22 de março de 2026

​EUA: entenda o impasse orçamentário que fez Trump ameaçar enviar ICE para aeroportos 

Agentes da TSA seguem sem salário e presidente ameaça usar força de imigração nos terminais
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Os aeroportos dos Estados Unidos estão no centro de uma disputa política em Washington. Um impasse orçamentário no Congresso paralisou os repasses financeiros para o Departamento de Segurança Interna (DHS), deixando milhares de agentes da Administração de Segurança de Transportes (TSA) sem receber salários, provocando atrasos severos para viajantes.

Como resposta à falta de acordo com a oposição democrata, o presidente Donald Trump ameaçou enviar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para assumir a segurança nos terminais. O cenário gerou reações até mesmo do setor privado, com o bilionário Elon Musk se oferecendo para pagar os salários dos agentes aeroportuários do próprio bolso.

Entenda o que está por trás dessa crise, as exigências políticas de cada lado e o que muda na rotina de quem precisa voar nos EUA:

Imbróglio no Congresso

A raiz do problema é um shutdown (paralisação parcial do governo) que afeta diretamente o financiamento do Departamento de Segurança Interna. Há mais de um mês, democratas e republicanos não chegam a um consenso sobre o projeto de lei orçamentário do órgão.

A oposição se recusa a aprovar o financiamento do DHS sem que o governo aceite uma série de mudanças nas políticas de atuação do ICE. Eles exigem, por exemplo, que os agentes de imigração obtenham mandados judiciais antes de entrar em residências à força, além do uso de identificação clara em seus uniformes e a proibição do uso de máscaras. 

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, chegou a propor o financiamento da TSA de forma isolada para resolver a crise nos aeroportos, mas a medida encontrou resistência.

Por outro lado, o governo Trump e seus aliados no Senado afirmam que já cederam em vários pontos – como a exigência de câmeras corporais em certas operações e a limitação de fiscalização em locais sensíveis, como hospitais e escolas. Eles argumentam que a oposição está atrasando o processo propositalmente e exigem a aprovação do pacote completo de segurança sem ceder a todas as demandas democratas.

Enquanto a política não se resolve, a maioria dos funcionários da TSA – que inspecionam passageiros e bagagens – continua trabalhando sem receber o salário integral. Como resultado, o número de faltas por motivos de saúde ou protesto silencioso disparou, desfalcando as equipes e gerando o caos nos terminais.

Agentes do ICE nos aeroportos

Diante do travamento no Congresso, Donald Trump declarou que deslocará agentes do ICE para os aeroportos de todo o país nesta segunda-feira, caso os democratas não assinem o acordo de financiamento.

O presidente defende que o ICE fará “a segurança como nunca se viu antes”. 

A medida, no entanto, levanta questionamentos, já que os agentes do ICE são treinados para controle migratório, repressão ao contrabando e investigações aduaneiras, e não para a operação de equipamentos de raio-X, detectores de metal e triagem antiterrotismo — funções específicas para as quais a TSA é rigorosamente treinada.

A oferta de Elon Musk

No meio do fogo cruzado, o bilionário Elon Musk usou sua rede social, o X (antigo Twitter), para fazer uma proposta incomum. Ele se ofereceu para pagar os salários dos agentes da TSA enquanto durar o impasse orçamentário, com o objetivo de aliviar o impacto negativo na vida dos trabalhadores federais e dos passageiros.

Até o momento, não foram divulgados detalhes de como essa operação seria viabilizada legal ou financeiramente, dada a complexidade de um civil financiar uma agência de segurança federal.

Mais filas nos aeroportos

Para quem tem voos marcados de, para ou dentro dos Estados Unidos no curto prazo, o cenário exige planejamento extra e muita paciência. 

A crise deve seguir gerando, no mínimo, filas maiores. Com aumento das faltas entre os funcionários da TSA que estão sem receber, os postos de controle de segurança operam com capacidade reduzida. Isso resulta em um tempo de espera maior para passar pelo raio-X e acessar os portões de embarque.

Há ainda risco de problemas operacionais. Se os agentes do ICE forem alocados nos aeroportos para auxiliar ou substituir a TSA, a falta de treinamento específico para a triagem ágil de passageiros e bagagens pode tornar o fluxo de segurança ainda mais lento.

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