17 de março de 2026

​EUA já gastaram “anos” de munição nos primeiros dias de guerra com Irã, diz jornal 

Segundo o Financial Times, consumo acelerado de mísseis como Tomahawk, Patriot e Thaad eleva custo do conflito e deve levar Pentágono a pedir até US$ 50 bilhões extras
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Os Estados Unidos já consumiram “anos” de munição crítica desde o início da guerra com o Irã, informou o Financial Times, citando três pessoas familiarizadas com o assunto. Segundo a apuração do jornal, o uso acelerado de armamentos, incluindo mísseis Tomahawk de longo alcance, aumentou a pressão sobre o presidente Donald Trump em meio ao custo crescente do conflito e às dúvidas sobre a capacidade do país de recompor seus estoques.

De acordo com o FT, o Pentágono deve enviar nos próximos dias à Casa Branca e ao Congresso um pedido formal de gasto adicional de até US$ 50 bilhões para as Forças Armadas. A solicitação deve abrir uma nova disputa no Capitólio, num momento em que parlamentares de ambos os partidos demonstram desconforto com a condução da guerra e com a perspectiva de novos desembolsos.

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Uma das pessoas ouvidas pelo jornal afirmou que o consumo de Tomahawks tem sido “massivo” e que a Marinha sentirá esse gasto “por vários anos”. Cada um desses mísseis de cruzeiro subsônicos, equipados com ogiva de 1.000 libras, custa US$ 3,6 milhões e é fabricado pela RTX.

O jornal relata que os EUA compraram apenas 322 Tomahawks nos últimos cinco anos, incluindo 57 reservados para o ano fiscal de 2026, ao custo de US$ 206,6 milhões. Segundo o texto, esse volume repõe apenas uma fração do que foi provavelmente usado nos últimos dias. O Centro para Estudos Internacionais Estratégicos estimou que os EUA dispararam 168 Tomahawks nas primeiras 100 horas da guerra, iniciada em 28 de fevereiro.

Além dos Tomahawks, o conflito também vem consumindo interceptadores Patriot e Thaad, usados na defesa contra a ofensiva de mísseis e drones iranianos contra ativos americanos e aliados no Oriente Médio. Segundo o jornal, autoridades americanas já vinham demonstrando preocupação nos últimos anos com a possibilidade de o uso dessas munições superar a capacidade de produção, principalmente em cenários de confronto com adversários como Rússia ou China.

Nesta semana, autoridades do Pentágono disseram a senadores que a guerra custou mais de US$ 11 bilhões apenas nos primeiros seis dias de bombardeios, com a maior parte da despesa concentrada em munições. O senador democrata Mark Kelly afirmou à emissora MS Now que “cada disparo custa milhões de dólares”, ao citar sistemas Patriot e Thaad, enquanto o Irã usa drones Shahed que, segundo autoridades de inteligência dos EUA, podem ser produzidos rapidamente por cerca de US$ 30 mil a unidade.

O custo da guerra se soma a pressões políticas crescentes sobre Trump. O conflito interrompeu um corredor marítimo importante para o comércio global, empurrou o petróleo para cima de US$ 100 por barril e elevou o preço da gasolina nos Estados Unidos em ano de eleição legislativa. O desgaste da guerra cresce entre eleitores americanos, que questionam se o presidente está levando o país a outro conflito prolongado no Oriente Médio.

Apesar das preocupações, o governo mantém o discurso de que não há falta de munição. Na semana passada, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os estoques ofensivos e defensivos dos EUA permitem sustentar a campanha pelo tempo necessário. Nesta quinta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o país tem munição, armas e estoques “mais do que suficientes” para cumprir os objetivos da operação e além deles.

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