Flavio Cattaneo, CEO da empresa, afirmu que empresa tem feito tudo que é ‘humanemente’ possível para restabelecer energia após tempestades
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Alvo de críticas pelo serviço de distribuição de energia em São Paulo, a Enel tem mantido diálogo com autoridades para apresentar uma solução deficitiva para os apagões, mas o CEO da empresa italiana, Flavio Cattaneo, disse que “humanamente” a empresa tem feito tudo que é possível para solucionar rapidamente a falta de energia.
— Se permanecer esse jeito (queda de árvores sobre a fiação), só tem um capaz de gerenciar, mas este não é humano, é Jesus Cristo, porque não é possível de outro jeito evitar o apagão — afirmou o executivo, durante evento para a investidores e analistas de mercado realizado nesta segunda-feira, 23, em Milão.
Ele disse que São Paulo é única grande cidade em que a rede de distribuição é aérea e os fios passam no meio das árvores. Com mudanças climáticas, diz ele, as tempestades e o vento forte têm sido mais frequentes o que torna “impossível” evitar um apagão nessa situação. Mesmo diante das críticas, Cattaneo garantiu que não tem a intenção de vender a operação em São Paulo.
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Cattaneo reconheceu que a queda de árvores sobre a fiação torna mais lento o trabalho de reparo para restabelecimento da energia. Mas disse que os apagões não são um problema apenas da Enel.
— Na nossa visão, não se trata apenas de um problema da Enel — afirmou. O trabalho de poda de árvores em São Paulo é de responsabilidade da Prefeitira.
O CEO da Eenel afirmou que quando se aprova um investimento, é preciso de tempo para que ele seja implementado. E, esse prazo, nem sempre corresponde à expectativa da população.
— E levando em consideração as eleições, ninguém quer estar envolvido com a discussão relativa ao apagão — afirmou.
Em janeiro do ano passado, a Enel anunciou que investimentos de cerca de R$ 25,3 bilhões em suas operações no Brasil. Desse total, R$ 24 bilhões serão direcionados ao setor de distribuição de energia. O valor representou um aumento de 62% em relação ao plano anterior. Os recursos serão destinados às distribuidoras nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, reforçando a presença da companhia e a infraestrutura da rede elétrica dessas regiões.
Um vendaval em 10 de dezembro do ano passado deixou mais de 2,2 milhões de clientes da Enel sem energia na Grande São Paulo, com normalização do serviço levando mais de cinco dias em muitas áreas. Em 3 de novembro de 2023, a capital e a região metropolitana de São Paulo registraram ventos de mais de 100 quilômetros por hora, além de fortes chuvas. Árvores caíram, houve deslizamentos e a rede elétrica foi amplamente comprometida. Foi necessária quase uma semana para o restabelecimento total do serviço para os 2,1 milhões de clientes que ficaram sem luz após as chuvas.
Cattaneo disse que o departamento jurídico da Enel e a subsidiária brasileira já apresentaram às autoridades as melhorias feitas pela empresa em São Paulo, que teriam recuperado em 50% a qualidade do serviço em São Paulo no último ano. Ele citou o índice de Tempo Médio de Atendimento (TMA) da concessionária, que caiu de 832 minutos em 2023 para 434 minutos no ano passado.
O CEO da Enel disse que acredita no diálgo com as autoriodades para que se chegue a uma boa solução.
— Acredito numa boa base de diálogo para propor uma solução final que evite esse tipo de problema — afirmou.
O executivo disse que tanto no Ceará quanto no Rio de Janeiro, onde a empresa também tem a concessão de distrbuição de energia, as negociações para a prorrogação das concessões estão praticamente concluídas.
A Enel também anunciou o montante que opretende investir nos próximos três anos, ampliando o foco em energias renováveis, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, mercados considerados de ambiente regulatório mais estável.
Investimento de US$ 63 bilhões
O grupo, que é controlado pelo governo italiano, anunciou que pretende investir 53 bilhões de euros (US$ 63 bilhões) entre 2026 e 2028. Metade será destinada às redes de energia, e aproximadamente 38% vão para projetos de geração renovável, informou a empresa.
Cerca de 9 bilhões de euros serão investidos na América Latina, em países como Brasil, Colômbia e Chile, onde a Enel mantém operações. A companhia não detalhou os valor dos investimentos no Brasil, mas o país deve receber investimentos mais relevantes que os demais mercados pelo tamamho da operação.
Em apresentação a analistas e investidores realizada em Milão, o CEO destacou que o grupo segue buscando na região “uma estrutura mutuamente justa, equilibrando a sustentabilidade dos relevantes investimentos necessários com retornos justos e visíveis”.
No sábado, o grupo italiano anunciou um programa de recompra de ações no valor de 1 bilhão de euros, com prazo previsto até o fim de julho.
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