Governador tem sustentado nos bastidores que disputa contra o PT é difícil e aposta em dois nomes ideológicos seria arriscada; plano frustraria Eduardo
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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu, em encontro recente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, uma composição ao Senado com um nome ideológico e outro de centro em São Paulo, como forma de neutralizar os adversários de esquerda. O plano frustraria políticos bolsonaristas que trabalham pela chamada “segunda vaga”, como o pastor Marco Feliciano (PL) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que tenta manter influência nos rumos da campanha paulista.
A primeira vaga está encaminhada com o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública que deve a sua ascensão política ao bolsonarismo e ao discurso linha-dura adotado enquanto ex-integrante da Rota. Nesta quarta-feira, 4, após evento de anúncio da construção de moradias populares no Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio fez questão de dizer que, “sem dúvida nenhuma”, o aliado estará nas urnas representando o grupo político.
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Derrite teve a gestão contestada na pasta devido ao aumento na letalidade policial e a sucessivos flagrantes de violência, além de operações sangrentas na Baixada Santista, mas recebeu elogios do antigo chefe pela redução nos principais indicadores de criminalidade no período. Outro que crava a candidatura, de modo independente, mas congestionando o campo da direita, é o deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro.
Segundo aliados, o governador tem demonstrado preocupação com a possibilidade de não eleger senadores de seu grupo político em outubro, principalmente se um dos escolhidos para representar o presidente Lula (PT) for o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e um segundo nome escalado tenha menor rejeição no estado. A aposta em uma dobradinha bolsonarista seria insuficiente para garantir as duas vagas e abriria espaço para a dispersão de votos no eleitorado conservador moderado.
A equação é complexa porque Eduardo Bolsonaro era dado como candidato certo nas urnas até março do ano passado, quando decidiu viajar aos Estados Unidos alegando perseguição do Supremo Tribunal Federal (STF) e articular sanções contra autoridades brasileiras com o presidente americano, Donald Trump. O parlamentar, que teve o mandato cassado por faltas, defendeu como substituto o deputado estadual Gil Diniz (PL), conhecido como “Carteiro Reaça” e um dos alvos do inquérito das fake news, e o próprio Feliciano.
Além de Haddad, o presidente Lula (PT) tem considerado a possibilidade de escalar o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e três ministros para a chapa majoritária em São Paulo: Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente; Simone Tebet (MDB), do Planejamento; e Márcio França (PSB), do Empreendedorismo. O governador apontou, em conversas reservadas, que não acredita na possibilidade de França e Alckmin saírem candidatos. Desse modo, Marina e Simone seriam as candidatas com condições de ampliar o espectro de votos do PT no estado.
Publicamente, o governador afirma que a escolha será feita “mais para frente” e levará em conta os dados das pesquisas eleitorais:
— Vamos fazer pesquisa, testar os nomes, para a gente ver quem tem mais aptidão para concorrer a essa segunda vaga do Senado. A gente sabe que vai ser uma eleição dura, disputada, e vamos procurar os melhores nomes para sermos muito competitivos — declarou nesta quarta.
Partidos da base aliada como PL, PSD, PP, União Brasil, Podemos, MDB e o próprio Republicanos tentam emplacar protagonistas e suplentes ao Senado, além do vice-governador do estado. Há uma tendência, neste momento, que a vice continue com o PSD, segundo apurou o GLOBO, com favoritismo para o atual ocupante do cargo, Felício Ramuth. O arranjo estadual poderia até deixar de fora “das cabeças” o PL, pois uma tese que ganhou força é a de que a sigla estaria contemplada com o apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O grupo de postulantes bolsonaristas ainda envolve nomes como o deputado federal Mário Frias (PL), o deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos) e o vice-prefeito da capital paulista, tenente-coronel Ricardo Mello Araújo (PL). A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apoia a candidatura da deputada federal Rosana Valle (PL), mas ela demonstra resistência com a ideia. O deputado federal Cezinha de Madureira (PSD) conta com a simpatia da bancada evangélica. Dentro do MDB, uma possibilidade seria o deputado federal Baleia Rossi, presidente do partido.
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