20 de fevereiro de 2026

​JBS: demanda forte por proteína – quanto pode beneficiar companhia? 

Goldman destacou positivamente a capacidade da companhia de construir marcas, a geração consistente de fluxo de caixa livre e o retorno aos acionistas
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O Goldman Sachs reiterou sua confiança na força da demanda global por proteína, após apresentação do frigorífico JBS (BDR: JBSS32) no CAGNY (Consumer Analyst Group of New York).

A equipe do banco destacou positivamente a capacidade da companhia de construir marcas, a geração consistente de fluxo de caixa livre e o retorno aos acionistas, além dos potenciais efeitos favoráveis para as ações com uma possível inclusão no índice Russell em junho.

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Por outro lado, reconheceu que o investimento de 2026 acima do esperado e despesas financeiras líquidas superiores ao previsto podem pressionar o sentimento dos investidores no curto prazo.

Posição privilegiada nas tendências de consumo

A administração reforçou sua estratégia de crescimento com foco em diversificação, expansão de produtos de maior valor agregado e disciplina financeira, mantendo alavancagem entre 2x e 3x, patamar que permitiria distribuir cerca de US$ 1 bilhão anuais em dividendos, além de eventuais recompras.

A empresa vê a proteína em posição privilegiada nas tendências de consumo, impulsionada por maior foco em saúde, nutrição e conveniência, estimando crescimento anual de até 5% no consumo nos EUA entre 2025 e 2028. A JBS também destacou o fortalecimento de suas principais marcas globais e a transição para um modelo mais próximo ao de empresas de bens de consumo (CPG).

Para 2026, o fluxo de caixa livre estimado varia entre US$ 1,0 bilhão e US$ 1,5 bilhão, mesmo com CapEx projetado de US$ 2,4 bilhões, acima do nível estrutural, devido a investimentos em expansão de capacidade nos Estados Unidos e no Paraguai. A companhia também enxerga oportunidades relevantes no Oriente Médio, especialmente após investimento estratégico em Omã. O frango permanece como principal motor de crescimento, enquanto a demanda global por carne bovina é considerada resiliente.

Visão do JPMorgan

O JPMorgan, por sua vez, avalia que o mercado de frango nos Estados Unidos deve apresentar equilíbrio entre oferta e demanda em 2026, com preços firmes ao longo dos três primeiros trimestres.

Segundo Justin Barlup, analista de aves da Green Markets, plataforma da Bloomberg, a demanda forte deve absorver crescimento de oferta entre 2,5% e 3% em 2026. Esse cenário reforça a visão do JPMorgan de margens da JBS e da Pilgrim’s Pride levemente acima dos níveis normalizados em 2026, com estimativa de margem de 10,5%.

O banco destaca a aceleração da automação, com fechamento de plantas antigas e expansão de unidades maiores e mais eficientes, além de ambiente positivo no setor, com foco em eficiência operacional, controle sanitário e redução de desperdícios. A oferta deve crescer de forma limitada no curto prazo, enquanto a demanda permanece forte, especialmente de redes de fast-food, favorecendo o frango frente à carne bovina por questões de preço.

A equipe de analistas também ressalta avanços em genética e eficiência alimentar, maior valorização da carne escura, competição internacional com o Brasil, que mantém vantagem de custo, e oportunidades em nichos como kosher e halal.

Segundo relatório, o principal risco segue sendo a influenza aviária, com aumento recente de casos nos EUA, embora perdas no nível observado em 2025 sejam consideradas improváveis.

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