12 de fevereiro de 2026

​EUA veem Brasil como parceiro estratégico em minerais críticos, afirma secretário 

Secretário adjunto de Estado americano cita investimentos em terras raras em Goiás e afirma que Washington quer acordo “sólido” com o país
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O secretário de Estado adjunto dos Estados Unidos para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais, Caleb Orr, afirmou nesta quarta-feira que Washington vê o Brasil como parceiro estratégico na área de minerais críticos. Segundo ele, seu país tem interesse em financiar projetos em todo o território nacional, inclusive nas etapas de processamento e refino.

Orr citou dois empreendimentos em Goiás — Serra Verde e Clara — voltados à produção de terras raras. No caso da Serra Verde, a Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) prevê financiamento de US$ 565 milhões.

— Os EUA consideram o Brasil parceiro estratégico na construção de cadeias de suprimentos críticas, resilientes e seguras — afirmou.

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Ele afirmou que o Brasil possui “reservas ricas, principalmente em terras raras”, e é “um parceiro promissor” para os EUA. Orr defendeu uma solução “ganha-ganha” para o processamento e o refino de minerais críticos, etapa que, observou, é ainda mais concentrada globalmente do que a própria mineração.

— A proposta é que o refino e o processamento ocorram em locais economicamente viáveis, dentro de uma lógica de diversificação — disse.

Questionado se Washington espera contrapartidas do Brasil, respondeu que o objetivo é alcançar um acordo comercial “sólido”, que inclua minerais críticos. Ele evitou antecipar resultados para o encontro previsto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, no próximo mês, em Washington, mas lembrou que Trump já indicou que as negociações para rever o chamado tarifaço envolvem entendimento na área de minerais e terras raras.

O secretário adjunto elogiou a participação brasileira na reunião ministerial sobre minerais críticos realizada na semana passada, em Washington, organizada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo Orr, a presença do Brasil foi vista como sinal positivo no contexto das negociações e do aprofundamento da cooperação bilateral.

A reunião, que contou com delegações de 54 países considerados afins, além da União Europeia, teve como objetivo discutir formas de diversificar cadeias de suprimentos e reduzir vulnerabilidades externas. Orr destacou que as Américas estão “no centro da segurança das cadeias globais”, especialmente no fornecimento de lítio, cobre e terras raras.

Ele mencionou a participação de Argentina, Brasil, Bolívia, Canadá, República Dominicana, Equador, México, Paraguai e Peru e afirmou que as parcerias buscam fortalecer cadeias transparentes, criar empregos e atrair investimentos em infraestrutura crítica, oferecendo alternativas a fornecedores considerados não confiáveis.

De acordo com Orr, os EUA assinaram acordos-quadro com Argentina, Paraguai, Equador e Peru e lançaram a iniciativa Forge (sigla em inglês para Fórum de Engajamento Geoestratégico em Recursos), com projetos estimados em US$ 30 bilhões destinados a reforçar a segurança das cadeias de suprimento e ampliar oportunidades de investimento. Ele assegurou que a iniciativa não constitui retaliação à China.

Ao comentar o acordo com a Argentina, afirmou que o instrumento estabelece um marco amplo de cooperação. Segundo ele, a intenção é permitir que o país se beneficie dos atuais preços recordes do cobre.

— Os EUA e parceiros internacionais podem trabalhar em conjunto para apoiar o mercado, de forma a viabilizar investimentos saudáveis nesses projetos, com base em um ambiente estável, que permita retorno sem temor de volatilidade excessiva — declarou.

Minerais críticos são insumos considerados estratégicos para a economia e para a segurança nacional por estarem presentes em cadeias produtivas essenciais e, muitas vezes, concentrados em poucos países. Entre eles estão lítio, cobre e terras raras, utilizados na fabricação de baterias para veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e na infraestrutura necessária para a expansão da inteligência artificial e da eletrificação.

O processamento e o refino desses minerais são etapas especialmente sensíveis, pois a oferta global é ainda mais concentrada do que a própria mineração, o que amplia riscos de dependência externa e de interrupções no abastecimento. O governo Lula diz que não quer que o Brasil seja um mero exportador e precisa de investimentos em toda a cadeia, para agregar valor à produção.

O Brasil é visto como um ator relevante por deter reservas significativas, sobretudo de terras raras, além de lítio e outros minerais estratégicos. Conforme interlocutores do governo brasileiro, o país reúne ainda uma base industrial diversificada, que pode viabilizar não apenas a extração, mas também o processamento e o refino.

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