Presidente do BC disse não haver culpa por parte de Roberto Campos Neto no tema
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Integrantes do governo manifestaram nos bastidores irritação com o fato de o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não ter apontado responsabilidade de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no escândalo do Banco Master, durante depoimento à CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira.
A ida de Galípolo à comissão foi debatida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com auxiliares. A avaliação na conversa foi que valeria Galípolo atender ao convite da CPI para depor se fosse para falar de Campos Neto.
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Campos Neto falta pela 3ª vez à CPI do Crime Organizado
Desta vez, o requerimento convocando Campos Neto foi feito pelo relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
O Planalto e o PT têm propagado que o escândalo Master é resultado da falta de ação do chefe da autoridade monetária indicado para o cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas ao ser perguntado nesta quarta-feira sobre a responsabilidade do antecessor, Galípolo respondeu:
“Não há nenhum processo de auditoria ou sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto.”
Em outro momento, o presidente da CPI, o petista Fabiano Contarato (ES), insistiu se Galípolo tinha algum conhecimento de que Campos Neto tenha atuado para evitar a liquidação ou intervenção no Master ao longo de 2024.
“A sindicância que foi feita não encontrou nada nesse sentido”, respondeu.
Também nesta quarta-feira, em entrevista ao ICL Notícias, Lula voltou a culpar o antecessor de Galípolo pelo escândalo do Banco Master.
“Sabe, qual a serpente que colocou o ovo? O senhor Roberto Campos.”
A postura de Galípolo de não endossar as acusações do governo contra Campos Neto se somam a um descontentamento no Planalto com o presidente do Banco Central em razão da demora da instituição de iniciar a redução da taxa de juros.
Lula, apesar de evitar criticar publicamente o chefe da autoridade monetária que indicou para o cargo no fim de 2024, tem manifestado nos bastidores decepção com o seu escolhido. Em junho de 2024, antes de anunciar que o indicaria para comandar o BC, o presidente chegou a se referir a Galípolo como “menino de ouro”.
Havia uma expectativa que após Galípolo assumir a presidência do Banco Central em janeiro de 2025, tivesse início a redução da Selic. Mas isso só aconteceu em março deste ano, quando o Comitê de Política Monetária cortou a taxa em 0,25 ponto percentual para 14,75%.
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