Projeto envolve enxames de drones com comandos de voz, com previsão de uso ofensivo
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A SpaceX de Elon Musk e a subsidiária integral xAI disputam uma nova e sigilosa licitação do Pentágono para desenvolver tecnologia de enxame de drones autônomos controlados por voz, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A entrada das duas empresas de Musk — que ele anunciou no início de fevereiro que seriam fundidas — em uma nova frente de desenvolvimento de armas com inteligência artificial representa um movimento inédito e potencialmente controverso. Embora a SpaceX seja fornecedora tradicional do setor de defesa e Musk seja entusiasta do avanço da IA, ele já defendeu publicamente a restrição à criação de “novas ferramentas para matar pessoas”.
As empresas de Musk estão entre um grupo restrito selecionado para disputar a licitação de US$ 100 milhões lançada em janeiro, segundo fontes que pediram anonimato para tratar de tema sensível. A participação da SpaceX e da xAI não havia sido divulgada anteriormente.
SpaceX e xAI não responderam aos pedidos de comentário.
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A disputa, com duração de seis meses, busca desenvolver tecnologia avançada de enxame capaz de converter comandos de voz em instruções digitais e operar múltiplos drones simultaneamente.
Embora já seja possível voar vários drones ao mesmo tempo, o desenvolvimento de software capaz de coordená-los como um enxame, em operações no mar e no ar, com deslocamento autônomo em direção a um alvo, ainda é um desafio. A licitação avançará em fases, conforme o desempenho e o interesse dos participantes, disseram as fontes.
A iniciativa foi lançada conjuntamente pela Defense Innovation Unit, voltada a aproximar startups do Vale do Silício do Departamento de Defesa dos EUA, e pelo Defense Autonomous Warfare Group, novo braço criado no segundo governo Donald Trump dentro do US Special Operations Command. O grupo dá continuidade parcial à iniciativa Replicator, da era Biden, que buscava produzir milhares de drones autônomos descartáveis.
A Defense Innovation Unit não respondeu ao pedido de comentário. O US Special Operations Command, responsável pelo DAWG, também se recusou a comentar.
O projeto será desenvolvido em cinco fases, começando pela criação do software e avançando para testes em campo. Um representante do Departamento de Defesa afirmou, no anúncio de janeiro, que os drones terão uso ofensivo, destacando que a interação homem-máquina “impactará diretamente a letalidade e a eficácia desses sistemas”.
Credenciais de segurança
A xAI iniciou recentemente uma ofensiva de contratações para recrutar engenheiros baseados em Washington ou na Costa Oeste com credencial de segurança ativa dos EUA nos níveis “secret” ou “top secret”, segundo o site da empresa. A companhia busca profissionais com experiência junto a “agências governamentais, DoD ou contratantes federais em projetos de IA, software ou dados”, conforme anúncio de vaga que prevê processo seletivo concluído em até uma semana.
Em dezembro, a xAI informou ter firmado contratos com o Pentágono para integrar seu chatbot Grok a sistemas governamentais, com o objetivo de “capacitar militares e civis”. A empresa já havia fechado um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa para integrar suas soluções a sistemas militares.
Embora seja contratada de defesa há anos, a SpaceX tem se concentrado no desenvolvimento de foguetes reutilizáveis e satélites para exploração espacial, comunicações militares e sistemas de inteligência, e não em software para armas ofensivas. A empresa, ao lado de Boeing Co. e Lockheed Martin Corp., fornece foguetes para o lançamento dos satélites mais sensíveis do Pentágono.
Musk já defendeu a proibição de armas autônomas ofensivas capazes de selecionar e atacar alvos por conta própria, operando além de controle humano significativo.
Em 2015, ele assinou uma carta aberta de pesquisadores de IA e robótica alertando para os riscos das armas autônomas.
A xAI, fundada por Musk em 2023, controla sua startup de IA, a rede social X e o chatbot Grok. A companhia, que há poucas semanas concordou em se fundir com a SpaceX em um acordo avaliado em US$ 1,25 trilhão, carrega bilhões de dólares em dívida, enfrenta concorrentes capitalizados e maior escrutínio regulatório após seu chatbot divulgar imagens sexualizadas. Também gera receita significativamente menor que a SpaceX.
Ao anunciar a fusão, Musk afirmou em comunicado no site da SpaceX que a aquisição da xAI criaria “o mais ambicioso mecanismo de inovação verticalmente integrado na Terra e fora dela, com IA, foguetes, internet via satélite, comunicações diretas com dispositivos móveis e a principal plataforma global de informação em tempo real e liberdade de expressão”.
Musk não mencionou a integração das empresas para fornecer software de suporte a novas tecnologias de armas. O novo projeto do Pentágono, no entanto, envolverá engenheiros e gestores das duas companhias com esse objetivo.
A primeira fase da licitação se concentrará apenas no desenvolvimento de software, antes da utilização de plataformas reais. O sistema deverá coordenar o movimento de drones em múltiplos domínios, como ar e mar, segundo descrição do Pentágono. Fases posteriores incluem o desenvolvimento de “consciência situacional e compartilhamento relacionados a alvos” e, por fim, operações desde o “lançamento até a finalização”.
A OpenAI apoia uma proposta apresentada pela Applied Intuition, segundo a Bloomberg.
De acordo com o documento da proposta analisado pela Bloomberg, a OpenAI limitará sua participação ao elemento de “controle de missão”, convertendo comandos de voz e outras instruções de comandantes no campo de batalha em comandos digitais. Sua tecnologia não será usada na operação do enxame de drones, na integração de armas ou na definição de alvos.
Um porta-voz da OpenAI afirmou que sua tecnologia de código aberto foi incluída em propostas de duas empresas parceiras e que a companhia garantirá que qualquer uso de suas ferramentas esteja alinhado à sua política de utilização.
SpaceX e xAI, por outro lado, devem atuar conjuntamente em todo o projeto, segundo as fontes.
A perspectiva de integrar chatbots e comandos de voz convertidos em texto a plataformas de armas tem causado preocupação até mesmo entre integrantes da área de defesa, apesar do interesse do Pentágono em acelerar a adoção de IA e sistemas autônomos. Segundo fontes, será importante limitar o uso de IA generativa à tradução de comandos, sem permitir que controle o comportamento dos drones.
Alguns dos envolvidos expressaram receio quanto aos riscos de usar IA generativa para transformar comandos de voz em decisões operacionais sem supervisão humana.
O movimento ocorre em meio à saída de funcionários de grandes laboratórios de IA que manifestaram preocupações éticas sobre o setor, enquanto empresas líderes buscam ampliar receitas para financiar pesquisa e desenvolvimento. Entre eles estão uma pesquisadora da OpenAI que questionou a presença de anúncios no ChatGPT e um pesquisador da Anthropic que renunciou publicamente, levantando preocupações mais amplas sobre o desenvolvimento da tecnologia.
Modelos de linguagem de grande escala, que sustentam chatbots como o ChatGPT, da OpenAI, estão sujeitos a vieses e às chamadas “alucinações”, quando geram respostas sem base factual, ainda que apresentadas como confiáveis.
A nova Estratégia de Aceleração em IA do Pentágono, divulgada em janeiro, busca “liberar” agentes de IA para uso no campo de batalha, do planejamento de campanhas militares à definição de alvos, potencialmente envolvendo ataques letais.
Historicamente, contratos de defesa geraram controvérsia em empresas de tecnologia voltadas ao consumidor. Em 2018, funcionários do Google protestaram contra o Projeto Maven, iniciativa do Pentágono que previa o uso de IA para analisar imagens de drones.
©️2026 Bloomberg L.P.
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