A cesta de Páscoa ficou mais salgada nos últimos cinco anos. Puxada pelas quebras de safra do cacau e inflação do açúcar, a variação de preço dos chocolates chegou a ultrapassar a marca de 80%..
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Quem frequenta os corredores dos supermercados deve ter percebido que a variação de preços de alguns produtos é maior do que outros, o que faz a inflação ser sentida de forma diferente no bolso de cada um. No caso dos produtos de Páscoa, a variação de preços dos últimos cinco anos foi de 50,75% – percentual que ficou acima da inflação geral do país, o IPCA, que teve variação de 33,13% no período.
Em alguns casos, como o chocolate em pó, a variação de preço foi de 85%. O levantamento foi feito pela Rico.
Para Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, o recorte dos produtos de Páscoa permite observar que, embora os preços tenham subido de forma geral na economia, os itens tradicionalmente associados à data ficaram ainda mais caros, reflexo das safras e de custos logísticos.
Chocolate em pó fica 85% mais caro em 5 anos
O chocolate em pó é o que teve maior variação de preço em cinco anos, com alta de 85,10% no período. A categoria medida pelo IPCA inclui também o achocolatado, que faz parte da receita de alguns recheios dos ovos de Páscoa.
Em segundo lugar vem o chocolate em barra e bombom, categoria que avançou 78,44% em cinco anos.
O terceiro lugar fica com o açúcar refinado, que aumentou o preço em 57,51%; seguido por frutas, que avançaram 55,98%; e azeite de oliva, com 51,56%.
Os que tiveram menor flutuação de preço no período foram os pescados (9,29%), manteiga (32,77%) e o açúcar cristal (34%).
Fonte: Rico com dados do IPCA
Quebra de safra do cacau
A quebra da safra do cacau nos principais países exportadores é uma das razões para a elevação dos preços no período de cinco anos.
Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, afirma que a cotação média do cacau na Bolsa de Nova York estava em torno de US$ 2 mil a US$ 3 mil em janeiro de 2022, mas chegou ao primeiro pico em abril de 2024, acima de US$ 10 mil a tonelada.
Recentemente houve um recuo nos preços da commodity, mas não o suficiente para refletir na indústria do chocolate.
Leia também: Cotação do cacau e açúcar despencam; ovos de Páscoa vão acompanhar queda?
Alta do açúcar pressiona cadeia
O açúcar foi o terceiro item que mais pesou na variação de preços em cinco anos. Segundo Figueiredo, a alta acumulada foi resultado de fatores climáticos, custos logísticos e estruturais que “afetaram a oferta global e pressionaram a cotação nos últimos anos”, afirma.
Páscoa mais cara neste ano?
A variação de preços acumulada dos últimos cinco anos mostra uma expressiva sobreposição de valores. Mas o mesmo não ocorre em um período mais curto, quando a economia viu uma descompressão dos preços.
Se comparado à Páscoa do ano passado, o consumidor poderá ter a percepção de que os preços não estão tão caros assim, já que a variação foi diferente. Segundo Figueiredo, este movimento reflete a desaceleração da inflação, reflexo da alta taxa básica de juro, que está em 15% desde meados do ano passado e que busca justamente frear a economia.
“Esse movimento tem relação com a política monetária restritiva, com a taxa de juros em 15%, além da apreciação cambial observada desde o ano passado e da maior oferta global de alguns alimentos”, afirma.
Os dados compilados pela Rico apontam que, nos últimos 12 meses até janeiro de 2026, a cesta de Páscoa registrou alta de 2,51%, abaixo do IPCA de 4,44% no período.
As maiores contribuições de preços continuaram sendo os chocolates (em pó e em barra) e o açúcar refinado, mas em patamares menores. Dentro da cesta de Páscoa, houve recuo de preços em cinco categorias (pescados, manteiga, açúcar cristal, leite condensado e balas), o que contribuiu para uma alta menor que o IPCA geral no último ano.
“No agregado, o retrato para a Páscoa de 2026 é mais benigno que o de 2025. A inflação da cesta convergiu para um ritmo mais moderado, embora ainda haja pressões em categorias industriais mais sensíveis a custos de insumos”, afirma Figueiredo.
Fonte: Rico com dados do IPCA
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