16 de fevereiro de 2026

​Do “pai dos pobres” ao “vampirão”: presidentes já viraram samba 

De Vargas a Lula, desfiles exaltaram, criticaram ou satirizaram chefes do Executivo
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A presença de presidentes da República na Marquês de Sapucaí e em outras avenidas do samba do país não é novidade. Ao longo das décadas, agremiações transformaram chefes do Executivo em símbolo de projetos nacionais, personagens históricos ou alvos de crítica social. A forma e o contexto de cada homenagem, no entanto, variaram conforme o momento político.

A seguir, como cada presidente foi retratado na avenida:

Getúlio Vargas

1956 – Mangueira: “Exaltação a Getúlio Vargas – Emancipação Nacional do Brasil”
Foi a primeira vez que uma escola levou um presidente à condição de enredo. O desfile celebrou Vargas como figura central do nacionalismo e da industrialização brasileira, em tom laudatório poucos anos após seu suicídio, em 1954.1985 – Salgueiro: “Anos Trinta, Vento Sul”
A escola revisitou o período da década de 1930, quando Vargas chegou ao poder, situando o presidente em um contexto histórico mais amplo, com ênfase nas transformações sociais e políticas do país.2000 – Portela: “Trabalhadores do Brasil: a época de Getúlio Vargas”
No Carnaval temático dos 500 anos do Brasil, a Portela retomou a Era Vargas como marco da legislação trabalhista e da construção do Estado moderno, conectando o período ao imaginário do “pai dos pobres”.

Juscelino Kubitschek

1981 – Mangueira: “De Nonô a JK”
O enredo percorreu a trajetória pessoal e política de JK, destacando a construção de Brasília e o discurso desenvolvimentista dos “50 anos em 5”. O desfile apostou na imagem de modernização e progresso associada ao ex-presidente.

Luiz Inácio Lula da Silva

Um carro alegórico representando o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva desfila enquanto foliões da escola de samba Acadêmicos de Niterói se apresentam durante o Carnaval do Rio de Janeiro, Brasil, em 15 de fevereiro de 2026. REUTERS/Ricardo Moraes

Lula é o presidente mais retratado pelas escolas de samba e o único a se tornar tema central enquanto ocupa o cargo.

2003 – Beija-Flor: “O povo conta a sua história: saco vazio não para em pé”
Dois meses após a posse no primeiro mandato, o desfile associou o novo governo ao combate à fome e à desigualdade. Lula apareceu como símbolo da ascensão social e das políticas voltadas às camadas populares.2012 – Gaviões da Fiel (SP): “Verás Que o Filho Fiel Não Foge à Luta – Lula, o Retrato de Uma Nação”
A escola paulista construiu um enredo biográfico, reconstituindo a trajetória do ex-metalúrgico até a Presidência. A narrativa exaltou a superação pessoal e o papel político de Lula.2023 – Cidade Jardim (BH): “Sem medo de ser feliz”
A escola mais antiga de Belo Horizonte dedicou o desfile ao presidente, retomando símbolos históricos ligados ao PT e à militância política.2026 – Acadêmicos de Niterói (RJ): “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”
O enredo percorreu a infância no Nordeste, a atuação sindical e a chegada ao Planalto. O desfile incluiu referências políticas contemporâneas e gerou debate por ocorrer em ano eleitoral, com Lula no exercício do mandato.

Fernando Collor

1991 – São Clemente: “Já vi este filme”
O desfile utilizou linguagem satírica para criticar ciclos políticos repetidos no Brasil. O governo Collor foi associado ao confisco da poupança, medida econômica adotada no ano anterior, que marcou negativamente sua gestão.

Dilma Rousseff

2012 – Vai-Vai (SP): “Mulheres que Brilham”
Dilma foi citada como exemplo de liderança feminina na política. O desfile tratou da presença das mulheres em posições de poder e mencionou a presidente como símbolo dessa conquista institucional.

Michel Temer

Reprodução TV Globo2018 – Paraíso do Tuiuti: “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”
A escola apresentou uma crítica social com forte carga política. Temer foi representado como um “vampiro neoliberalista”, alegoria que remetia às reformas trabalhista e previdenciária e se tornou um dos momentos mais comentados daquele Carnaval.

Jair Bolsonaro

Crédito: Foto: Reprodução/Twitter Reimont2020 – Acadêmicos de Vigário Geral (RJ): “O conto do vigário”
Um dos carros alegóricos incluiu personagem associado ao ex-presidente, em tom crítico.2020 – São Clemente (RJ): “O conto do vigário”
A escola usou humor e referências a bordões do governo, com representação caricatural ligada à figura presidencial.2022 – Rosas de Ouro (SP): “Sanitatem”
O desfile apresentou personagem com faixa presidencial que, ao receber vacina, se transformava em jacaré — referência a declarações de Bolsonaro durante a pandemia.

Ao longo do tempo, presidentes foram exaltados quando associados a projetos nacionais ou criticados em contextos de tensão política e social.

A novidade de 2026 está menos na presença de um presidente na avenida — prática já consolidada — e mais na combinação entre enredo central, exercício do mandato e calendário eleitoral em curso.

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