Goldman vê o país bem posicionado em relação a outros emergentes por conta da exposição positiva ao petróleo, valuations atrativos e corte de juros
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Após o início do conflito envolvendo o Irã, os mercados emergentes registraram fortes saídas (US$ 44 bilhões) de capitais, mas o Brasil apresentou resiliência, com leve entrada de capital de US$ 900 milhões, conforme aponta o Goldman Sachs.
O banco ressaltou que, mesmo assim, o ETF (fundo de índice) que replica o comportamento das ações brasileiras EWZ cai cerca de 3% desde então. De qualquer forma, o Goldman vê o país bem posicionado em relação a outros emergentes por conta da exposição positiva ao petróleo, valuations atrativos e continuidade — ainda que mais lenta — do ciclo de cortes de juros.
A instituição cita como pilares: a exposição positiva ao setor de energia — com estimativa de exportação líquida de 2 milhões de barris de petróleo por dia em 2026 —, múltiplos considerados atrativos do mercado de ações (P/L, ou preço sobre lucro, de 9,6 vezes) e a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, mesmo com adiamentos recentes.
Neste cenário, a equipe do Goldman, liderada por Bruno Amorim, identifica as ações do país que devem se beneficiar da retomada do apetite por emergentes e de juros mais baixos, divididas entre cíclicas e defensivas.
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Amorim e equipe listam companhias que combinam fundamentos sólidos, riscos limitados de resultados e sensibilidade positiva à queda dos juros. O Goldman divide as preferências em dois grupos: ações cíclicas, mais expostas ao ambiente macro, e defensivas, menos dependentes da atividade econômica.
Entre as cíclicas, destaque para B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), C&A (CEAB3), Cyrela (CYRE3), Lojas Renner (LREN3), Nubank (BDR: ROXO34), SmartFit (SMFT3), GPS (GGPS3) e Vibra (VBBR3). Entre as defensivas, o banco aponta Copel (CPLE3), Equatorial (EQTL3), Multiplan (MULT3), Sabesp (SBSP3) e Rede D’Or (RDOR3).
Ações cíclicas favoritas
Entre os nomes com maior potencial de captura do retorno do investidor global, o banco destaca:
B3 (B3SA3), favorecida por aumento no volume de negociações em cenários de juros menores e maior volatilidade;
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BTG Pactual (BPAC11), que deve manter ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) elevado com expansão global e mix crescente de gestão de patrimônio;
C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3), impulsionadas pela recuperação do consumo e maior produtividade das lojas;
Cyrela (CYRE3), que deve se beneficiar da queda dos juros imobiliários e do posicionamento em bairros de alta renda;
Nubank (BDR: ROXO34), considerado pelo Goldman uma “história de crescimento estrutural” na América Latina;
SmartFit (SMFT3), apoiada por forte execução e expansão na América Latina;
GPS (GGPS3), que se destaca pela consolidação em um setor ainda fragmentado;
Vibra (VBBR3), impulsionada por condições comerciais mais favoráveis e impacto positivo da queda da Selic.
O Goldman Sachs aponta que essas companhias negociam a um P/L médio de 13,3 vezes para 2026 e 10,6 vezes para 2027, com desconto de cerca de 15% em relação às suas médias históricas.
Ações defensivas: menor volatilidade, ganhos mais previsíveis
Entre as empresas mais resilientes ao ciclo econômico, o Goldman aponta:
Copel (CPLE3) e Equatorial (EQTL3), ambas com demanda estável por energia e espaço para aumento de remuneração ao acionista;
Multiplan (MULT3), apoiada na exposição a consumidores de alta renda e crescimento consistente de vendas;
Rede D’Or (RDOR3), com expansão de hospitais e expectativa de crescimento robusto de lucros;
Sabesp (SBSP3), que combina valuation atrativo com catalisadores regulatórios e operacionais nos próximos meses.
Contexto macro e riscos
O Goldman projeta crescimento do PIB brasileiro em linha com a média da última década e prevê cortes adicionais de 200 pontos-base na Selic ao longo de 2026, para 12,75% ao ano, caso o conflito geopolítico tenha curta duração. A instituição também observa que os juros de 10 anos continuam próximos às máximas históricas, criando assimetria positiva para ativos locais.
Entre os riscos citados estão desaceleração econômica global, reversão do fluxo estrangeiro, incertezas regulatórias (especialmente em utilities), competição mais intensa no varejo e mudanças no ambiente de crédito.
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