27 de março de 2026

​EUA x Irã: o que marcou o 27º dia de guerra no Oriente Médio 

Washington ampliou pausa em bombardeios à infraestrutura de energia iraniana, enquanto aliados alertam para “catástrofe econômica”
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No 27º dia de conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, os principais desdobramentos seguem concentrados na possibilidade de negociações para um cessar-fogo ou suspensão dos ataques, ainda que o tom público das declarações tenha mudado em relação aos últimos dias.

Nesta quinta-feira (26), o Irã se mostrou mais aberto do que antes a negociar, embora continue rejeitando a proposta inicial apresentada pelos EUA, que Teerã classifica como “unilateral e injusta”.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu o discurso e afirmou agora que “não tem certeza” se está disposto a fazer um acordo com o Irã, apesar de seguir dizendo que deseja um “fim rápido” para a guerra.

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O chanceler do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que seu país está atuando como canal entre Washington e Teerã. “Negociações indiretas estão ocorrendo entre as partes em conflito”, disse o ministro.

“Força total”

Enquanto não há avanço concreto nas tratativas, Washington estendeu por mais 10 dias a trégua em ataques à infraestrutura de energia iraniana, numa tentativa de manter aberto o espaço para o diálogo.

Os EUA também confirmaram a morte do almirante Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, em ataque aéreo israelense.

Trump voltou ainda a criticar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por não se envolver no conflito.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o país continuará atacando o Irã “com força total”.

Paralelamente, Israel amplia sua incursão no sul do Líbano, o que levou o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, a alertar o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre risco de anexação de território libanês.

“Mais vivo do que nunca”

Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o grupo extremista Hezbollah, alvo de ataques de Israel, está “mais vivo do que nunca” e é “o orgulho do Islã”.

A embaixada do Irã na Espanha também declarou que Teerã será receptivo a qualquer pedido de Madri relacionado ao Estreito de Ormuz. A Espanha não tem grande frota de navios, mas o premiê Pedro Sánchez criticou duramente os ataques ao Irã desde o início do conflito.

Números

Pelo menos 1.900 pessoas morreram no Irã desde o início da guerra, segundo o vice-ministro da Saúde, Ali Jafarian, à Al Jazeera;18 pessoas morreram em Israel;13 soldados americanos foram mortos;No Líbano, o número de mortes é de 1.116.

“Catástrofe econômica”

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que as consequências da guerra no Irã podem ser tão graves quanto as da pandemia de Covid-19. Segundo ele, o conflito está causando danos significativos à logística internacional, à produção e às cadeias de suprimentos, além de pressionar fortemente empresas de hidrocarbonetos, metais e fertilizantes.

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, classificou o conflito no Oriente Médio como uma “catástrofe econômica” e reforçou que o país não pretende se envolver militarmente.

E analistas apontam que os danos à infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL) no Catar, bem como o fechamento do Estreito de Ormuz, têm impacto no cenário mundial, colocando em dúvida a compra por países asiáticos, que podem ser forçados a racionar energia por não poderem arcar com os altos custos.

Analistas ressaltam ainda que os danos à infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL) no Catar e o fechamento do Estreito de Ormuz afetam o quadro global de energia. Países asiáticos podem ser forçados a racionar consumo, por não conseguirem absorver os preços mais altos.

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