter sua existência ameaçada, mas necessitam de alguma adaptação. São serviços, como os de consultores, que conseguem operar enquanto a bateria de seus notebooks durar.

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O estudo usa dados oficiais do Anuário Estatístico de Cuba 2024 (ONEI) e alerta que, por trás de cada número, há um empreendedor, uma família, um projeto de vida. “Essas 9.236 mipymes não são apenas estatísticas: são o esforço de milhares de cubanos que apostaram em construir algo próprio na última década. Elas não formam um setor marginal: representam o tecido produtivo mais dinâmico surgido desde a abertura de 2010”, comenta Oniel Díaz Castellanos, autor do estudo.

Ele diz ainda que o relevante não é apenas o tamanho, e sim onde estão essas empresas e o que fazem. Por exemplo, a capital Havana concentra 43% do tecido empresarial privado do país. Assim, o que acontecer na capital — os apagões, a pouca disponibilidade de combustível, as medidas de importação — determinará o destino de quase 4.000 empresas.

Em dezembro de 2025, a AUGE já havia entrevistado 175 dirigentes das micro, pequenas e médias empresa para seu primeiro Estudo de Clima Empresarial. Na ocasião, a ameaça de uma crise energética aparece não como uma preocupação abstrata, mas como uma vulnerabilidade operacional real.

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Um número significativo de empresas já havia feito investimentos para mitigar seu impacto. “O estudo revelou que 48% das empresas já tinham realizado investimentos para lidar com a crise energética: painéis solares, geradores, baterias. O que então era uma medida preventiva, hoje é condição de sobrevivência”, diz a consultoria.

Mas havia também um dado inquietante: os 52% restantes não puderam ou não priorizaram esse investimento. Para elas, a paralisação agora é iminente.

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