Analistas seguem com visão positiva para os ativos brasileiros mesmo após rali
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Em meio à alta recente das ações, a América Latina (LatAm) voltou ao foco dos grandes investidores globais e tende a seguir entre os destaques de performance em 2026.
Em análises recentes, Bradesco BBI e Itaú BBA convergem em dois pontos centrais: eles veem que há uma “grande rotação” em curso — saindo do overweight (exposição acima da média) em EUA/Big Tech para ações internacionais, valor, cíclicas e small caps; e, dentro desse movimento, América Latina e, em especial, o Brasil aparecem como ganhadores relevantes, tanto pelo preço (valuation) quanto pelo cenário macro.
América Latina lidera ranking global , diz Bradesco BBI
O Bradesco BBI lembra que o MSCI LatAm já sobe 18% no ano, repetindo o posto de melhor índice regional do mundo, como em 2025. Mesmo assim, ao atualizar seu modelo de cenários, o banco vê pelo menos 11% de potencial de alta (upside) adicional, de forma conservadora — sem considerar eventuais surpresas positivas em eleições ou choques de curto prazo.
Na visão do BBI, a América Latina é a grande vencedora da “great rotation” (grande rotação) para ações internacionais, de valor, cíclicas e small caps. Qualquer correção tende a ser comprada, tanto por estrangeiros ainda underweight (exposição baixo da média) na região quanto por investidores locais, à medida que o ritmo do rali naturalmente esfria e a fonte de retorno deve se ampliar.
O ano de 2025 e o começo de 2026 foram marcados por reclassificação de valuation e ganho cambial sendo que, ao longo de 2026, a expectativa é de revisões positivas de lucro entrarem mais forte no radar.
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A região mudou em 15 anos: hoje é menos volátil, mais orientada a crescimento (“growthier”) e com gestão macro e corporativa, em geral, melhor do que no ciclo pré‑2008.
Itaú BBA: LatAm em posição privilegiada
Em conversa com clientes, o Itaú BBA trouxe a leitura de Gustavo Medeiros, Head de Research da gestora Ashmore (Londres), que acertou o ponto de inflexão de emergentes em 2025. Ele descreve o momento atual como um “Goldilocks environment” (definido por pleno emprego, crescimento constante e baixa inflação) para emergentes).
O cenário geral é de crescimento econômico mais robusto e resiliente que o de desenvolvidos; inflação em convergência para a meta em diversos países; reformas estruturais em algumas economias e fundamentos de mercados desenvolvidos se deteriorando na margem.
Mesmo após o rali, Medeiros destaca que o valuation ainda é atrativo. Olhando para os múltiplos de preço sobre o lucro (P/L), o de emergentes está mais atrativo, a 13 vezes, ante 17 vezes do mundo ex-EUA e 22 vezes do índice S&P500.
Do ponto de vista de prêmio de risco, o Earnings Yield Gap (EYG) médio em emergentes gira em 300–400 pontos-base acima dos juros nominais, enquanto nos EUA esse spread é bem menor, com volatilidade maior.
Ele também lembra que os fluxos ainda estão em “meia marcha”: cerca de US$ 60 bilhões entraram em ações e títulos de dívida de emergentes em 2025 e US$ 65 bilhões já haviam ingressado até meados de fevereiro deste ano — bem abaixo do ciclo 2009–2013, de US$ 330 bilhões, e pequeno diante do tamanho atual das economias.
Três grandes eixos em emergentes
O Itaú BBA cita a Ashmore ao resumir a tese de emergentes em três blocos temáticos:
Ásia Tech (Coreia, Taiwan, China, Malásia)
Cerca de 2/3 do índice de emergentes;
Exposição direta à IA, com valuation pela metade do tech americano;
É o tema com melhor combinação de crescimento e momentum, na visão de Medeiros.
Ativos “reais” / Commodities (América Latina, Indonésia, África do Sul)
Beneficiados pelos gargalos (“bottlenecks”) ligados à expansão da IA: mais demanda por energia, metais, infraestrutura.
Defesa (Leste Europeu)
Atrelado a maior gasto militar em meio a tensões geopolíticas.
Como a América Latina se encaixa?
Ambos os bancos enxergam a América Latina como peça-chave na rotação global — mas com ênfases complementares.
Para o Bradesco BBI, a América Latina é: o vencedor global do movimento de realocação para fora dos EUA, a região em que qualquer correção tende a ser oportunidade de compra e um mercado que está menos volátil e mais bem administrado do que na última grande perna de alta pré‑2008.
Já a Ashmore ressalta, citando o Itaú BBA, que: a América Latina ainda tem valuations relativamente baratos, mesmo após a forte alta; é uma ganhadora direta do tema de gargalos de IA via commodities (minério, cobre, energia) e o ciclo 2002–2007 é uma analogia plausível de fluxo e reprecificação.
Nos dois casos, Brasil e Chile aparecem como polos importantes, enquanto México e Peru surgem com oportunidades pontuais; e Colômbia é vista com valuation mais “esticado” em relação a outros países.
O Bradesco BBI classifica o Brasil como “top pick” (preferido) em LatAm e o principal beneficiário da “great rotation”, destacando: baixo valuation (desconto relevante versus histórico e pares emergentes); peso elevado de setores cíclicos na Bolsa, que se beneficiam de atividade e juros menores; carrego de juros (FX carry) alto, atraindo estrangeiros e mercado ainda relativamente pequeno, mas “big enough” para grandes fundos globais.
O BBI inclusive constrói um cenário específico de fluxo estrangeiro, no qual vê até 27% de upside para o investidor global na Bolsa brasileira.
Já a Ashmore reforça que o Brasil é um mercado altamente líquido e financeirizado, apto a receber grandes fluxos; vive um ciclo de afrouxamento monetário tardio, com espaço para mais cortes de juros do que o embutido hoje nas curvas; se encaixa bem no tema de ativos reais, pela combinação de commodities e empresas ligadas à economia doméstica.
Um dado relevante é o prêmio negativo entre ações e juros no Brasil hoje.
O BBI complementa esse quadro com uma leitura tática, ressaltando que o fluxo intenso para ETFs deixou para trás um conjunto de small e mid caps brasileiras, que hoje negociam com desconto próximo de máximas históricas em relação às blue chips, mesmo às vésperas de um ciclo de corte de juros. Isso cria uma “janela de oportunidade” para elas, especialmente em nomes domésticos cíclicos. O banco cita Smart Fit (SMFT3), Ecorodovias (ECOR3) e 3 Tentos (TTEN3) entre os destaques.
Apesar do tom construtivo, os estrategistas apontam que este não é um caminho linear, podendo ser afetado por: realização de lucros, em especial nos EUA, após um rali expressivo e posicionamento esticado; surpresas geopolíticas, ainda que a percepção seja de alguma desaceleração do risco no último ano, além da possibilidade de que a própria IA, ao invés de apenas aumentar a produtividade, se torne fonte de inflação, caso os gargalos de energia, chips e infraestrutura se intensifiquem.
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