10 de março de 2026

​Embraer depois da queda pós-balanço: houve mudanças na visão sobre as ações após 4T? 

Ações caíram cerca de 8% na sexta-feira e lideraram as perdas do Ibovespa após balanço
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Após divulgação do balanço do quarto trimestre e projeções para 2026, analistas de Goldman Sachs, JPMorgan e XP Investimentos revisaram suas avaliações sobre a Embraer (EMBR3), cujas ações caíram cerca de 8% na sexta-feira e lideraram as perdas do Ibovespa.

O Goldman Sachs manteve visão positiva para a Embraer após a divulgação dos resultados, destacando que a fabricante de aeronaves segue registrando forte demanda e ganho de participação de mercado em seus quatro segmentos de atuação.

Às 11h52 (horário de Brasília), as ações da companhia recuavam 1,48%, cotadas a R$ 78,95.

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Segundo o banco, esse cenário deve sustentar crescimento de receita de dois dígitos no médio prazo, apoiado por uma robusta carteira de pedidos (backlog). A instituição também aponta que a companhia vem melhorando suas margens operacionais e ainda tem espaço para expansão adicional, além de apresentar avanços na conversão de fluxo de caixa livre.

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Na avaliação do Goldman, a Embraer combina posição competitiva sólida, perfil consistente de crescimento e melhora no retorno sobre o capital. Mesmo após a recente volatilidade das ações, o papel é visto como atrativo, negociando a cerca de 11,1 vezes EV/EBITDA (valor da firma/ lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) estimado para 2026.

Diante desse cenário, o banco reiterou recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de US$ 80 por ADR (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York).

Projeções para Embraer

Segundo o JPMorgan, a fabricante brasileira incluiu em seu guidance para 2026 a premissa de tarifas de 10% nos EUA durante todo o ano, mesmo com a suspensão dessas medidas por pelo menos 150 dias desde 24 de fevereiro. Caso essas tarifas permaneçam zeradas, o banco estima que a margem EBIT (lucro antes de juros e impostos/receita líquida) da empresa poderia ficar entre 9,6% e 10,1%, acima da projeção oficial da companhia, que varia de 8,7% a 9,3%.

Ao excluir também os efeitos das tarifas sobre estoques já existentes, o JPMorgan calcula que a margem recorrente poderia chegar a uma faixa de 9,8% a 10,3% em 2026.

Em 2025, as tarifas norte-americanas tiveram impacto de US$ 54 milhões no EBIT da Embraer, entre abril e dezembro, além de cerca de US$ 25 milhões relacionados a estoques, que devem afetar os resultados de 2026 e 2027 — sendo dois terços no primeiro ano e um terço no seguinte.

O banco destaca ainda que a suspensão parcial das tarifas poderia gerar benefício próximo de US$ 25 milhões, o equivalente a cerca de 30 pontos-base na margem operacional, considerando o ponto médio do guidance divulgado pela empresa.

Mesmo após a recente fraqueza das ações — com queda de cerca de 14% na semana, frente a recuo de 5% do Ibovespa —, o JPMorgan avalia que a Embraer negocia a 9,9 vezes EV/EBITDA estimado para 2026, abaixo de pares globais como Airbus, Boeing e Bombardier.

Na avaliação do banco, a reação negativa recente do mercado pode abrir espaço para reprecificação caso o cenário de tarifas mais benigno se confirme ao longo de 2026.

O JPMorgan reiterou classificação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de US$ 80 por ADR.

Na avaliação da XP Investimentos, o guidance divulgado pela Embraer para 2026 veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, com projeção de EBIT em torno de US$ 752 milhões no ponto médio do intervalo, cerca de 6% abaixo do consenso.

Ainda assim, a casa destaca que as projeções estão em linha com suas próprias estimativas, refletindo uma combinação de receita líquida entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões — com ponto médio 4% abaixo do consenso, mas 1% acima das estimativas da XP —, além de margem EBIT entre 8,7% e 9,3% e fluxo de caixa livre (FCF) novamente acima de US$ 200 milhões.

Segundo a XP, o guidance pode até se mostrar conservador, já que ainda considera tarifas de importação de 10% nos Estados Unidos, o que abre espaço para potencial alta nas margens caso essas tarifas permaneçam zeradas.

A corretora também ressalta que a Embraer destacou iniciativas contínuas na cadeia de suprimentos para sustentar as entregas mais próximas do meio ao topo do intervalo de guidance. Além disso, a expectativa de book-to-bill acima de 1 vez em 2026 reforça a continuidade do forte ritmo de novos pedidos.

Em síntese, para a XP, as discussões da teleconferência de resultados reforçam diversos vetores de crescimento de médio prazo para a companhia, incluindo a possibilidade de parcerias nos Estados Unidos ou na Índia se converterem em pedidos firmes no futuro.

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