19 de março de 2026

​Eneva, Copel e mais: o que mudou para ações com maior leilão de reserva energética? 

Analistas apontam que leilão foi bastante positivo para Eneva e Copel, mas Axia e Engie arremataram projetos
The post Eneva, Copel e mais: o que mudou para ações com maior leilão de reserva energética? appeared first on InfoMoney.  

O tão esperado leilão histórico para reserva energética aconteceu na última quarta-feira (18) e envolveu diversas companhias de capital aberto na Bolsa, mas com empresas específicas – como Eneva (ENEV3) e Copel (CPLE3) – aparecendo com as suas teses mais beneficiadas pelo certame.

O leilão de capacidade (LRCAP) contratou cerca de 19 GW (gigawatts) de capacidade disponível entre 2026 e 2031, sendo 7,6 GW de ativos existentes e 10,6 GW de novos projetos, reduzindo o risco de suprimento elétrico no país.

“O resultado foi amplamente positivo para as geradoras participantes, especialmente Eneva e Copel”, destaca o BBI.

A Eneva contratou 5,0 GW de capacidade, incluindo 1,5 GW de ativos existentes e 3,5 GW de novas usinas termelétricas, superando expectativas de mercado. A companhia estima capex (investimentos) total de R$ 18,2 bilhões entre 2026 e 2031, com impacto potencial de elevação de valor presente líquido (NPV) de até R$ 18 bilhões considerando eventuais entradas de parceiros minoritários em Jandaia, Norte Fluminense e Presidente Kennedy. Jáa Copel contratou 1,86 GW em projetos hidrelétricos greenfield —expansões de FDA e Segredo —com geração potencial de valor estimada em R$ 5,7 bilhões.

Axia (AXIA3) e Engie (EGIE3) também arremataram projetos, mas com impacto financeiro menos material.

Para a XP Investimentos, com cerca de 19 GW de demanda contratada, o leilão atendeu às expectativas e entregou oportunidades relevantes de alocação (e redução de risco) para diversas companhias da nossa cobertura. 

Leia também

Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa reduz perdas e tenta manter os 179 mil pontos

Bolsas dos EUA recuam, enquanto barris de petróleo têm nova alta

Os analistas apontam um leilão grande, como esperado, mas com uma composição um pouco diferente. “Embora nós e o mercado esperássemos algo em torno de 20 GW de demanda no leilão, nosso cenário assumia que: i) cerca de 10 GW de capacidade térmica existente seriam recontratados (versus cerca de 8 GW de fato contratados); ii) cerca de 2 GW em UHEs seria uma estimativa razoável (o leilão contratou 2 GW) e iii) a nova capacidade térmica somaria ~8 GW (foram adicionados 10 GW de nova capacidade térmica). Essa composição se refletiu diretamente na performance de vários players listados”, destaca a XP.

No conjunto, ressalta o BBI, o leilão reforça perspectivas construtivas para as empresas vencedoras, ainda que a materialização plena dos resultados dependa da execução técnica e financeira dos projetos ao longo dos próximos anos

Confira as análises sobre o desempenho de cada empresa no leilão:

Eneva (ENEV3)

A XP aponta que a companhia foi, certamente, a grande vencedora do leilão, com 1,6 GW de ativos existentes recontratados e 3,5 GW de novos ativos contratados. “Nosso cenário base assumia que ela recontrataria cerca de 2 GW, enquanto conseguiria contratar 2,5 GW em novos ativos”, aponta a casa.

Os analistas ressaltam ser importante destacar que os novos projetos têm opções para entrada de minoritários como sócios (30% para os projetos Jandaia 2 & 3 e 49% para os projetos do “Hub Sudeste”). Se todas as opções forem exercidas, o crescimento “em jogo” obtido por ENEV seria equivalente a 2,5 GW vs. 2,1 GW no nosso cenário base.

Adicionalmente, a companhia mencionou em fato relevante que o capex total desses projetos pode chegar a R$ 18 bilhões, e também assinou contratos de suprimento de gás com terceiros participantes do leilão, que somam 5,5 milhões m³/dia em 2031 (o que estimamos poder adicionar pelo menos cerca de R$ 200 milhões em receitas anuais ao longo da vigência desses contratos).

“Vemos o desempenho de Eneva no leilão como um evento relevante de redução de risco para a tese, além de abrir novas oportunidades de monetização, especialmente com o desenvolvimento de um novo hub de GNL no sudeste do Brasil, posicionando a companhia mais próxima do grosso da demanda de gás no país e ampliando ainda mais as opcionalidades de longo prazo da companhia”, avalia.

O BBI aponta que o montante contratado e o perfil dos projetos são altamente incrementais, com potencial de elevar de forma relevante o valor justo estimado, mesmo após a forte reação positiva das ações no pregão. A oportunidade de entrada de parceiros tende a reforçar adicionalmente o impacto positivo sobre o NPV (valor presente líquido) dos projetos.

A análise de sensibilidade do Itaú BBA mostra um VPL total para os projetos contratados e contratos flexíveis variando de R$ 16,2 bilhões a R$ 19,7 bilhões, o que se traduziria em um preço-alvo potencial variando de R$ 28,6/ação a R$ 30,4/ação.

Copel (CPLE3)

Para a Copel, o ganho estimado de R$ 5,7 bilhões —com possibilidade adicional caso a entrada em operação seja antecipada para 2029 —reforça um pipeline de crescimento atrativo sem comprometer a disciplina financeira ou a política de dividendos, aponta o BBI.

Para a XP, uma demanda maior por capacidade hídrica permitiu que a Copel também conseguisse contratar a UHE Segredo. “Estimamos que FdA (Foz da Areia) e Segredo juntas tenham criado um VPL de R$ 1,6/ação, com cerca de R$ 5 bilhões em compromissos de capex, o que permite à companhia manter um equilíbrio saudável entre crescimento e dividendos. A Copel contratou 2,1 GW em capacidade hídrica, tornando-se uma das maiores vencedoras do leilão”, aponta o BBI.

O JPMorgan vê que a Copel também superou as expectativas do mercado ao contratar seus dois projetos hidrelétricos a preços máximos. “Recentemente, adicionamos a CPLE3 à nossa lista de empresas com potencial de crescimento, pois estávamos mais otimistas em relação ao tamanho e à viabilidade econômica dos projetos da CPLE3 no leilão. Com base nas premissas de despesas de capital divulgadas, estimamos um potencial de VPL de 15% e que as ações da CPLE estejam sendo negociadas a uma TIR (Taxa Interna de Retorno) real de 10,2%”, avalia.

Axia (AXIA3) e Engie (EGIE3)

Ambas as companhias fizeram movimentos pequenos, porém acretivos, contratando entre 190–250 MW em capacidade, avalia a XP. Dado o tamanho das duas empresas, essas alocações marginais não “movem o ponteiro”, mas reforçam decisões de alocação de capital que geram valor.

Embora os projetos tragam retorno positivo, o efeito relativo no valor das companhias é menor, reforça a XP.

Orizon (ORVR3)

Como já considerávamos um resultado bem-sucedido no leilão em seu cenário base, a XP vê o desfecho como um evento positivo de redução de risco. Orizon recontratou 53 MW de capacidade térmica, o que provavelmente exigirá algo em torno de R$ 30 milhões em capex. “Estimamos uma criação de valor em VPL entre R$ 350–450 milhões”, aponta a XP.

The post Eneva, Copel e mais: o que mudou para ações com maior leilão de reserva energética? appeared first on InfoMoney.

 InfoMoney