16 de março de 2026

​Fim do petrodólar? Bitcoin surge como peça-chave na nova disputa econômica 

A regra do jogo está mudando e os participantes estão se reorientando
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A reconfiguração da ordem econômica mundial — com a erosão do petrodólar, a desvalorização do dólar e a corrida de bancos centrais por reservas não soberanas — está criando o ambiente mais favorável da história para o Bitcoin.

É o que avalia Samir Kerbage, sócio-fundador e CIO da Hashdex, uma das maiores gestoras de criptoativos do Brasil e do mundo. Para ele, o momento atual não apenas reforça a tese de longo prazo da criptomoeda como pode acelerar de forma decisiva sua consolidação como reserva de valor digital.

“O mundo está vivendo um momento em que a regra do jogo está mudando, os participantes estão se reorientando e, nessa nova orientação global, a demanda por uma reserva de valor não soberana, que não dependa dos governos, está cada vez maior”, afirmou Kerbage.

Na leitura dele, o enfraquecimento do pacto do petrodólar — pelo qual os Estados Unidos garantiam defesa militar em troca de que o petróleo fosse negociado em dólar — representa uma ruptura de paradigma que beneficia diretamente ativos como o Bitcoin e o ouro.

A análise foi feita no episódio 182 do Outliers InfoMoney, programa apresentado por Clara Sodré, analista de fundos da XP, e Fabiano Cintra, responsável pela seleção de fundos. Kerbage, por sua vez, é engenheiro de computação pelo IME com mais de 15 anos de experiência em infraestrutura de mercados financeiros e trading quantitativo. 

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“Você tem situações como os Estados Unidos tendo uma reserva estratégica de Bitcoin e a China acumulando ouro — e ninguém sabe quanto ouro a China tem e qual o peso que eles estão comprando”, observou o CIO da Hashdex.

Para ele, há até um incentivo geopolítico explícito por parte dos americanos: desinflar o valor do ouro e inflar o do Bitcoin justamente para impactar a estratégia chinesa.

“O Bitcoin pode ter um papel geopolítico muito importante nessa configuração dos próximos cinco ou dez anos”

— Samir Kerbage, sócio-fundador e CIO da Hashdex

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Tese mantida desde 2018: reserva de valor digital emergente

A Hashdex defende desde sua fundação, em 2018, que o Bitcoin é uma “reserva de valor digital emergente” — e Kerbage faz questão de distinguir o que isso significa hoje do que poderá significar no futuro.

Reserva de valor, explica ele, é a capacidade de preservar patrimônio e transmiti-lo ao longo do tempo e entre gerações. O Bitcoin seria a primeira forma 100% digital a cumprir essa função, num mundo ainda acostumado com ouro, imóveis e títulos soberanos de países desenvolvidos.

“Parte da tese é ser reserva de valor, mas se você perguntar para mim se o Bitcoin é uma boa reserva de valor hoje, vou dizer que não”, admitiu o gestor, sem rodeios.

A demanda por reservas não soberanas cresceu de forma exponencial nos últimos anos — mas quem está comprando são os bancos centrais, e eles ainda não compram Bitcoin.

Enquanto isso não ocorrer de forma institucionalizada, o ativo seguirá se comportando como um papel de risco, com correlação maior ao Nasdaq 100 do que ao ouro.

A tese da Hashdex é de evolução: o Bitcoin deve migrar, ao longo de anos ou décadas, de ativo emergente para reserva de valor consolidada.

“A grande pergunta é em quanto tempo isso vai acontecer — se vai acontecer em 5 anos, 10 anos ou 50 anos”, pontuou Kerbage.

Quando esse processo estiver completo, acrescenta ele, a expectativa de valorização expressiva que existe hoje sobre o ativo deixará de fazer sentido. Será, então, uma classe mais próxima do ouro do que do venture capital.

O gestor também chama atenção para a diferença entre Bitcoin e as demais criptomoedas. Enquanto o Bitcoin carrega essa narrativa de reserva de valor, as altcoins devem ser lidas como um “play de tecnologia” — sem a mesma tese de escassez ou independência monetária.

“Outras criptos você pode ver como um play de tecnologia mesmo. Não existe uma tese de reserva de valor ali”, afirmou.

O dinheiro que nasceu da desconfiança

O Bitcoin surgiu em 2009, no rastro da maior crise financeira desde 1929. Seu criador — ou criadores, sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto — embutiu na primeira transação da rede uma manchete de jornal sobre o governo britânico resgatando bancos pela segunda vez.

A mensagem era deliberada: o mundo precisava de um dinheiro digital, escasso, sem banco central e sem intermediários.

Com emissão limitada a 21 milhões de unidades e regras imutáveis gravadas em código, o Bitcoin foi concebido como uma alternativa soberana ao sistema financeiro tradicional — e nos 16 anos seguintes passou de curiosidade de nicho a ativo com capitalização de mercado na casa dos trilhões de dólares, presença em portfólios institucionais e papel crescente no tabuleiro geopolítico global.

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