Diretórios priorizam disputas ao Senado e alianças com nomes da direita mais competitivos, frustrando planos do pré-candidato
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Interessado em ter o 22 do PL nas urnas em todos os estados neste ano, o senador Flávio Bolsonaro poderá enfrentar dificuldades para a construção de palanques próprios no Nordeste, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) perdeu nas duas últimas eleições. Reduto de Lula (PT), a região tem a maioria dos diretórios do PL focados na construção de chapas para o Senado e na composição de alianças com outros quadros da direita considerados mais viáveis para o Executivo.
Dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados na semana passada mostram que, no Nordeste, Flávio tem o pior desempenho em todos os cenários de primeiro turno testados, oscilando de 24% a 26%, enquanto Lula varia de 45% a 50%. Para minimizar a desvantagem, ele escalou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como coordenador de campanha. Além de viagens de Flávio pela região, o parlamentar tem investido nas redes sociais, onde destaca aspectos da gestão de Bolsonaro, da qual foi ministro do Desenvolvimento Regional.
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“O presidente Bolsonaro entregou cidadania ao Nordeste. Não foi esmola, foi dignidade. Casas, água e obras estruturantes para libertar o povo da dependência e devolver protagonismo a quem trabalha. O Nordeste não é problema, é solução, e finalmente foi tratado com respeito, como voltará a ser com Flávio Bolsonaro na Presidência da República!”, escreveu na legenda da publicação feita na mesma data em que anunciou que assumiria o posto de articulador da campanha.
Mudança de função
Para ocupar a nova função, o senador precisou abrir mão da disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, onde era favorito no PL para a construção de uma candidatura contrária ao projeto da governadora petista Fátima Bezerra, que concorrerá ao Senado e indicará um sucessor. No lugar de Marinho, Flávio declarou apoio a Álvaro Dias (Republicanos), ex-prefeito de Natal.
No Ceará, o apoio está indefinido. Lá, Ciro Gomes (PSDB) tem ido melhor nas pesquisas numa oposição ao governador Elmano de Freitas (PT), mas uma aliança entre o novo tucano e o PL foi descartada após uma interferência de Michelle Bolsonaro. O PL tem como opção o palanque do senador Eduardo Girão (Novo), defendido pela ex-primeira-dama, ou escolher um nome próprio. O deputado federal André Fernandes (PL) chegou a ser cotado, mas ele tem sinalizado que buscará a reeleição na Câmara.
O PL também não tem candidato na disputa ao governo em Pernambuco, que tende a ser polarizada entre a atual governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito de Recife, João Campos (PSB). A sigla deve apostar, para o Senado, em Anderson Ferreira, ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes. Ele substituiu o ex-ministro do Turismo Gilson Machado no comando do diretório estadual da sigla.
Preterido desde então para a vaga no Senado, Machado decidiu migrar para o Podemos. Na nova legenda, no entanto, concorrerá a deputado federal.
— Eu não vou estar em um lugar que não me cabe. O PL não tem uma prefeitura em Pernambuco. Pelas redes sociais, parece que não temos candidato à Presidência da República — disse durante seu evento de filiação na semana passada.
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Na Bahia, outro ex-integrante da gestão Bolsonaro, o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL), chegou a manifestar a possibilidade de concorrer ao governo, mas hoje pleiteia uma vaga para o Senado na chapa do ex-prefeito de Salvador ACM Neto. O mesmo cenário deve se repetir na Paraíba, onde o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL) quer se eleger à Casa e busca aproximação com o senador Efraim Filho (União), que deseja se lançar ao Executivo.
Já em Alagoas, o PL tem como representante o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), considerado um nome competitivo. A eventual candidatura dele, no entanto, significaria o rompimento de um suposto acordo costurado no ano passado, quando o prefeito se aproximou de Lula durante as negociações para a indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em troca, JHC não sairia candidato e deixaria o terreno livre para o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
No Piauí, o PL tem como pré-candidato o jornalista Toni Rodrigues, depois de também ter testado o deputado federal José Maia Filho, o Mainha. No final de 2025, no entanto, o parlamentar decidiu deixar a sigla e se filiar ao Podemos, partido pelo qual se lançou na disputa pelo Executivo. Os dois devem enfrentar o governador petista Rafael Fonteles, que buscará a reeleição, e deve ser favorecido pela fragmentação da oposição.
O partido também não tem candidatos claros no Maranhão, onde o jogo está dividido entre o grupo político do governador Carlos Brandão (MDB), que tem o sobrinho Orleans Brandão (MDB) como sucessor, e o vice-governador Felipe Camarão (PT). Já em Sergipe, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, antes cotada para concorrer ao governo, migrou recentemente para o Republicanos e deixou o PL sem candidato.
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