Uso de trackings eleitorais pelo chefe da Secom gera atritos ao propor costuras polêmicas e ajustes em rotas de ministérios
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No cargo há pouco mais de um ano, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, tem expandido o uso de pesquisas e dos chamados trackings eleitorais, além do monitoramento de redes sociais, para nortear decisões do governo e sugerir alianças nos estados. A postura passou a gerar incômodo em parte dos aliados e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que veem riscos na estratégia.
A avaliação desses auxiliares é que as iniciativas de Sidônio extrapolam a área de comunicação e levam o governo a tomar decisões que não são baseadas em cálculos políticos aprofundados, mas no humor efêmero do eleitor captado por meio das plataformas digitais. Procurado, o ministro não comentou.
A influência do chefe da Secom nas decisões do governo é atribuída à ampla confiança que ele tem de Lula. Marqueteiro da campanha vitoriosa de 2022, quando construiu e estreitou uma relação com o presidente, Sidônio é dono de agências de comunicação, das quais se afastou em janeiro do ano passado para assumir o cargo no Planalto.
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Nos primeiros meses após a sua chegada, alguns integrantes do governo diziam que o novo ministro da Secom tentava fazer com que o Planalto funcionasse em ritmo de campanha, sem levar em conta que na gestão federal é muito mais complexo fazer mudanças repentinas de posicionamento.
Resistências em Minas
A última iniciativa vista com ressalvas atribuída a Sidônio foi a de colocar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como opção para ser o candidato de Lula ao governo de Minas Gerais. O presidente está com dificuldade de montar um palanque no estado. Em entrevista ao portal UOL, na quinta-feira passada, disse que ainda sonha convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) a concorrer. O parlamentar, porém, resiste.
Lideranças do PT descartam o plano devido à forte oposição de Cleitinho ao partido e alinhamento radical ao bolsonarismo. Avaliam que a aliança confundiria o eleitor, já que o senador critica Lula e nega a tentativa de golpe de 8 de janeiro, além de considerarem que o parlamentar jamais faria campanha para o presidente.
Esse não foi, contudo, o primeiro incômodo criado por iniciativas de Sidônio com base em pesquisas. Ele já havia causado mal-estar com a ideia de criar uma secretaria vinculada à Casa Civil voltada à segurança pública. A sugestão foi apresentada a Lula como resposta à preocupação que o tema gerou na população após a operação policial mais letal da história do Rio no fim de outubro, que deixou 122 mortos.
Ministros chegaram a ser chamados para debater a ideia, que causou desconforto ao então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Naquele mesmo dia, Lula o ouviu falar pela primeira vez em deixar o cargo. Lewandowski concretizaria a sua saída do governo em 9 de janeiro.
Em janeiro de 2025, dois dias após assumir o cargo, o chefe da Secom mostrou sua força junto a Lula ao vencer um embate com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Sidônio convenceu o presidente a editar uma medida provisória para revogar a norma da Receita Federal que havia instituído a fiscalização de transações via Pix. Para os críticos de Sidônio, a edição da MP ajudou a consolidar as informações falsas de que o governo tinha a ideia de taxar o Pix.
Para este ano, o presidente já afirmou a ministros mais próximos que gostaria que o chefe da Secom permanecesse no governo, fora da eleição. O PT vai contratar o marqueteiro Raul Rabelo, sócio de Sidônio, para cuidar da pré-campanha. No partido, é discutida a hipótese de o ministro se juntar à campanha só no meio do ano.
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