12 de março de 2026

​Gerdau: com fraqueza no Brasil e força nos EUA, o que deve predominar para as ações? 

Empresa opera em “duas velocidades” quando se trata de Brasil e Estados Unidos, mas analistas esperam melhora gradual ao longo do ano
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Após reuniões estratégicas com o CFO da Gerdau (GGBR4), Rafael Japur, a XP Investimentos divulgou um relatório na última terça-feira (10) explicando sobre a cautela atual dos analistas, mas ainda com uma pontada de otimismo. 

De um lado, o ambiente doméstico brasileiro permanece fragilizado; de outro, a operação na América do Norte demonstra uma resiliência impressionante, segundo os analistas da XP apontaram no relatório. A conclusão é a manutenção da recomendação de compra para as ações da Gerdau, com o preço-alvo introduzido em R$ 25,00 para o fim de 2026. 

Mesmo com os desafios, a análise aponta que o rendimento de Fluxo de Caixa Livre (FCF) deve permanecer estável entre 9% e 10%, sustentado por menores necessidades de despesas de capital (Capex), “à medida que os grandes investimentos se encerram”, diz o relatório, além de outros aspectos como as reduções de custo provenientes de Miguel Burnier, e também o ramp-up das expansões em Ouro Branco e Midlothian.

De acordo com o relatório, um dos grandes trunfos da Gerdau é sua exposição estrutural aos EUA. Atualmente, os múltiplos de negociação da empresa (Preço sobre Lucro de sete a oito vezes) parecem refletir apenas o risco Brasil, ignorando que o custo de capital nos EUA é menor e a rentabilidade por lá é superior. 

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Para os analistas, os preços atuais não “pagam” a qualidade da operação americana, o que abre espaço para uma valorização das ações à medida que o mercado reconhece essa disparidade.

Ainda sobre as operações na América do Norte, a XP acredita que um desempenho sólido deve ocorrer durante 2026. A sustentação vem de backlogs (carteira de pedidos) saudáveis e dos recentes aumentos de preços, protegidos pela Section 232, medida de proteção comercial dos EUA que impõe tarifas sobre a importação de aço estrangeiro. A projeção é que a margem Ebtida (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) na região atinja 24% em 2026.

Para 2027, a XP adota uma postura mais conservadora, prevendo uma acomodação da rentabilidade para 19%. O principal risco no radar é o acordo USMCA (entre EUA, México e Canadá), que pode gerar isenções tarifárias e, consequentemente, aumentar a entrada de aço importado nos EUA, o que pressionaria as margens locais.

Elementos nacionais

Sobre o Brasil, os analistas da XP ressaltam que o ambiente doméstico permanece desafiador devido à competição acirrada e cortes nos preços de produtos como o vergalhão. 

As margens no Brasil devem orbitar entre 8% e 9% no início de 2026. Por outro lado, uma recuperação é esperada para o segundo semestre, impulsionada pelos investimentos em Miguel Burnier.

Segundo o relatório, esse projeto de mineração é crucial para a estratégia de redução de custos da Gerdau, com foco na redução de custos, já que a venda de minério de ferro deve injetar cerca de R$ 250 milhões no Ebitda em 2026.

Além disso, esse benefício deve saltar para R$ 750 milhões em 2027, ajudando as margens brasileiras a subirem para o patamar de 11% a 12%, estabilizando a rentabilidade no país.

Além da mineração, a Gerdau aposta no aumento de volume através do ramp-up (fase de aceleração de produção) das expansões em Ouro Branco (MG) e Midlothian (EUA). No lado do portfólio, a empresa estuda a venda de ativos não essenciais no Brasil, como áreas florestais e imobiliárias. 

Esses potenciais desinvestimentos são vistos como um upside adicional, pois ajudariam na desalavancagem financeira e na otimização do Retorno sobre o Capital Investido (ROIC).

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