Mercado repercute melhora nas contas externas, enquanto ativos locais seguem beneficiados pelo fluxo externo em meio à fraqueza do dólar
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As taxas do Tesouro Direto operam em queda na manhã desta quarta-feira (25), com destaque para o recuo do juro real longo. A taxa do Tesouro IPCA+ 2050 caiu para 6,81%, atingindo o menor patamar do ano, e o mais baixo desde dezembro, pouco antes do estresse nos mercados provocado pelo anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência.
O movimento acompanha o fortalecimento do real, que segue beneficiado de fluxo estrangeiro para a Bolsa, e com o mercado avaliando a queda do déficit em transações correntes para abaixo de 3% do PIB em 12 meses.
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“É um sinal macroeconômico relevante, pois reduz a vulnerabilidade externa e a dependência de financiamento estrangeiro, o que tende a melhorar a percepção de risco Brasil e aliviar pressões estruturais sobre o câmbio”, pontua Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos. “Esse movimento fortalece a leitura de maior equilíbrio nas contas externas”, observa, fazendo a ressalva de que o ajuste ocorre em um contexto de desaceleração da atividade, com menor dinamismo de consumo e investimento.
Na comparação com o início da semana, o movimento de fechamento da curva real é consistente. O IPCA+ 2040 recuou para 7,01%, o IPCA+ 2045 para 7,02%, enquanto o papel mais longo disponível, o IPCA+ 2060, caiu para 6,98%. No trecho intermediário, o IPCA+ 2032 foi negociado a 7,45%.
Nos prefixados, o movimento também foi de queda. O Tesouro Prefixado 2029 recuou para 12,57%, o 2032 caiu para 13,21%, e o prefixado com juros semestrais 2037 foi negociado a 13,46%.
O fechamento das taxas reais ocorre em um dia de dólar mais fraco. A moeda americana renovou mínima em quase dois anos, sendo cotada a R$ 5,13, movimento que ajuda a aliviar a percepção de risco e contribui para a compressão dos prêmios na curva de juros. Agentes também avaliam a nova rodada da pesquisa AtlasIntel, que mostrou empate técnico entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno.
No exterior, os futuros do S&P operam em leve alta, com investidores ainda aguardando por mais clareza sobre as tarifas de Trump enquanto digerem o discurso anual do presidente ao Congresso americano e esperam pelo balanço da Nvidia após o fechamento.
A queda do dólar é “reflexo da política econômica de Trump, que faz com que a moeda norte-americana perca importância relativa enquanto reserva de valor, em favor do ouro e moedas como o euro”, observa Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. “Com a valorização do real, a curva de juros tem movimento de alívio, reagindo também à melhora das projeções para o IPCA no Boletim Focus”, afirma, mencionando os dados da segunda-feira.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h34 desta quarta-feira (25):
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